Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Palmeiras fica no empate, mas escapa do rebaixamento

Equipe se livra do descenso graças ao triunfo do rival Santos sobre o Vitória, no Barradão, com gol nos acréscimos da partida

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2014 | 19h13

Acabou o pesadelo do Palmeiras que se arrastava desde maio. Diante de sua torcida, aflita e vibrante, o time arrancou o empate por 1 a 1 do Atlético-PR neste domingo e garantiu sua permanência na Série A do Campeonato Brasileiro. O time escapou de um vexatório rebaixamento no ano do seu centenário, mas o sentimento que imperou na Arena Palmeiras foi de alívio, apesar do choro, rezas e muito drama até o fim do jogo. 

O capítulo final dessa epopeia não foi marcante, não fosse pelo lado histórico com o fim da agonia. O símbolo de entrega dos jogadores ficou na conta de Valdivia. Embora não estivesse 100% fisicamente, o chileno foi para o embate decisivo no sacrifício e ajudou bastante a equipe. O técnico Dorival Júnior escalou o time com Henrique e Mazinho caindo mais pelas pontas e Valdivia centralizado. Apesar da disposição tática, o medo era claro entre os jogadores. 

Poucos pareciam confortáveis e confiantes em fazer uma jogada individual e a bagunça tática, que se tornou uma rotina no time comandado por Dorival, imperou mesmo em uma partida tão decisiva.

Os jogadores se movimentavam bastante, mas ninguém assumiu a responsabilidade de partir para cima do adversário e tentar resolver logo a questão sem se preocupar com os resultados de Coritiba x Bahia e Vitória x Santos. Para piorar situação do alviverde, a garotada do Atlético-PR resolveu responder em campo todas as provocações e menosprezo que foram vítimas pelas suspeitas de que o Furacão facilitaria o trabalho do Palmeiras. 

Claudinei Oliveira, técnico do Atlético, não demorou para perceber que o ponto fraco do Palmeiras era no seu lado direito, com João Pedro subindo bastante para o ataque e Lúcio se arrastando em campo. O zagueiro pentacampeão mundial, em fim de carreira melancólico, não conseguia marcar os atacantes e caíam pelo seu setor. 

Sem esforço, o Atlético foi para cima e o inesperado aconteceu. Aos 10, após Lúcio se atrapalhar com a bola e mandar para escanteio, Ricardo Silva venceu o velho zagueiro pelo alto e, de cabeça, fez o gol dos paranaenses. Pouco depois, más notícias vieram de Curitiba. O Bahia abriu o placar contra o Coritiba e, com esse resultado, o Palmeiras estava rebaixado. 

O time alviverde sentiu o gol sofrido e entrou em parafuso. Se a confiança já não era das melhores, neste momento praticamente caiu para zero. O time tocava a bola de lado, sem saber ao certo o que fazer, até que Gabriel Dias, que já tinha tirado uma bola em cima da linha, acertou um forte chute, a bola bateu no braço de Dráuzio e o árbitro marcou pênalti. Dois minutos depois, Henrique bateu com categoria no canto direito - Weverton nem se mexeu - empatou o jogo e entrou para a história do clube por ter sido o primeiro jogador do Palmeiras a marcar no novo estádio. Algo que pouco importava naquele momento. O gol recolocava o Palmeiras na Série A. 

No Couto Pereira, o Bahia ampliou o placar, mas a preocupação estava mesmo com o jogo do Vitória, que enfrentava o Santos e, se vencesse, rebaixaria o Palmeiras. E foi assim durante toda a partida. Os torcedores palmeirenses sabiam que não davam para confiar só em suas forças, embora uma vitória resolvesse a situação. O jeito era “secar” os adversários baianos. 

No segundo tempo, Dorival colocou Mouche e Cristaldo e o time voltou com a mesma desorganização, mas pelo menos com muito mais vontade. Não tinha jogada, era com o coração. Cruzamentos para a área, chutes de longa distância. Valia tudo para não depender do Santos, mas foi o que aconteceu. 

No fim, o alívio. O árbitro apitou fim de jogo na arena e os jogadores ficaram no gramado sem saber o que fazer e esperando pela reação da torcida. Até que Thiago Ribeiro marcou para Santos no Barradão e acabou de uma vez por todas com a agonia dos palmeirenses. A torcida, que foi para comemorar a vitória alviverde, sem se preocupar com resultados de outros jogos, teve só respirou aliviada graças ao rival. Sem motivos para festa, o Palmeiras se manteve na Série A do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 1 X 1 ATLÉTICO-PR

PALMEIRAS - Fernando Prass; João Pedro, Nathan (Victorino), Lúcio e Victor Luís; Gabriel Dias, Renato, Wesley (Cristaldo) e Valdivia; Mazinho (Mouche) e Henrique. Técnico: Dorival Júnior.

ATLÉTICO-PR - Weverton; Mário Sérgio, Dráusio, Ricardo Silva e Olaza; Otávio, Paulinho Dias, Nathan (Matteus) e Marcos Guilherme; Douglas Coutinho e Dellatorre (Pedro Paulo). Técnico: Claudinei Oliveira.

GOLS - Ricardo Silva, aos 9, e Henrique (pênalti), aos 19 minutos do primeiro tempo.

ÁRBITRO - Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS).

CARTÕES AMARELOS - Dráusio e Cristaldo. 

RENDA - R$ 2.976.260,00.

PÚBLICO - 33.151 torcedores.

LOCAL - Allianz Parque, em São Paulo.

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