Clayton de Souza/Estadão
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PALMEIRAS PODE CONTAR COM A BASE PARA SAIR DA CRISE

Destaques da base do clube e que já fazem parte do time principal podem ajudar o time alviverde a dar a volta por cima e se afastar de vez da crise

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h31

Com dificuldades financeiras e em crise, o Palmeiras pode olhar com mais atenção para as categorias de base, onde alguns talentos começam a se destacar. O técnico Ricardo Gareca tem um histórico de se dar bem trabalhando com jovens e um quinteto já chama a atenção do treinador.

O mais jovem e sobre quem se tem a maior expectativa é o atacante Gabriel Fernando. O garoto de apenas 17 anos é tratado no clube como uma das maiores revelações dos últimos anos e os números explicam o motivo de tanta empolgação.

Ele fez 24 gols em dez jogos no Campeonato Paulista Sub-17 e por isso é tratado com um carinho especial. Com contrato até o fim do ano que vem, ele negocia a renovação e deve ficar no clube por mais quatro anos pelo menos.

Além da habilidade para jogar, Gabriel Fernando mostra ter uma boa cabeça. "É bom saber que esperam muito de mim, mas peço calma, porque ainda sou garoto. Com garra e determinação, sei que vou chegar lá", disse o jovem atacante.

Outro garoto que parece próximo de ter mais oportunidades é o zagueiro Gabriel Dias. Ele tem 20 anos,1,83m, e foi levado ao Palmeiras pelo volante Martinez, que defendeu o clube entre 2007 e 2008. O jovem perdeu o pai assassinado em uma chacina quando tinha oito meses e foi criado pela mãe e pelo padrasto.

Com um estilo de força, ele começou como atacante. "No Bandeirante (de Birigui) eu fazia muitos gols, mas a gente vai ficando velho e vai piorando aí virei volante e lateral e agora zagueiro", brincou – seu contrato vai até o fim de 2016.

Atleta mais experiente entre os mais jovens, Érik também já começa a ganhar espaço. O atacante apareceu em 2013, quando disputou o Campeonato Paulista pelo Guarani, e despertou o interesse do Palmeiras. Recentemente ele chamou atenção em um treino ao dar um drible por baixo das pernas do zagueiro Lúcio. O garoto de 20 anos, como tantos casos, teve dificuldades para chegar ao Palmeiras.

"Minha mãe não tinha dinheiro para eu ir fazer testes e, por isso, pensei em desistir e ir trabalhar, mas ela não deixou eu abandonar o meu sonho", conta. Com contrato só até o fim do ano, o Palmeiras já negocia para renovar seu vínculo.

No meio, Eduardo Júnior é a aposta. Na base, ele era conhecido como Juninho. O jovem de 18 anos tem contrato até agosto de 2015 e chegou do União Barbarense ainda na base.

DISPENSADO DO RIVAL 

Na lateral-direita, Léo Cunha espera por uma oportunidade. O garoto de 19 anos jogou dos oito aos 11 anos no Corinthians, onde foi dispensado após quebrar o braço. Ele jogou por cinco meses no Atlético de Madrid, um time paulista criado pelo ex-presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, que foi quem o levou para o Palmeiras.

"Ter sido dispensado por um time grande foi muito triste e chorei bastante. Mas graças a Deus dei a volta por cima e estou jogando no meu time de coração", contou o lateral, que tem vínculo com o clube até dezembro de 2017.

É uma safra que tenta acabar com a fama de que o Palmeiras não consegue revelar grandes talentos. Com o time em baixa, pode ser uma boa solução para resolver os problemas.

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Gabriel Fernando mostra personalidade e vira a maior joia da base

Atacante de apenas 17 anos tem números que chamam a atenção e é tratado como uma das maiores promessas dos últimos anos

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h30

Quando se fala sobre as categorias de base do Palmeiras, o primeiro jogador falado atualmente é Gabriel Fernando. O garoto de apenas 17 anos é tratado no clube como uma das maiores promessas do clube nos últimos anos. Além da facilidade para marcar gols e driblar, o jovem atacante também mostra uma personalidade fora do comum para atletas de sua idade.

