REUTERS/Andres Cuenca Olaondo
REUTERS/Andres Cuenca Olaondo

Com Deyverson herói, Palmeiras vence o Flamengo e é campeão da Libertadores 2021

Atacante entra no tempo extra, aproveita vacilo da defesa carioca e garante o tri do torneio continental para a equipe alviverde

Ricardo Magatti, enviado especial/Montevidéu, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 19h39
Atualizado 29 de novembro de 2021 | 11h21

O Palmeiras é tricampeão continental. Em uma decisão com todos os ingredientes de um grande jogo no mítico estádio Centenário, em Montevidéu, o time alviverde derrotou o Flamengo por 2 a 1, com gol na prorrogação, e levou a taça da Libertadores pela terceira vez. 

A equipe de Abel Ferreira foi melhor no primeiro tempo e encontrou seu gol cedo, aos cinco minutos, com Raphael Veiga. O time rubro-negro cresceu na etapa final e marcou com Gabigol após tabela com Arrascaeta. Na prorrogação, brilhou a estrela de um herói improvável, Deyverson, que entrou na vaga do lesionado Veiga para anotar o gol do título e fazer história. Definitivamente, é um grande personagem, com muita história para contar. 

Campeão em 1999, 2020 e agora em 2021, o Palmeiras se junta a Grêmio, São Paulo e Santos na lista dos brasileiros que mais venceram o torneio continental. Além disso, quebrou um tabu de quatro anos sem vencer o rival carioca. Abel Ferreira, com a sua terceira taça, a segunda da maior competição da América do Sul, entra para o rol dos grandes técnicos da Libertadores e também para a lista dos maiores treinadores do Palmeiras.

Predestinado, Deyverson mudou sua história no Palmeiras em poucos meses. Em julho, não sabia se seria reintegrado após voltar de empréstimo do futebol espanhol. A pedido de Abel, passou a fazer parte do grupo de novo, ganhou confiança e entrou no início da prorrogação para marcar um dos gols mais importantes da história do clube tricampeão continental.

O jogador se define como um "maluco do bem", às vezes é irresponsável, se envolve em confusões e foi muito contestado desde que chegou em 2017. Mas não dá para negar que tem estrela. Já que além do gol que deu ao Palmeiras o seu terceiro título da Libertadores, também havia marcado contra o Vasco, seu time do coração, na partida em que a equipe consumou a conquista do Brasileirão em 2018.

O duelo que reuniu os últimos campeões continentais foi à altura da importância das duas equipes e do tamanho das torcidas. Os rubro-negros foram maioria no estádio Centenário e também ocuparam quase toda a parte central além de seu setor (tribuna Colombes). Mas os palmeirenses cantaram alto e foram combustível importante para a equipe, que dominou os primeiros minutos.

Sem Felipe Melo, que ao contrário do que Abel havia prometido, não foi titular, o Palmeiras fez um jogo inteligente. Fechou-se com competência e explorou os espaços que o Flamengo, como admitira Renato Gaúcho, sempre deixa. Na primeira oportunidade, a equipe alviverde foi às redes com Raphael Veiga. Gómez lançou Mayke, que avançou livre pela direita nas costas de Filipe Luís e rolou para o meio-campista, candidato a craque da competição, concluiu de primeira por baixo de Diego Alves. Festa dos palmeirenses aos cinco minutos no Centenário. 

O Flamengo, mesmo com Arrascaeta de volta e o quarteto ofensivo completo, se enroscou na marcação do rival. Não foi capaz de encontrar as brechas na eficiente estratégia montada por Abel Ferreira. Uma das poucas chances saiu dos pés de Bruno Henrique, mas ele demorou para tomar uma decisão e foi desarmado por Gustavo Gómez. O paraguaio fez um primeiro tempo impecável no Centenário. 

Do outro lado, o Palmeiras respondeu com Veiga, que arrematou de fora para a defesa de Diego Alves. Em outro ataque, Scarpa cruzou com veneno e Rodrigo Caio quase marcou contra, tentando desviar de cabeça. Antes do intervalo, Filipe Luís se lesionou e deu lugar a Renê.

