Raúl Martínez/ EFE
No meio da briga, Felipe Melo dá um soco em Matias Mier, do Peñarol Raúl Martínez/ EFE

Palmeiras já espera batalha jurídica por briga campal em Montevidéu

Conmebol vai analisar súmula e vídeos da pancadaria no jogo com o Peñarol e deve anunciar punições em 30 dias. Clube usará argumento da ‘premeditação’

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 07h00

O confronto entre Peñarol e Palmeiras começou na quarta-feira, em Montevidéu, e só deve acabar daqui a um mês, nos tribunais. A unidade disciplinar da Conmebol vai analisar a súmula e os vídeos da partida para aplicar possíveis punições. Os dois clubes e os jogadores envolvidos na confusão no estádio Campeón del Siglo, após a vitória alviverde por 3 a 2, pela Copa Libertadores, correm riscos. A equipe paulista alega ser vítima de uma ação planejada.

A briga também se estendeu para as arquibancadas, onde torcedores das equipes entraram em conflito. Os uruguaios arremessaram bombas e pedras em direção aos palmeirenses e tentaram invadir a área reservada aos adversários. Segundo o jornal uruguaio El País, o tumulto terminou com 18 policiais feriados e 29 torcedores presos.

As confusões em campo e na arquibancada serão avaliadas pela Conmebol. A entidade deve instaurar um processo disciplinar, notificar os clubes e abrir um prazo para a apresentação da defesa. Após essa etapa, o Tribunal de Disciplina vai julgar o caso e aplicar possíveis punições. O prazo estimado para esse trâmite é de até um mês.

O Palmeiras ainda não foi notificado. O clube deve ir à Conmebol e argumentar que se defendeu de uma confusão descrita como premeditada. Jogadores e dirigentes alegam que funcionários do Peñarol fecharam o portão de acesso ao vestiário para realizar uma emboscada.

O código disciplinar da entidade não estabelece sanções específicas para cada tipo de transgressão de conduta. Segundo o texto, caso um jogador agrida um adversário, a suspensão varia de, no mínimo, três jogos a um período indeterminado. Essa punição é a que pode ser aplicada, por exemplo, a Felipe Melo – por ele ter dado dois socos em Matías Mier. A situação do brasileiro é atenuada porque ele não foi expulso pelo árbitro.

Os clubes também podem receber sanções. O código prevê 15 diferentes tipos de punições, desde brandas, como advertências, até mais duras, como jogar com portões fechados, eliminação do torneio e suspensão da participação em edições futuras. Outras penalizações são de natureza financeira, com multas que podem variar de R$ 300 a R$ 1,2 milhão.

O diretor de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, disse confiar no trabalho do novo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, e acredita que punições mais severas possam ser aplicadas ao Peñarol.

Uma das testemunhas do conflito, o médico do Palmeiras Gustavo Magliocca, contou que, na confusão, três jogadores foram agredidos. Willian teve um arranhão no rosto, Jean levou uma pancada nas costas dada por um jornalista uruguaio e o goleiro Fernando Prass sofreu golpe na cabeça.

“Tivemos sorte. Dentro de tudo o que aconteceu, nenhum atleta saiu machucado de fato. Houve escoriações apenas. Foi um clima hostil, com fotógrafos dentro do campo querendo nos acertar com os tripés das câmeras”, relatou o médico.

O time voltou ao Brasil na tarde de ontem e foi recebido pela torcida. Cerca de 200 palmeirenses foram ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e ficaram à espera dos jogadores. Quando o elenco começou a chegar ao saguão, houve grande aglomeração para tirar fotos e cumprimentar os atletas. Um dos mais festejados foi o volante Felipe Melo, principal personagem do conflito no Uruguai.

A equipe ganhou folga após a chegada ao Brasil e não treina hoje. O próximo compromisso do Palmeiras será na quarta que vem, pela Copa Libertadores. O adversário será o Jorge Wilstermann, em Cochabamba, na Bolívia. Um empate garante o Palmeiras nas oitavas de final.

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Fernando Prass: 'É preciso ter uma punição’

Leia o depoimento do goleiro do Palmeiras sobre a briga em Montevidéu

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 07h00

'Eu levei uns três socos, mais um chute no fim do jogo. Teve torcedor que agrediu o Egídio, repórter que bateu em jogador nosso. Acho errado falar que só teve confusão por causa das declarações do Felipe Melo. Já teve tanta confusão em Libertadores e ele não estava presente. Para mim, será uma vergonha se não tiver punição. Será um atestado de que voltamos à lei da selva, será um retrocesso no tempo. É preciso uma averiguação muito boa e isenta. Foi uma situação totalmente orquestrada pelos uruguaios, tanto é que trancaram o portão e impediram a entrada dos nossos seguranças.'

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Willian: ‘Foi tudo premeditado’

Leia o depoimento do atacante do Palmeiras sobre a confusão em Montevidéu

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 07h00

'Tomei uns dois socos na cabeça. O Palmeiras foi com o objetivo de fazer uma grande partida, sabíamos que poderíamos passar por isso em caso de vitória. Mas enquanto eles batiam, a gente respondia com futebol e gols.

Tenho 30 anos, mais de dez de carreira, e foi a primeira vez que vi algo tão violento. Tudo estava premeditado. Fecharam o portão de propósito. Queriam que a gente ficasse exposto dentro de campo. O time deles ficou nos provocando. Eles nos chamaram de “macacos” de novo. Ainda bem que a diretoria se planejou e levou mais seguranças.'

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