Gabriel Fernando claramente entende a responsabilidade que está em suas costas, mas não parece se preocupar com isso. Pelo contrário. Ao invés da tradicional “marra” dos garotos de sua idade, ele demonstra uma personalidade e pés no chão que chama tanto atenção quando seu futebol. "Tenho um longo caminho a seguir ainda. Com o tempo, vou pegando "as manhas". Fico feliz em saber da expectativa em cima de mim, mas peço calma, porque ainda sou garoto, mas com garra e determinação, eu sei que vou chegar lá", disse o jovem, que já ficou no banco de reservas em uma partida, contra o Atlético-MG, na quarta-feira passada, pela Copa do Brasil.

A estreia no time principal, embora não tenha participado da partida, já foi parte da realização do sonho do atacante. "Passou milhares de coisa na minha cabeça durante o jogo, mas tive calma. Sempre fui assim. Mas é normal sentir aquele frio na barriga. Quem falar que não sente, está mentindo. Mas com o tempo eu me acostumo."

Na base, ele tem números impressionantes. No Campeonato Paulista Sub-17, ele fez 24 gols em dez jogos e nesta temporada ele já balançou as redes 35 vezes. Tanta badalação já preocupa a diretoria do Palmeiras, que tenta evitar muita exposição do garoto e já corre para renovar seu contrato, que vence no fim do ano que vem. Ao falar do assunto, mais uma vez ele mostra maturidade. "Desculpa, mas prefiro não falar do assunto. Isso está sendo tratado entre meus empresários e o Palmeiras e o que posso falar é que amo muito o Palmeiras e quero fazer história aqui."

Gabriel Fernando nasceu no bairro do Limão, Zona Norte de São Paulo e tem mais três irmãos, todos orgulhosos com o crescimento do garoto. Do time profissional, também não falta apoio. "Fui muito bem recebido aqui. O Mazinho, Diogo, Henrique e Lúcio são os que mais conversam comigo. Ainda não fizeram trote comigo, mas sei que, em breve, vão querer brincar comigo, mas faz parte", disse, soltando um riso envergonhado por dar entrevista. 

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Ex-atacante, Gabriel Dias vira um xerifão na base do Palmeiras

Zagueiro foi levado ao clube pelo volante Martinez

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h30

No Palmeiras desde 2008, Gabriel Dias ganha mais espaço a cada dia e chegou ao time principal com a experiência de ter conquistado diversos títulos na base do clube e ser um líder nato. Tendo a raça como ponto forte, o garoto de 1,83 metros de altura e 20 anos, é mais um daqueles casos de jovens que precisaram superar muitas barreiras para conseguir realizar o sonho de estar em um time grande.

Gabriel foi descoberto pelo volante Martinez, que defendeu o Palmeiras entre 2007 e 2008. O zagueiro defendia o Bandeirantes, de Birigui, quando Martinez o viu em ação e o convidou para fazer testes no Palmeiras. Desde então, sua vida mudou. Na base, ele começou como atacante. “Eu jogava lá frente e era artilheiro, viu? Mas sabe como é, você vai ficando velho, piorando e vai recuando. Já joguei de volante também”, conta, mostrando bom humor e um sotaque interiorano que muitas vezes lembra até o ex-goleiro Marcos falando.

Embora tenha nascido em Francisco Morato, cidade que fica na região metropolitana de São Paulo, Gabriel passou boa parte da infância na cidade de Lourdes, no interior de São Paulo. Lá, embora tenha feito apenas dois jogos pelo time principal, já virou referência. “Todo mundo torce por mim, lá. Virei meio que o orgulho da cidade. Fico feliz e emocionado sempre que vou para lá”, conta o defensor, que foi criado pela mãe (Marli) e pelo padrasto (Laércio).

Seu pai foi assassinado em uma chacina em Francisco Morato, quando Gabriel tinha apenas oito meses de idade. Na infância, viu sua mãe e padrasto sofrerem para conseguir levar comida para casa. A mãe colhia tomate e o padrasto algodão. “Muitas vezes, meu irmão (Ariel Felipe, que tem 23 anos) e eu, saíamos escondidos de casa, pegávamos as nossas bicicletinhas e íamos até a lavoura onde eles estavam trabalhando para ajudá-los. Chegando lá, minha mãe ficava brava, porque ela não queria que a gente trabalhasse. Até apanhei algumas vezes por causa disso, mas mesmo assim, eu ajudava. Já estava lá mesmo, então ela não tinha como mandar eu voltar para casa”, relata. “Muitas vezes eu via eles chorando, porque não tinham como dar as coisas para gente e isso doía muito”, completa.

