Palmeiras e Santos jogam no Palestra

Paulo Bonamigo e Gallo refletem a situação de suas respectivas equipes, Palmeiras e Santos, no clássico deste domingo, às 16 horas, no Palestra Itália, pelo Campeonato Brasileiro. Do lado palmeirense, Bonamigo está com a corda no pescoço, garantido pela diretoria, mas sob pressão da torcida e de conselheiros do clube após seis jogos sem vencer e a eliminação da equipe na Copa Libertadores da América. Do outro, Gallo está valorizado. Pegou o Santos em fase de declínio no Campeonato Paulista e conseguiu recuperá-lo, levando-o à liderança do Nacional e às quartas-de-final da competição continental.Mas não é porque o time da Vila Belmiro está por cima que seu técnico está em situação confortável. Não são poucos os problemas que terá de administrar para o clássico, a começar pela possibilidade de não contar com o atacante Robinho, craque do time, contundido no joelho. "Estou otimista, mas a definição da situação de Robinho será feita após análise feita pelo pessoal do departamento médico", disse Gallo.Outro problema do Santos, admitido por seu próprio treinador, é o desgaste físico e psicológico ao qual o time vem sendo submetido pelos jogos na Libertadores. A solução poderia ser poupar alguns atletas, mas a opção que se tornou impossível porque cinco deles estão contundidos. O goleiro Henao está com o dedo anular da mão direita dolorido, o lateral Paulo César está com uma contusão na coxa direita e o volante Zé Elias com dores no joelho. Para completar, o zagueiro Ávalos e o volante Fabinho estão com lombalgia. "Na atual situação, vão jogar os atletas que estiverem em melhores condições", determinou Gallo.O Palmeiras chega para o clássico mergulhado na crise. Com seis jogos sem vitórias e a eliminação na Libertadores pelo rival São Paulo, o clube vive a véspera da divulgação de uma lista de dispensas. Além disso, os jogadores temem uma reação furiosa da torcida no Palestra Itália, em caso de novo vexame."É um momento difícil. Falta um pouco de tudo, mas o essencial agora é ganhar, independentemente de como jogar", disse o atacante argentino Gioino, que terá uma chance entre os titulares. A seu favor, o Palmeiras tem a lembrança da vitória por 3 a 1 sobre o Santos, no mesmo Palestra Itália, em 6 de março, uma das poucas boas apresentações no Campeonato Paulista. Porém, o meia Pedrinho, herói daquela tarde, está de fora do jogo, por contusão.O maior desafio palmeirense será marcar um gol, coisa que o time fez apenas uma vez, de pênalti, nos últimos seis jogos. "Quando o ataque fizer um gol, vai sair uma enorme carga negativa. Acredito muito na capacidade desse grupo", afirmou o técnico Paulo Bonamigo.O treinador do Palmeiras, que assim como seu colega do Santos pertence a uma nova geração de técnicos, luta para diminuir o enorme fosso que separa os retrospectos dos dois clubes na temporada. Enquanto o Santos tem 19 vitórias e 7 empates em 32 jogos - um aproveitamento da 66% (pior apenas que o do São Paulo entre os paulistas que estão na Série A) -, o Palmeiras atingiu só 41%: 11 vitórias e 14 derrotas em 34 jogos.Em sua defesa, Bonamigo lembra que assumiu o Palmeiras já em má fase, após um péssimo Paulista (o time ficou em 9º lugar). "Quando peguei o Palmeiras, a equipe tinha perdido do Santo André e a perspectiva era de não se classificar para a segunda fase da Libertadores. Pelo que falam, parece que peguei o campeão paulista", ressaltou. "E ainda tive agravante que entraram peças novas."Para Bonamigo, o grande desafio para sua equipe é recuperar a auto-estima. "Talvez o maior problema que o Palmeiras passe é que precisa de uma conquista, de uma afirmação em nível nacional para assentar, dar maturidade. A última foi a Série B. O time às vezes quer acelerar, resolver muito rápido, e tem dificuldade."A resposta do técnico, criticado por sua falta de ousadia na decisão contra o São Paulo, é um Palmeiras ofensivo, venha o Santos com ou sem Robinho. Marcinho fará dupla de meias com Juninho, enquanto Ricardinho e Gioino formam o ataque. Com Magrão suspenso, Alceu será o único volante. Na defesa, Gabriel perdeu vaga para Leonardo Silva. Correia, insatisfeito na lateral-direita quer voltar a ser volante. Assim, Bonamigo o colocou no banco, escalando Bruno.Gallo, por sua vez, explica que fundamentou a reação do Santos em duas mudanças. "Acho que a primeira coisa foi recuperar o time fisicamente porque, quando cheguei, estava com muitos problemas nesse setor. O segundo foi recuperar a auto-estima da equipe, que estava muito baixa." Resolvidos os dois problemas, o Santos voltou às vitórias e à posição de favorito nas competições que disputa. Mas isso não tranqüiliza Gallo. "O Palmeiras não poderia escolher melhor chance de dar a volta por cima do que com uma vitória sobre a gente."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.