Palmeiras não depende só de Arce

O Palmeiras que enfrenta o Fluminense neste domingo às 16h em Teresina, decidindo uma vaga para a semifinal da Copa dos Campeões, mudou em relação ao primeiro semestre. Segundo as palavras do ex-lateral e agora volante Arce, a equipe não está mais dependendo exclusivamente de suas jogadas de bola parada e cobranças de falta. O paraguaio acredita que, com a colocação de jogadores como Diego, Fabiano Eler e Nenê, o time tornou-se homogêneo e muito mais compacto. "Aquela imagem de dependência em relação ao meu futebol fragilizava a equipe. Mas não adianta a gente se empolgar antes da hora. Estamos apenas começando".O treinador Vanderlei Luxemburgo abriu um sorriso quando informado das palavras de Arce. Mas preferiu ressaltar o fato de o Fluminense não ter sofrido gols na competição. "Avisei meus jogadores que vamos enfrentar um time entrosado, que joga em cima do conjunto. O Robertinho armou um esquema que prioriza a marcação. Mesmo reconhecendo que o Palmeiras está bem, não tenho como esconder que o adversário tem virtudes".A grande atração do clássico será o goleiro Marcos. Depois de 21 dias, volta ao gol, ainda que se ressentindo de dores no pé direito. "Não aguentava mais ficar parado. Mas quando chegar em São Paulo talvez pare alguns dias para me recuperar. Só terei problemas para bater tiros de meta, como na Copa do Mundo, mas estou em campo para defender, não para chutar".O meia Lopes, assim como Luxemburgo, enfatizou a postura defensiva do adversário. "Se está invicto e ainda não sofreu gols na competição, tem seus méritos". Lopes afirmou que os treinamentos da semana, em que Luxemburgo priorizou a marcação sob pressão, aumentaram o poder de fogo do Palmeiras. "Vamos marcar muito forte no meio sem esquecer do ataque. Estou bem entrosado com o Nenê na armação das jogadas, ele sai sempre pela esquerda e eu pela direita. Se mantivermos o ritmo da semana, certamente marcaremos gols".Tempo quente - Mesmo preocupado com o calor excessivo de Teresina, Luxemburgo avisou que vai colocar o time no ataque desde o início. "Teremos apenas 90 minutos para defender a nossa sorte na Copa dos Campeões (caso a partida termine empatada, o classificado para a semifinal será conhecido na disputa de penalidades máximas). Não posso pensar em administrar esta partida. Claro que vamos marcar o Fluminense, mas jamais vou abrir mão de um esquema ofensivo".As palavras do treinador conflitam com a de alguns jogadores. O atacante Nenê, por exemplo, sugere que ainda que o grupo esteja acostumado com a temperatura de quase 40 graus da cidade, o ideal seria cadenciar a partida no início. "Ainda não jogamos nenhuma vez no horário das 16h aqui em Teresina. O time terá que tocar muito a bola e evitar conduzi-la para não se desgastar".Nenê, que completou 21 anos na sexta-feira, parece ter entendido o espírito da Copa dos Campeões. "É muito mais fácil garantir uma vaga para a Libertadores ganhando essa competição, em que temos apenas quatro jogos pela frente, do que disputar 30 jogos do Campeonato Brasileiro para chegar ao mesmo objetivo".A crise financeira do Fluminense, cujos jogadores chegaram até a fazer greve devido ao não pagamento dos salários, foi encarada até com ironia por Luxemburgo. "No Rio de Janeiro os jogadores estão acostumados a receber com atraso. Mas isso não pode ser levado em consideração quando se trata de um profissional, que não pode condicionar a sua motivação apenas ao dinheiro".Fabiano Eler foi confirmado no meio-campo. Elogiado pela qualidade do passe pelo treinador, foi humilde ao fazer uma análise de suas últimas partidas. "Talvez eu precise colocar mais velocidade no meu jogo, tanto quando ataco quando para defender".

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