Além de Ariel, que não quis saber do mundo do futebol, Gabriel tem outro irmão que pode repetir sua trajetória. Breno tem 14 anos e passa por testes no Palmeiras. Gabriel tem contrato com o Palmeiras até o fim de 2016, por isso, pretende ainda ajudar muito o clube. “Estou pronto para jogar. Sei que tenho muito para melhorar, mas com a experiência a gente vai crescendo”, avisou.

Entre os jogadores, ele já está entrosado, pelo menos fora de campo, e já sofre com as brincadeiras. “Sempre sobra para os mais novos. Inventaram um apelido de Zé da Égua para mim, acredita? Foi o Diogo que começou com isso, falando que eu pareço um amigo dele que chamam assim. O Wesley, Marcelo Oliveira e Lúcio também brincam bastante comigo, mas acho isso legal, porque te deixa mais à vontade”, explicou.  Mas dentre todos, ele tem o seu preferido. “O Marcelo Oliveira é o mais amigo. Ele tem um coração muito bom. Dentro e fora de campo, ele é um cara excepcional”.  

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Dispensado do rival, Léo Cunha realiza sonho de infância

Após quebrar o braço, lateral foi liberado pelo Corinthians e parou no Palmeiras através do time de ex-presidente da Mancha Verde

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h30

Desde o ano passado, o Palmeiras procura por um lateral-direito tanto que Wendel, volante, é quem tem atuado improvisado e Weldinho, o reserva, não tem agradado. Mas talvez, a solução para o problema da equipe esteja dentro de casa. Léo Cunha, de 19 anos, apareceu bem na base do clube, faz parte do time principal e já teve que superar uma decepção profissional para conseguir realizar o sonho de infância, que é defender o Palmeiras.

Nascido no bairro de Artur Alvim, Zona Leste de São Paulo, Léo iniciou a carreira na base do Corinthians, onde jogou dos oito aos 11 anos de idade. Tudo ia bem, até ele quebrar o braço. “Perdemos um campeonato e eu quebrei um braço, por isso tive que faltar em alguns treinos. Quando voltei, fui comunicado que estava dispensado”, lembra o lateral, que sofreu muito com a notícia. “Eu era uma criança e estava realizando o sonho de defender um clube grande. Ao saber que estava sendo dispensado, sofri muito e chorei, mas meus pais colocaram na minha cabeça que eu não podia desistir”, lembra.  

Sem clube, ele foi parar no Atlético de Madrid, que apesar do nome, nada tem a ver com o homônimo espanhol. O Atlético era um time formado por Paulo Serdan, ex-presidente da Mancha Verde. “Joguei uns cinco meses lá, fui bem e acabei vindo para o Palmeiras”, conta.

E a decepção deu lugar à euforia. Filho de pais palmeirenses, o garoto herdou o amor ao time alviverde e realizou o grande sonho de sua vida. “Meus pais sempre falavam que um dia eu jogaria no Palmeiras e eles acertaram. Voltar para um time grande, que eu torço e ainda fazer parte do time profissional era o meu sonho. Agora é trabalhar forte para, quando chegar a minha oportunidade, eu estar preparado”, analisou.

Além da lateral, ele também pode jogar como ala na direita. “Estou vivendo uma experiência única. Milhares de pessoas sonham vestir essa camisa e eu tenho a oportunidade, por isso, quero aprender muito com meus companheiros e se um dia sair, quero que seja de forma vitoriosa”, completou.  

Assim como os outros garotos, ele também faz questão de destacar que o fato do ambiente entre os atletas ser bom, facilita sua adaptação ao time profissional. “Trabalhar ao lado dos amigos é mais fácil”, resume o lateral, que tem vínculo até dezembro de 2017.

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Érik é a revelação ‘experiente’ do ataque do Palmeiras

Atacante já disputou a Série A-1 do Campeonato Paulista pelo Guarani, onde despertou interesse do alviverde paulista

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h30

Jogadores das categorias de base sonham chegar ao time principal e é assim em qualquer equipe do mundo. O atacante Érik já chegou ao time principal, disputou Campeonato Paulista como titular e justamente por isso, ele acabou chamando atenção do Palmeiras e chegou ao clube para jogar na base. As indas e vindas do jovem de 20 anos faz com que ele apareça como um dos mais experientes, dentre os novos talentos da equipe.

