Montagem/ Felipe Rau/Estadão e Daniel Castelo Branco/Agência O Dia
 Palmeiras e Flamengo têm efetiva sobra de caixa para pagar dívidas e, especialmente, fazer investimentos Montagem/ Felipe Rau/Estadão e Daniel Castelo Branco/Agência O Dia

Palmeiras e Flamengo representam 1/3 da geração de caixa do futebol brasileiro

Panorama já se repete há dois anos, o que coloca as equipes em patamar financeiro diferenciado no País

Matheus Lara, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2017 | 09h14

Palmeiras e Flamengo, juntos, são responsáveis por mais de 1/3 da geração de caixa total dos principais clubes brasileiros. Esse panorama já se repete há dois anos, colocando as duas equipes num patamar financeiro diferenciado em relação aos demais times do País.

Essa é uma das conclusões de um estudo do Itaú BBA com base nas finanças de 27 clubes do futebol brasileiro, que foi divulgado nesta terça-feira, em São Paulo. Os dados mostram que, com essa concentração, Palmeiras e Flamengo têm efetiva sobra de caixa para pagar dívidas e, especialmente, fazer investimentos.

A vantagem fica ainda mais acentuada se for levada em conta apenas o EBITDA - lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização - recorrente. Nesse cenário, a soma da geração de caixa dos dois times chega a representar mais de 90% do total arrecadado: são R$ 236 milhões contra R$ 29 milhões dos outros 25 clubes juntos.

Para o coordenador do estudo, César Grafietti, isso favorece as equipes também dentro de campo. “Esses números significam que os dois têm uma capacidade muito maior de competição em relação aos demais clubes”, explica. “Isso porque eles têm mais receitas recorrentes, mais controle de recursos e conseguem ter maior capacidade de investimento, enquanto os outros estão correndo para fechar as contas”.

O valor total das receitas dos 27 clubes analisados cresceu 20% de 2015 para 2016, passando de R$ 3,6 bilhões para R$ 4,3 bilhões – o estudo não leva em conta os valores recebidos a título de luvas pagas pelas emissoras de televisão pelos direitos de transmissão. Entre as receitas recorrentes, a variação foi de 28% em comparação ao exercício de 2015: passou de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,8 bilhões

“São números expressivos e que mostra que a indústria do futebol tem uma grande resiliência, já que a gente vem de dois anos de recessão, com queda de PIB consecutiva em 2015 e 2016”, avalia Grafietti.

Palmeiras lidera ranking de arrecadação em 2016

O Palmeiras lidera o ranking de faturamento entre os clubes brasileiros no exercício de 2016 com R$ 469 milhões. O crescimento do time foi de 56% se comparado a 2015. O clube foi fortemente impactado pelas cotas de TV, que aumentaram 45%, mas também pelo contrato de publicidade (39%) e bilheteria, que inclui o programa de sócio-torcedor (35%). Até a venda de atletas, tradicionalmente fraca no clube, saltou de R$ 5 milhões para R$ 51 milhões.

Em segundo lugar no ranking, o Flamengo apresentou crescimento de 21% nas receitas (R$ 408 milhões em 2016), também por causa das cotas de TV, que aumentaram 69%. O São Paulo aparece em terceiro com crescimento de 30% (R$ 369 milhões) e o Corinthians em quarto, com 13% de crescimento em 2016 (faturou R$ 336 milhões). Em quinto, o Atlético Mineiro aparece com R$ 300 milhões, um crescimento de 29% comparado a 2015.

Segundo o Itaú BBA, este é o Top-10 de arrecadação dos clubes de futebol brasileiros em 2016:

1 – Palmeiras (R$ 469 milhões)

2 – Flamengo (R$ 408 milhões)

3 – São Paulo (R$ 369 milhões)

4 – Corinthians (R$ 336 milhões)

5 – Atlético Mineiro (R$ 300 milhões)

6 – Santos (R$ 245 milhões)

7 – Cruzeiro (R$ 225 milhões)

8 – Grêmio (R$ 225 milhões)

9 – Vasco (R$ 213 milhões)

10 – Internacional (R$ 212 milhões) 

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‘Em vez de criticar o Palmeiras, clubes deveriam procurar suas Crefisas’, diz especialista

Crefisa foi responsável por 17,6% de todas as receitas com publicidade nos clubes de futebol do Brasil em 2016

Matheus Lara, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2017 | 09h21

Para o coordenador da 7ª edição da Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros do Itaú BBA, César Grafietti, os críticos à relação do Palmeiras com sua patrocinadora master, a Crefisa, deveriam ocupar o tempo buscando resultados financeiros equivalentes aos conquistados pelo Palmeiras nos últimos dois anos.

