Palmeiras: promessa de 3 reforços

Centralizador, Mustafá Contursi por 12 anos foi ao mesmo tempo presidente e, extra-oficialmente, diretor de futebol. Ele tolhia os dirigentes que nomeava e não lhes dava liberdade para trabalhar. Com a entrada de Affonso Della Monica, a expectativa no Palmeiras era sobre quem comandaria o futebol.O novo presidente não teve dúvidas: apostou em Salvador Hugo Palaia. Depois de 20 anos, ele recuperava o cargo que abandonou em 1985, depois de uma briga com o então poderoso Márcio Papa.Palaia é conhecido no clube por misturar a firmeza de quem foi por vários anos diretor financeiro com o sonho de torcedor. Aos 71 anos, comandando duas imobiliárias e um enorme estacionamento, o dirigente diz que está pronto para enfrentar a pressão e até as ovadas da fanática torcida palmeirense."No mundo atual as pessoas perderam o respeito e apelam para a violência com facilidade. Mas não tenho medo. Idade é sinal de experiência, conhecimento. Vou montar times fortes no Palmeiras. E com autonomia. Sem autonomia, não teria aceito o cargo", jurou ontem, no edifício Palaia, em sua primeira entrevista como diretor de futebol do Palmeiras.Ele não brincava quando falou em autonomia. Seu primeiro ato no cargo foi ter vetado a volta de Edmundo. "Ele perdeu várias oportunidades na vida. Agora não tem nada mais a acrescentar ao Palmeiras. Mas vamos buscar três reforços com nível de Seleção Brasileira." Se algum diretor de futebol falasse de modo tão escancarado, seria demitido no ato caso Mustafá fosse o presidente.Agência Estado - O senhor foi diretor de futebol entre 1983 e 1985. O Palmeiras não ganhou títulos neste período. Por que o senhor quis retornar 20 anos depois?Salvador Hugo Palaia - Não ganhamos porque na época o Corinthians tinha um grande time e o Sócrates. O Santos também, assim como o São Paulo. Chegamos bem perto e não ganhamos títulos por pouco. Mas estava fazendo um bom trabalho até me indispor com o Márcio Papa, que era assessor do presidente Pascoal Giuliano. Decidi voltar ao cargo porque fui convidado e sei que posso ajudar o futebol do Palmeiras.AE - O futebol mudou muito?Palaia - Ah, mudou. Não existe mais essa história de amor à camisa. Antes eu fechava o negócio com o jogador. Se não desse, com o pai. Ou com o tio. Hoje eu tenho de falar com o procurador do jogador, que faz leilão entre os clubes. Mas estou acostumado a negociar.AE - O Palmeiras continuará na política pé no chão? Que na verdade significa time barato e limitado...Palaia - Nós vamos investir na categoria de base, uma política parecida com a adotada pelo Santos. O Palmeiras trará três jogadores fortes, que chegarão para vestir a camisa de titular. Experientes, mas com nível de seleção brasileira. Eu era o diretor financeiro do Mustafá e sei que o clube tem R$ 20 milhões em caixa. Podemos gastar um pouco para buscar esses atletas. O time será melhorado para a segunda fase da Libertadores.AE - O Corinthians com a MSI não será imbatível? Não dá vontade de ter uma parceria igual? Desde que a Parmalat saiu o Palmeiras não ganha nada...Palaia - Eles terão a obrigação de ser imbatíveis. Mas no futebol as coisas não são tão simples. O Palmeiras não quis uma parceria igual. Eu era diretor financeiro e soube de pelo menos quatro multinacionais que queriam parceria. Só que o Palmeiras só aceita se ficar com 55% do futebol. Decidimos trabalhar sem dinheiro estrangeiro, mas com independência. Se não ganhamos desde que a Parmalat saiu, não faz mal. Vamos ganhar.AE - O senhor também é considerado uma pessoa de pulso, que não admite indisciplina.Palaia - É verdade. Eu penso muito, mas se tiver de mandar um jogador embora para não prejudicar o grupo, mando. Sou exigente. Em primeiro lugar o Palmeiras. Quero responsabilidade.AE - O Pedrinho continuará no Palmeiras? E o Edmundo?Palaia - O Pedrinho me interessa. O contrato termina em junho e penso em renovar. O Edmundo, não.AE - A idade não atrapalhará o seu trabalho?Palaia - Tenho 71 anos, estou muito bem de saúde e sei o que quero da vida. Tem muita gente de 40 e 50 que está perdida. Idade quer dizer experiência, conhecimento. Não deixo nada a dever a um jovem.

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