Érik disputou o Paulista do ano passado pelo Guarani e fez parte da equipe que foi derrotada por 4 a 1 pelo Palmeiras. Embora não tenha feito gol, o garoto despertou a atenção dos dirigentes palmeirenses, que trataram de levar para o clube. Depois de jogar a Copa São Paulo neste ano, ele foi promovido ao time principal e vem ganhando espaço com o técnico Ricardo Gareca, que o colocou em campo logo em sua primeira partida como técnico da equipe, na derrota para o Santos.

"Não esperava ter uma oportunidade em tão pouco tempo. Sabia que ele lançava garotos no Vélez, mas não imaginava que seria utilizado tão rápido", confessa o garoto, que não se intimidou por estrear em um clássico. “Eu já tinha jogado contra o Santos pelo Guarani. Então não foi tão complicado”, explica.

Natural de Piracicaba, o garoto foi criado pela mãe e seus pais se separam quando ele tinha apenas um ano. Ele ainda mantém contato com o pai, mas sem grande aproximação. Sua grande inspiração é a mãe. “Passamos dificuldades juntos. Muitas vezes ela não tinha dinheiro para eu ir fazer avaliações e eu dizia para ela, que iria desistir da carreira para estudar, trabalhar e ajudar em casa, mas ela nunca deixou”, lembra, sem saudades do passado.  

"Ela falou que era para eu batalhar em busca do meu sonho. Meu tio emprestava o dinheiro e eu ia fazer os testes. Mas já paguei ele tudo que a gente estava devendo”, brinca. “Por tudo que vivemos juntos, tudo que faço é pela minha mãe, que é minha mãe e meu pai, praticamente", completa.

De todos os garotos, Érik é quem tem o futuro mais incerto no clube. Seu contrato se encerra no fim deste ano e as negociações já estão em andamento, mas ainda não foram fechadas. “Claro que eu quero ficar e fazer minha história no clube”, avisa.  

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Eduardo Júnior faz irmã virar a ‘casaca’ e torcer pelo Palmeiras

Meia apareceu no União Barbarense, mas ainda na base mudou de clube e conta com o apoio da família para brilhar no time alviverde

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 06h30

Eduardo Júnior fez toda sua carreira como Juninho, mas ao ser promovido para o time principal do Palmeiras, teve que mudar de nome já que o lateral-esquerdo chegou primeiro. Apesar do “novo nome”, a vontade em fazer sucesso é a mesma e sobra até para a família, que passou a torcer para onde o garoto está jogando.

“Minha família é meio misturada em relação a torcida. Tenho uma irmã que é corintiana, mas ela está aprendendo a torcer para o Palmeiras. Quando tem Corinthians e Palmeiras, ela só torce para o Palmeiras”, garante o meia, que chegou do União Barbarense.

O meia estreou no time principal contra o Santos, em jogo que marcou a estreia do técnico Ricardo Gareca. Ao contrário do habitual, ele garante que não ficou tão ansioso. "Eu entrei bem mais tranquilo, porque para mim era o primeiro jogo como profissional. Não puxamos tanto a responsabilidade, já que somos jovens e estamos entrando no time agora, mas é claro que vestimos a camisa e corremos juntos para tentar ajudar", explicou.

Quando atuava em Santa Bárbara D'Oeste, Juninho, como ainda é chamado pelos companheiros, passou por dificuldades para conseguir realizar seu sonho. "Muitas vezes eu não tinha dinheiro para voltar para casa, então ficava uns dois ou três meses sem ver a minha família", lembra.

E entre esses jogos pelo União Barbarense, muitas vezes Eduardo teve como adversário um de seus melhores amigos do elenco. O atacante Érik o enfrentou diversas vezes em diferentes equipes de Piracicaba. “Ele era o meu freguês. Cansamos de bater no time dele”, brinca o atacante. Eduardo não deixa por menos. "Nós goleamos o time dele em um amistoso. Isso ele não fala. Foi 4 a 1", lembra o garoto, fazendo os dois caírem na gargalhada.

Eduardo Júnior ainda entrega o amigo. "Ele se achava o Drogba, tinha trança e tudo. Era uma marra só", brinca. 

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