Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Palmeiras e São Paulo resgataram o significado da palavra clássico

Nem o calor de Presidente Prudente atrapalhou a movimentação dos jogadores dos dois times

Gonçalo Júnior, Jornal da Tarde

26 de fevereiro de 2012 | 19h57

SÃO PAULO - O empate entre Palmeiras e São Paulo por 3 a 3 em Presidente Prudente resgatou o significado da palavra clássico. Cheio de reviravoltas no placar, belos lances e a busca pelo gol até os minutos finais, o jogo saiu da mesmice e provou que dois times grandes podem fazer uma partida técnica e vibrante. Não foi uma obra de arte, não teve Neymar ou Messi, mas mostrou um pouco da pompa que o desgastado termo exige.

A tarde calorenta de Prudente – termômetros na casa dos 33ºC, mas sensação térmica pra lá dos 40º C – impôs duas paradas técnicas ao longo do jogo. O Palmeiras preferiu o uniforme branco para obrigar o rival a usar listras escuras, mas a influência do sol escaldante terminou aí.

O Verdão entrou com três volantes e Felipão se apressou para explicar que daria mais consistência defensiva ao meio de campo, liberando Daniel Carvalho para a armação. A realidade aperfeiçoou os rascunhos da prancheta de Felipão logo aos cinco minutos, quando João Vítor, um dos volantes, foi ao ataque e acabou atropelado por Casemiro na entrada da área.

Na cobrança da falta, quando todos esperavam o chute mortal de Marcos Assunção, Daniel Carvalho foi esperto e cobrou rasteiro no canto de Denis para abrir o placar. Com uma marcação mais encaixada – outro termo de Felipão – e uma saída rápida com Maikon Leite, o Palmeiras dominou o primeiro tempo.

O São Paulo dependia exclusivamente das jogadas de Cortez pelo lado esquerdo. Chegando ao fundo ou armando o time pelo meio, ele levou Felipão a coçar a cabeça duas ou três vezes e fez aquilo que o apagado Jadson não fez na primeira etapa.

Inconformado com a apatia dos meias, Leão pediu aos berros que Cícero fosse ao ataque. A esperança do técnico era que ele repetisse o desempenho da partida anterior, quando foi atacante perigoso e inspirado no empate com o Bragantino. A esperança virou premonição. No lance seguinte, com a movimentação de várias peças, Cícero completou o bom cruzamento de Casemiro para marcar seu quarto gol no Campeonato Paulista.

GOLAÇO DE BARCOS

O empate, no entanto, não corrigiu a atuação ruim da defesa do São Paulo. A exemplo do que aconteceu em todo o primeiro tempo, os volantes marcavam mal, sobrecarregando os zagueiros, também pouco inspirados e atabalhoados. O segundo gol do Palmeiras, aos 37, foi o retrato desse caos. Barcos fez bela jogada individual dentro da área, driblando Paulo Miranda e Piris para fazer um golaço: 2 a 1.

O lance foi um emblema da maneira como Felipão quer ver o Palmeiras jogar. Depois de tanto procurar uma boa dupla de ataque, ele percebeu a liga que existe entre Maikon Leite e Barcos. O primeiro traz velocidade; o segundo, precisão na área.

Nas cordas com o domínio palmeirense, Leão encontrou um ponto frágil a explorar: o lado direito da defesa rival, com a atuação insegura de Cicinho. Além de escalar o arisco Fernandinho, pediu que Cortez continuasse a incomodar o lateral.

Aos nove minutos, Cortez foi derrubado por Cicinho dentro da área. Willian José, com uma atuação apenas razoável até então, bateu bem e fez seu oitavo gol no campeonato. E, depois do empate, Fernandinho continuou a infernizar a defesa palmeirense, que começou a fazer água. Depois de um contra-ataque que começou na esquerda e terminou em arrancada de Lucas, Cícero acertou o travessão em uma bela cobrança de falta.

Os melhores momentos do jogo ficaram para o epílogo, como em qualquer clássico. Aos 26, Barcos aproveitou bobeira da zaga e fez com classe. Quatro minutos depois, Fernandinho marcou um golaço de direita: 3 a 3.

Se alguém pedir um exemplo de clássico, o Palmeiras x São Paulo de 26 de fevereiro de 2012 cairá bem para a explicação.

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