Palmeiras "esquece" atletas no hotel

Entre as inúmeras trapalhadas da diretoria de futebol do Palmeiras em Águas de Lindóia, interior de São Paulo, a deste domingo foi inacreditável: Taddei e Tiago Gentil foram esquecidos no hotel antes do amistoso contra o Mogi Mirim, em Pedreira, a cerca de 50 quilômetros de onde a equipe está concentrada. O Palmeiras venceu o jogo por 3 a 0.De acordo com o técnico Vanderlei Luxemburgo, os dois jogadores dormiram depois do almoço. Na versão dos dois atletas, alguém da diretoria esqueceu de chamá-los para a viagem. Seja como for, Taddei e Tiago Gentil chegaram ao estádio municipal de Pedreira de táxi, sem dinheiro, já com o jogo em andamento. E quem teve de pagar os R$ 70 da corrida foi o diretor de futebol do clube, Sebastião Lapola.Apesar de configurar indisciplina, o técnico Vanderlei Luxemburgo disse que não vai puni-los. O susto ao descobrir que o ônibus do Palmeiras já havia saído - pontualmente como combinado, às 14h - foi o castigo maior na visão do treinador. "Estamos em um começo de trabalho e os jogadores precisam se ligar nas suas obrigações e nos horários. Isso acontece, mas não pode acontecer. Por isso ficaram no hotel e tiveram de vir de táxi", afirmou Luxemburgo.Para Taddei, que participou dos dois coletivos anteriores como titular em Águas de Lindóia, o prejuízo foi ainda maior. Como chegou atrasado em Pedreira, perdeu o lugar para Claudecir. Só que Claudecir se machucou logo aos 16 minutos do primeiro tempo e Tiago Gentil, que tinha acabado de chegar ao estádio, teve de entrar em campo às pressas, sem sequer aquecer. "Quando entrei em campo ainda estava assustado com a situação, sem saber o que poderia acontecer por causa do atraso. Mas felizmente tudo correu bem no jogo. Agora, o jeito é esquecer o problema e trabalhar para que esse fato não nos prejudique no clube."Taddei só entrou na equipe no segundo tempo, mas não atuou na sua posição de origem, como segundo volante. Mas também nem reclamou. Depois do jogo, mostrou que sabe ser ágil quando a situação exige.Taddei e Tiago Gentil foram os primeiros a sair do vestiário. Por ordem de Vanderlei Luxemburgo, ficaram até o fim das entrevistas e atenderam pacientemente a todos os jornalistas. Taddei só não confirmou a versão do treinador, sobre a soneca. "A gente não estava dormindo, não. Estávamos vendo tevê." Em seguida, transferiu inconscientemente a responsabilidade para a diretoria de futebol. "Como nós passamos a semana toda sendo chamados pelo telefone antes dos treinamentos pela manhã e à tarde, achamos que na saída para o estádio também seríamos avisados na hora de descer. Mas se não avisaram, tudo bem. Passou. Pegamos o táxi e vamos continuar trabalhando para permanecer no grupo."O que Taddei e Tiago Gentil conversaram no trajeto do táxi, entre Águas de Lindóia e Pedreira, nenhum deles comentou. Mas acabaram rindo da situação mais tarde, contando para os jornalistas como chegaram à conclusão de que o melhor a fazer seria pegar um táxi, mesmo sem dinheiro. "Ligamos para a Academia lá em São Paulo e pedimos o número do telefone do Lapola (Sebastião Lapola, diretor de Futebol)", revelou Taddei. "Aí ligamos para o Lapola e ele mandou a gente pegar um táxi. Quando chegamos aqui (no estádio), ele pagou os R$ 70."Enquanto Taddei e Tiago Gentil falavam de um lado, o treinador Vanderlei Luxemburgo dava entrevistas de outro, sem perceber que estava cinco metros distante de um painel com o nome do patrocinador do Palmeiras. Só quando a coletiva já havia terminado, o auxiliar-técnico Paulo Cesar Gusmão conseguiu se aproximar e deu o recado. "Mandaram você dar as entrevistas na frente do painel." Sem saber como contornar mais esse improviso da diretoria, Vanderlei Luxemburgo retrucou: "Como é que eu ia saber?"

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2002 | 21h48

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