Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ciro Campos, Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

21 Março 2015 | 17h00

Sinônimo de desordem financeira e caos, o Palmeiras mudou drasticamente sua visão perante o mercado e a torcida. O time hoje virou exemplo e, embora ainda precise de alguns importantes ajustes, já projeta um bom futuro e caminha para ser exemplo aos rivais, que adotam caminhos contrários.

A previsão orçamentária é um grande indício de prosperidade alviverde. Um cenário equilibrado, sem exageros para cima ou para baixo, indica que o clube deve arrecadar algo em torno de R$ 239 milhões na temporada, tendo quatro fontes de renda como alicerces para esses números: patrocínio na camisa, Avanti, cota de TV e bilheteria dos jogos.

Só a camisa alviverde renderá R$ 50 milhões e é a mais valiosa do Brasil. Até mesmo Flamengo e Corinthians, que têm maiores torcidas, ficam para trás. “As empresas que vêm ligar o nome ao Palmeiras fazem pela força da instituição e da torcida. Isso é graças à gestão que implementamos nos últimos dois anos. Foram anos difíceis, mas o Palmeiras nunca deixou de ser Palmeiras”, bradou o presidente Paulo Nobre.

Vale lembrar que, até o ano passado, a valiosa camisa alviverde rendia míseros R$ 3 milhões aos cofres, vindos à TIM, que estampa sua marca dentro dos números. Neste ano chegaram a Crefisa, a FAM e a Prevent Senior para colocar os valores em um patamar completamente diferente.

Outra fonte de renda importante, a cota de TV, está inteira nas mãos de Nobre. Nos últimos anos, ele teve apenas uma porcentagem dessa receita, já que gestões anteriores anteciparam valores e, em 2015, os R$ 76,3 milhões pagos pela Globo entrarão no cofre alviverde. O Avanti também tem importância neste crescimento econômico. O clube pretende arrecadar cerca de R$ 22 milhões com o programa de sócio-torcedor.

Um valor menor, mas que também não pode ser ignorado é o da Adidas. A empresa fornecedora de material esportivo desembolsa R$ 10 milhões e pode se tornar ainda maior a qualquer momento. O contrato entre as partes se encerrou no fim do ano passado. Clube e empresa fizeram um acordo para prorrogar o vínculo por mais uma temporada com valores abaixo do mercado, mas com maior tempo para discutirem valores interessantes para os dois lados.

Uma nova fonte de renda que pode ajudar substancialmente é a bilheteria do Allianz Parque. O clube pode arrecadar cerca de R$ 31 milhões com ingressos. A torcida tem apoiado bastante e comparecido em bom número ao estádio – média de 25 mil pagantes por jogo.

CORTAR GASTOS

Mas nem tudo é azul pelos lados da Academia de Futebol. Se as rendas crescem bastante, os gastos também. A folha salarial é um pouco maior do que a do ano passado e dívidas antigas ainda atrapalham o presidente palmeirense. A tendência é que o Palmeiras consiga fechar o ano no azul, mas os valores poderiam ser muito mais elevados se houvesse maior atenção e corte nas despesas.

"O Palmeiras está fazendo a lição de casa e revertendo a sua situação. Estão melhorando a receita de bilheteria, por exemplo, mas precisa cortar despesas. Fez muito investimento no novo time e agora precisa reduzir custos", analisou César Grafietti, coordenador do estudo feito pela Itaú BBA que mostra o quanto os clubes devem arrecadar nesta temporada.

Segundo o estudo, embora o Palmeiras seja apenas o quarto em arrecadação, deve ter uma saúde financeira melhor do que os rivais Corinthians e São Paulo, que os próprios dirigentes admitem dificuldades.

Um dos motivos da melhora nos cofres alviverdes se dá pelo fato de o presidente Paulo Nobre ter emprestado no ano passado R$ 151 milhões ao clube para cobrir os rombos e conseguir pagar os salários em dia.

O Conselho Fiscal do clube aprovou o pagamento de R$ 105 milhões deste valor – o restante será decidido no futuro – e Nobre vai, a partir de maio, receber 10% da receita pelos próximos 15 anos.

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São Paulo tenta cortar gastos, mas atrasa salários e prevê déficit

Time tenta alavancar despesas e superar bilheteria ruim em jogos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 17h00

Os tempos de soberania financeira do São Paulo ficaram para trás. O ano marca um período de austeridade no clube, com corte de gastos, dificuldade para achar patrocínio master, problemas de bilheteria e econômicos que levaram os jogadores a ter atraso no recebimento dos direitos de imagem.

"Estamos vivendo um ano bastante difícil, como foi 2014. Perdemos patrocínio e nosso departamento de marketing faz trabalho intensivo para que possamos nos recuperar", disse o vice-presidente de administração e finanças do clube, Osvaldo Vieira de Abreu.

Desde a Copa do Mundo a equipe está sem patrocinador master. O Estado apurou que recentemente a diretoria chegou a procurar a Caixa para discutir um contrato, mas o banco rejeitou, pois preferiu focar em Minas Gerais, onde Atlético-MG e Cruzeiro deixaram de ser patrocinados pelo Banco BMG.

A previsão orçamentária do clube para 2015 prevê ainda um déficit de R$ 53 milhões. Para amenizar o impacto, a diretoria pretende reduzir os custos em até 20% e, de olho nessa meta, já diminuiu o número de atletas nas categorias de base.

Ao contrário dos rivais Palmeiras e Corinthians, o São Paulo não conta com uma arena nova e tem sofrido com a presença do público. A média tem sido de 13,9 mil torcedores por jogo e até agora o faturamento bruto com bilheterias é de R$ 4,7 milhões – pouco mais de um terço do que os R$12,2 milhões que cada um dos rivais obteve.

Dos quatro grandes do futebol paulista, o São Paulo é o que tem o menor número de sócios-torcedores. São cerca de 45 mil participantes em dia e a meta é chegar a pelo menos aos 80 mil até o fim do ano. O faturamento anual com o programa ainda é discreto para os cofres do clube: R$ 8,5 milhões. 

Todo esse cenário já obrigou o São Paulo a ter metas mais discretas para 2015. Desde setembro do ano passado o clube contratou uma empresa para fazer uma reestruturação do modelo de gestão.

Para elaborar o orçamento deste ano o clube traçou um cenário pessimista para se precaver e fez as contas com base em uma possível eliminação nas oitavas de final de Libertadores e com poucas negociações de atletas. "Ainda precisamos melhorar bastante e achar patrocinadores para a camisa. Então, vamos começar a respirar com tranquilidade", comentou Abreu.

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