Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Palmeiras 'doma' favoritismo e adota discurso humilde para ir à final

Clube trabalha nos bastidores para diminuir cobrança e expectativa por conquistas depois de temporada abaixo de esperado em 2017

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2018 | 07h00

A classificação para a final do Campeonato Paulista já representou para o Palmeiras duas conquistas em comparação ao ano passado. A primeira delas foi conseguir disputar uma decisão; a outra é de viés comportamental. O clube tem mostrado sucesso ao controlar o "complexo de favorito" que tanto atrapalhou em ocasiões anteriores.

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Na avaliação realizada no fim do ano passado, a diretoria identificou alguns problemas responsáveis pelo elenco ter passado 2017 inteiro sem ganhar títulos. A análise apontou a expectativa por títulos e a própria cobrança para corresponder ao investimento de mais de R$ 100 milhões no elenco como as responsáveis pela decepção.

Na virada do ano o clube ajustou pouco o time com contratações e muito mudou no discurso. O Palmeiras buscou reforços pontuais, cerca da metade do número dos trazidos para o início de 2017, e trabalhou para se sentir menos favorito. "Só seríamos favoritos no Paulista se os jogos começassem com o placar de 3 a 0 para nós", disse o técnico Roger Machado.

A estratégia contra o favoritismo se baseou em transformar a cobrança em uma demanda natural do futebol. O treinador buscou fazer o elenco se sentir menos culpado ao explicar que, mesmo se o clube não tivesse investido em contratações e não desfrutasse de boas condições financeiras, haveria expectativa da mesma maneira.

"Se o Palmeiras não tivesse investido como investiu, se não tivesse os jogadores de qualidade que tem, também seria cobrado para conquistar tudo. Nós estamos no Palmeiras. A torcida deseja vencer", disse Roger.

Os jogadores adotaram o discurso e, de forma conjunta, respondem quem vê o Palmeiras como grande favorito. Após superar o Santos na semifinal, o volante Felipe Melo rebateu o presidente do clube alvinegro, José Carlos Peres, que havia dito, de forma irônica, que investimento não ganhava partidas.

"O PSG acabou saindo das oitavas da Liga dos Campeões depois de tudo que gastou. Não existe isso de só porque gastou vai ser campeão. Tem que 'ralar' o bumbum no chão", disse o jogador em entrevista à ESPN. "Eu vi muitas pessoas falando de ‘oba oba’ no Palmeiras. Aqui não teve. Enquanto pessoas falavam disso, nós acordamos cedo na segunda-feira e viemos concentrar", completou.

A postura mais humilde ajuda a combater o estigma criado no ano passado. A temporada começou com o Palmeiras como o atual campeão brasileiro, enriquecido pela venda de Gabriel Jesus ao Manchester City, reforçado pela contratação milionária de Borja e movido pela renovação de patrocínio com a Crefisa no valor de R$ 150 milhões por duas temporadas.

O novo acordo havia prometido em fevereiro de 2017 pagar R$ 40 milhões como prêmio caso o time conquistasse todos os títulos possíveis. O sonho ambicioso se transformou, porém, em uma meta ousada demais. Mesmo vice-campeão brasileiro, o Palmeiras resume a última temporada como insucesso. 

O ambiente no time está mais leve em 2018. O último ano ficou marcado por conflitos como o entre o atacante Róger Guedes e alguns colegas, além da desavença pública entre o técnico Cuca e Felipe Melo. Roger considera a gestão de pessoas como metade do trabalho de treinador e tenta fazer as cobranças não causarem atritos. "Nós temos a responsabilidade de brigar pelas competições. Vencê-las, só o tempo vai dizer", disse.

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