Por causa do contrato com a empresa, o clube paulista teve um crescimento “desproporcional”, segundo o estudo, nas receitas com publicidade, que engloba também recursos para pagar salários e para compra de atletas. Passou de R$ 23 milhões em 2014 para R$ 97 milhões em 2016.

“Existe um inchaço no Palmeiras (por conta dos investimentos da Crefisa)”, avalia Grafietti. “Em vez de criticar o Palmeiras e a Crefisa, os clubes deveriam buscar marcas que mais se identificam com esses clubes. Eles deveriam procurar suas ‘Crefisas’”

No ano passado, a Crefisa foi responsável por 17,6% de todas as receitas com publicidade nos clubes de futebol do Brasil. Em 2015, a fatia já era expressiva, representando 15%. Com exceção desses números, o cenário das receitas de publicidade no futebol brasileiro não é tão positivo assim.

Apesar do volume expressivo e fora da curva das receitas publicitárias do Palmeiras por causa da Crefisa, um eventual rompimento de contrato não representaria um futuro imediatamente trágico para o clube. Segundo o estudo, a capacidade de investimentos diminuiria, mas não tornaria o clube inviável financeiramente.

Receitas de patrocínio permanecem em baixa no futebol brasileiro

Se observado dentro do setor publicitário brasileiro, que investiu quase R$ 130 bilhões no ano passado, o futebol continua sendo um meio de pouco apelo, atraindo apenas 0,4% desse valor. O crescimento dessa taxa entre 2015 e 2016 foi de apenas 0,01%. “É uma deficiência que uma indústria desse tamanho, que atinge tanta gente, não consiga se apropriar de um mercado que investe R$ 130 bilhões mesmo num ano de crise”, opina Grafietti.

Para ele, o baixo crescimento em receitas de publicidade nos últimos anos não é apenas fruto de um cenário macroeconômico desfavorável – e que, em tese, justificaria a baixa nos investimentos por parte das empresas. Ele argumenta que o futebol no Brasil ainda não conseguiu instituir uma cultura de valorização das marcas.

“Os dirigentes precisam ter conhecimento de sua marca, do seu torcedor e de qual a estratégia de marketing para atrair o patrocinador correto. Hoje, é mais exposição da marca, sem um relacionamento entre o clube as empresas buscando um melhor retorno para os dois”.

Além do Palmeiras, Flamengo e Corinthians continuam com a maior parte das receitas de publicidade no futebol do País. Juntos, os três times representaram 41% do total, em 2015, e aumentaram a presença para 43%, em 2016.

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Clubes faturaram mais de R$ 2 bilhões em cotas de TV em 2016

Valor é 38% maior que o de 2015 e atualmente representa 49% das receitas totais dos clubes

Matheus Lara, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2017 | 09h28

O valor referente às cotas de direitos de transmissão de jogos pela televisão foi o principal motivo do crescimento das receitas totais de 27 clubes brasileiros entre 2015 e 2016. De acordo com um estudo feito pelo Itaú BBA com base nas finanças das equipes, os times faturaram ao todo R$ 4,3 bilhões em 2016, um aumento de 20% se comparado a 2015.

As cotas de TV tiveram crescimento nominal de 38% e atualmente representam 49% das receitas totais dos clubes, atingindo R$ 2,1 bilhões. Desconsiderando o efeito inflacionário do período, o crescimento de 2015 para 2016 ainda assim foi expressivo: 30%.

 

Confira as receitas dos clubes, por origem, nos últimos sete anos, com dados do Itaú BBA (em milhões):

Essa variação já era esperada desde 2012, quando foram firmados os contratos e, de acordo com a análise, favorece os clubes por estar relacionada a uma receita alta, estável e de baixo risco. "Estas receitas apresentaram crescimento médio anual real – acima da inflação – de 1,2%", informa o relatório do estudo. "Trata-se de uma receita não só importante quanto ao montante, mas também quanto ao comportamento, que é estável e de baixíssimo risco".

Segundo o relatório do estudo, as receitas de TV não geram concentração de renda - fenômeno usualmente chamado de "espanholização", em referência ao fato de que Real Madrid e Barcelona chegam a concentrar quase 60% desse tipo de receita no futebol espanhol, o que gera uma grande distorção de forças entre os clubes. No Brasil, apesar do Flamengo deter 10% do total desse tipo de receita entre os clubes, o time carioca e outros 11 clubes concentram 72,5% dela.

O relatório do Itaú BBA lembra que, além das cotas propriamente ditas, tanto a Globo quanto a Turner (Esporte Interativo), despejaram R$ 545 milhões nos clubes a título de luvas.  Como Atlético Mineiro, Cruzeiro e Vasco da Gama não informaram esse valor, estima-se que este número pode chegar perto de R$ 700 milhões, considerando os valores dos outros clubes. Além deles, o Palmeiras não recebeu esse montante em 2016.

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