Leandro Martins/Futura Press
Leandro Martins/Futura Press

Palmeiras e Corinthians se enfrentam com ânimos exaltados

Segurança reforçada dentro e fora da arena e declarações polêmicas fazem a rivalidade ficar ainda mais aflorada

Daniel Batista e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2015 | 07h06

Depois de muita polêmica nos bastidores, idas e vindas, Palmeiras e Corinthians fazem neste domingo, às 17h, o primeiro clássico do novo estádio alviverde. A confirmação da realização da partida válida pela 3.ª rodada do Campeonato Paulista só saiu às 19h16 de sexta-feira, após a Federação Paulista de Futebol autorizar a venda de ingressos para os corintianos. Sem a presença da sua torcida, o Corinthians ameaçava não entrar em campo e perder por W.O.

O anúncio da FPF, no entanto, veio apenas depois que o Corinthians entrou na Justiça e obteve parecer favorável à entrada dos seus torcedores no estádio hoje. Contrariada, a diretoria do Palmeiras, então, resolveu repassar a carga de 1.800 ingressos para o arquirrival.

O tema torcida única em clássicos opõe os dois clubes desde 2013 e na última semana foi parar na Justiça por causa do novo estádio do Palmeiras. O presidente do Alviverde, Paulo Nobre, defende a ideia de vetar torcedores do time visitante há mais de dois anos e alega que essa é a melhor solução para conter a escalada de violência no futebol.

Do lado do Corinthians, o presidente Mário Gobbi é contra a proposta. Para o dirigente, a mudança no sistema de distribuição de ingressos em clássicos deve ser discutida por clubes, Federação Paulista, CBF, Ministério Público e até Conmebol, além de precisar de um prazo para ser implantada.

Inaugurada em novembro do ano passado, a arena alviverde ainda está incompleta. Em vários setores as obras não foram concluídas, entre eles o destinado à torcida visitante.

Ao presidente do Corinthians, Nobre teria confidenciado que o novo estádio não foi planejado para receber uma grande quantidade de torcedores de outros times. Para o jogo de hoje, o clube teria de isolar uma área onde cabem 12 mil cadeiras a fim de evitar que corintianos e palmeirenses tivessem algum tipo de contato.

Deverão ser instaladas divisórias provisórias no setor destinado à torcida visitante – não há previsão de quando as estruturas fixas serão colocadas. Também deverão ser montadas barreiras móveis, que mudarão de acordo com o número de torcedores visitantes que o estádio receber.

A Polícia Militar vai reforçar o número de homens dentro e fora do estádio para evitar confrontos entre torcedores. Apesar de considerar a partida de alto risco, a corporação não era favorável à torcida única. A PM alega que tem condições de garantir a segurança dos torcedores que forem à arena e fazer a escolta das organizadas.

Como o seu novo estádio não tem alambrado, o Palmeiras vai reforçar o número de seguranças para tentar evitar invasões ao gramado. Deverá ser adotado esquema semelhante ao da última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, quando o Palmeiras recebeu o Atlético-PR e corria risco de ser rebaixado. Naquela partida, o temor do clube e da PM não era com possíveis confrontos entre torcedores rivais, mas sim com a reação dos palmeirenses em caso de nova queda à Série B.

QUEDA DE BRAÇO

Em seu último ato como presidente do Corinthians, Mário Gobbi obteve uma importante vitória nos bastidores ao conseguir que a sua vontade prevalecesse. Saíram derrotados Paulo Nobre, o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, e os promotores Roberto Senise e Paulo Castilho, mentores da ideia de torcida única no clássico.

Responsável por negociar com os clubes, Bastos é acusado de ter não ter tido pulso firme para conduzir o caso. A habilidade do futuro presidente da federação (assumirá o cargo em abril quando Marco Polo Del Nero vai para a CBF) para cuidar de temas conflituosos será testada mais uma vez no próximo mês. Está agendado para o dia 25 de março o segundo clássico no novo estádio, desta vez contra o São Paulo.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS: Fernando Prass; Lucas, Tobio, Vitor Hugo e Zé Roberto; Renato, Gabriel, Allione e Alan Patrick; Dudu e Leandro Pereira

Técnico: Oswaldo de Oliveira

CORINTHIANS: Cássio; Edílson, Edu Dracena, Gil e Fábio Santos; Ralf, Bruno Henrique, Jadson e Danilo; Mendoza e Guerrero

Técnico: Tite

JUIZ: Raphael Claus

LOCAL: Arena do Palmeiras

HORA: 17h

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