O Flamengo não voltou com mudanças para o segundo tempo, mas a postura foi diferente. O time rubro-negro pressionou o Palmeiras e até os 15 minutos criou as chances que não havia criado na etapa inicial. Foram três chegadas com perigo. Na melhor delas, Weverton fez uma defesa impressionante em conclusão sem ângulo de David Luiz. 

O Palmeiras não reduziu o ritmo. Continuou ganhando boa parte das dividas e trabalhou com eficiência na defesa. Na frente, o incansável Rony quase marcou em belo arremate de fora da área que iria no ângulo não fosse a intervenção de Diego Alves.

Passados 20 minutos, os rubro-negros nas arquibancadas gritaram o nome de Michael pedindo a entrada do atacante. Renato Gaúcho atendeu ao pedido e lançou mão do ponta no lugar de Everton Ribeiro. O capitão teve atuação discreta.

Quando o Palmeiras dava indícios de que voltaria a controlar o jogo, Gabriel tabelou com Arrascaeta, invadiu a área pela esquerda e bateu rasteiro para vencer Weverton e fazer a massa rubro-negra explodir aos 27 minutos. O espaço por onde a bola passou era o único possível entre Weverton e a trave.

Com o adversário em cima, Abel resolveu mexer e trocou Dudu por Wesley. Danilo teve de sair por lesão para a entrada de Patrick de Paula. Zé Rafael, o outro volante titular, também se machucou. No lugar dele entrou Danilo Barbosa, prova de que Felipe Melo realmente estava sem condições de jogo, uma vez que permaneceu no banco.

O time paulista passou a ficar mais com a bola. Trocou passes de um lado para o outro, mas, desta vez, encontrou dificuldade para penetrar na zaga do Flamengo, que descolou bons contra-ataques. No melhor deles, Michael saiu na cara do gol, mas bateu cruzado para fora. Sem mais movimentação, o jogo se encaminhou para a prorrogação.

O Palmeiras perdeu o terceiro jogador por lesão: Raphael Veiga, substituído por Deyverson. Quis o destino que tal qual Breno Lopes na última decisão, houvesse um herói improvável. E foi Deyverson. O polêmico e às vezes destemperado atacante aproveitou o vacilo de Andreas Pereira na zaga e bateu na saída de Diego Alves. A bola tocou no goleiro e morreu nas redes. O atacante comemorou efusivamente com a torcida, chorou e abraçou os companheiros.

A entregada de Andres deixou o Flamengo desestabilizado. Com os dois times cansados, o jogo se transformou em um um duelo de poucas chances. Cenário favorável ao Palmeiras, que soube se defender com competência e sustentou a vantagem até o final para levantar a sua terceira taça da Libertadores e reforçar que se tornou um time cada vez mais "copeiro".

FICHA TÉCNICA:

PALMEIRAS 2 x 1 FLAMENGO

PALMEIRAS - Weverton; Mayke (Gabriel Menino), Gómez, Luan e Piquerez (Felipe Melo); Danilo (Patrick de Paula), Zé Rafael (Danilo Barbosa), Gustavo Scarpa, Raphael Veiga (Deyverson) e Dudu (Wesley); Rony. Técnico: Abel Ferreira.

FLAMENGO - Diego Alves; Isla (Matheuzinho), Rodrigo Caio, David Luiz e Filipe Luís (Renê); Willian Arão, Andreas Pereira (Pedro), Éverton Ribeiro (Michael) e Arrascaeta (Vitinho); Bruno Henrique (Kenedy) e Gabigol. Técnico: Renato Gaúcho.

GOLS - Raphael Veiga, aos 5 minutos do primeiro tempo. Gabigol, aos 27 minutos do segundo tempo. Deyverson, aos 5 minutos do primeiro tempo da prorrogação.

ÁRBITRO - Néstor Pitana (Argentina).

CARTÕES AMARELOS - Rodrigo Caio, Gustavo Gómez, Arrascaeta, Piquerez, Gabigol, Felipe Melo

PÚBLICO E RENDA - Não divulgados.

LOCAL - Estádio Centenário, em Montevidéu.

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