Palmeiras ganha do São Caetano: 2 a 0

O Palmeiras venceu o São Caetano por 2 a 0, hoje à noite, no Parque Antártica, mas o resultado não reflete o que foi a partida. O jogo foi marcado por erros de avaliação dos dois treinadores, Vanderlei Luxemburgo e Jair Picerni. Por duas vezes no jogo o técnico palmeirense foi chamado de burro mas - ao contrário de Picerni - conseguiu reverter a situação no segundo tempo. No primeiro tempo o Palmeiras escapou de um verdadeiro massacre. O desenho tático armado por Vanderlei Luxemburgo mostrou-se ineficiente.Se na teoria o técnico palmeirense imaginava que jogando com três volantes poderia fortalecer o ataque dando liberdade a Lopes, na prática a história foi bem diferente. Mesmo com três jogadores ofensivos na frente, o ataque pouco funcionou. Apesar do enorme esforço, Lopes, Muñoz e Juninho só conseguiram criar alguma expectativa de gol nos primeiros minutos. Empreendendo uma boa velocidade, davam a impressão de que a opção tática de Luxemburgo daria resultado. Mas em questão de minutos, a verdade foi restabelecida. Se Vanderlei Luxemburgo pretendia segurar a defesa adversária em seu campo com os três atacantes, nenhum deles marcou as saídas dos laterais do São Caetano. E foi por ali que o time de Jair Picerni criou situações até para golear o Palmeiras já no primeiro tempo. Com total liberdade para conduzir a bola da defesa ao ataque, Russo pela direita e Rubens Cardoso pela esquerda fizeram a diferença no jogo. Os dois, juntos, organizaram pelo menos seis jogadas de alto risco para a defesa palmeirense. E se o primeiro tempo não terminou com uma vantagem de 3 ou 4 a 0 favorável ao São Caetano, a torcida deve agradecer ao desajeitado atacante Somália. Sem nenhum exagero, só ele perdeu, no mínimo, quatro chances. Para complicar ainda mais a situação palmeirense, Anaílson e Adãozinho jogaram muito e o estreante Jeovânio não mostrou o que dele Luxemburgo esperava. A diferença técnica e tática entre os dois times foi tão grande nos primeiros 45 minutos que até a própria torcida palmeirense comemorou o final do primeiro tempo. Mas Vanderlei Luxemburgo não foi poupado pelos torcedores as numeradas, a chamada turma do amendoim. E deixou o campo sendo chamado de burro. No intervalo, pelo menos na teoria, Luxemburgo corrigiu o seu erro de avaliação. Com a troca de Jeovânio por Juliano e de Juninho por Christian, melhorou o quesito marcação. Aos 14 minutos, ´queimou´ a terceira alteração, trocando Muñoz por Itamar. Foi chamado de burro novamente, mas a verdade é que o colombiano não estava bem. Apesar da melhora na postura tática palmeirense, o São Caetano teve mais uma ótima chance aos 15 minutos, em outra descida de Russo pela direita. Só que, de novo, Somália errou, cabeceando livre por cima do travessão. Ter insistido com Somália também foi um erro de Jair Picerni que acabou custando caro para o time do ABC. Numa cobrança de falta da meia-lua, Arce ergueu a bola na marca de pênalti e Itamar apenas resvalou de cabeça, surpreendendo o goleiro Sílvio Luiz: 1 a 0. Com a vantagem, o Palmeiras ainda cometeu mais um erro, desta vez não por culpa de seu treinador. Convencido de que podia assegurar o resultado, o time recuou demais, deixando apenas Christian e Itamar abertos pelas meias, à espera de um contra-ataque que não saiu. Em compensação, a defesa passou por um verdadeiro sufoco nos 10 minutos finais. Por sorte do Palmeiras, Jair Picerni insistiu até o fim com o grandalhão Somália. Sem Anaílson e Marlon, substituídos por Vágner e Marcelo Bravin, o São Caetano virou um time comum. E acabou sendo castigado no final, em outra jogada de bola parada. Arce bateu forte da esquerda, Sílvio Luiz não segurou e Christian fez 2 a 0.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2002 | 23h00

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