Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Palmeiras muda rota

Presidente Galiotte demite Mano Menezes e o diretor de futebol Alexandre Mattos

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 04h00

Somente o acerto com outro treinador às escondidas teria força necessária para que a diretoria do Palmeiras demitisse Mano Menezes após derrota em casa, como aconteceu neste domingo diante do Flamengo, por 3 a 1, no Allianz Parque. O técnico foi a aposta da mesma diretoria meses atrás quando ela demitiu Felipão. A decisão é tomada faltando duas rodadas para o fim da temporada. Não houve, portanto, nem paciência para esperar até lá – o que só demonstra que o Palmeiras está sem rumo, voltou à estaca zero e aos tempos da fila sem conquista. Tomara eu esteja errado.

Mano não esquentou sequer seu banco no estádio. Foi um trabalho relâmpago, que para muitos não deixará saudades. A notícia foi dada pelo Twitter da conselheira Leila Pereira, que também é dona da patrocinadora do clube.

A verdade é que Mano não deveria nem ter sido contratado. Seu estilo se assemelha ao de Felipão, que também não servia mais para a torcida e sua diretoria. Contratar Mano foi um erro. O Palmeiras andou para trás. O time fez algumas poucas partidas razoáveis e nada mais. Ontem, o que se viu foi um passeio do Flamengo sem qualquer resistência. O primeiro gol de Gabigol, e também o de Arrascaeta,  foi, talvez, o mais fácil da equipe carioca em toda sua caminhada neste ano.

Mas certamente não foi apenas isso que derrubou o treinador. A decisão tenta acalmar os ânimos da torcida e de parte dos conselheiros. Ocorre que Mano é produto de uma diretoria sem proposta e visão de qual caminho tomar. Pelo menos até agora. Semana passada foi informado que o Palmeiras apostaria nas bases, subindo uma penca de jogadores que se destacou no ano, como Veron. Ora, esse expediente já se provou equivocado em outros clubes, como o São Paulo. Promover jovens promessas ao mesmo tempo é o mesmo que jogar meninos aos leões. Não rola. Não dá certo. Não funciona.

O garoto deve compor o elenco. Entrar aos poucos e ganhar experiência até se “formar” no profissional.

No caso do Palmeiras, essa garotada foi apresentada pelo diretor Alexandre Mattos como solução de um ano terrível, no qual se desenharam quatro conquistas (Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores) e nenhuma aconteceu. Do jeito que foi feito, esses meninos bons de bola das categorias inferiores já carregam nas costas fardos pesadíssimos para o próximo ano.

Esse foi mais um erro do Palmeiras. O elenco é formado por bons jogadores que não deram certos como time. Alguns, é verdade, não deveriam nem estar no clube. Mattos e Galiotte erraram bastante nas contratações. Segundo o que eles falaram para conselheiros, todas elas tiveram o aval da comissão técnica de Felipão. Mano pegou o grupo pronto. Não teve ingerência.

Ocorre que o Flamengo, de Jorge Jesus, e o Santos, de Sampaoli, jogaram luz ao futebol brasileiro, de modo a subir o sarrafo e a pensá-lo diferente. O Palmeiras já teve uma Academia.

Demitir o treinador era o mais fácil a se fazer. Mano ou qualquer outro teria o mesmo caminho. A decisão de ontem foi política. Foi para acalmar ânimos. A torcida já não queria mais o técnico. Assim como se voltou contra o diretor Alexandre Mattos há tempos. A falta de convicção toma conta do clube neste momento. O trabalho de anos, que começou em 2015, se perdeu. Já estava perdido antes da surra tomada do Flamengo. Só o presidente Galiotte não enxergava isso. Daí a decisão também de demitir Mattos. Já não era sem tempo. Foram oito técnicos sob o seu comando, de Oswaldo de Oliveira a Mano, passando por Cuca, Eduardo Baptista, Valentim e Roger. O Palmeiras também comprou jogadores sem necessidade. Boa parte foi emprestada. Foi mais um erro de Alexandre Mattos. 

Sem técnico e sem diretor, o clube vai atrás de suas origens.

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