Palmeiras quer 'elitizar' a torcida presente no Palestra Itália

Diretoria quer aproveitar boa fase do clube para selecionar o público no estádio alviverde e arrecadar fundos

Juliano Costa, Jornal da Tarde

13 de maio de 2008 | 20h51

Para aproveitar o embalo do título paulista e "elitizar" o Palestra Itália, a diretoria do Palmeiras vai vender ingressos de arquibancada durante o Brasileirão a R$ 40.Veja também: Palmeiras x Inter: venda de ingressos começa nesta quintaO valor é o mesmo cobrado na reta final do Paulistão, 33% acima do que custava o mesmo ingresso durante a primeira fase do estadual e o dobro do que era cobrado em maio do ano passado.O aumento vale já para o jogo de domingo, contra o Inter. "Será um teste", diz o vice-presidente do clube, Ebem Gualtieri. "A fase do time é boa e agora teremos só duas partidas por mês no nosso estádio. Além disso, é uma forma de selecionar mais o público. Se houver protestos, a gente volta ao valor que era antes."A intenção da diretoria é levar ao Palestra um público diferente daquele que entrou em conflito com a Polícia Militar, na luta por um ingresso para a final do Paulistão contra a Ponte Preta. O princípio é o mesmo dos clubes ingleses, que modernizaram seus estádios com ingressos mais caros, barrando os torcedores de classe baixa e elitizando o esporte. É por isso que houve reajuste também nos valores de numeradas cobertas e descobertas, que custam agora R$ 100 e R$ 80 respectivamente. Na primeira fase do Paulistão, saíam por R$ 60 e R$ 50. "Já tivemos um aumento de receita com bilheteria de jogos. Arrecadamos no Paulista deste ano três vezes mais do que recebemos no campeonato do ano passado", diz Gualtieri, sem entrar em detalhes sobre os valores.O fato é que nenhum outro estádio brasileiro tem arquibancada tão cara quanto o Palestra. Grêmio, Atlético-PR e São Paulo vendem ingressos a R$ 30, mas oferecem assentos de plástico ao torcedor. No estádio alviverde, quem paga R$ 40 senta no cimento.O preço das numeradas descobertas (R$ 80) do Parque também é bem maior que os R$ 50 cobrados por Santos e Corinthians para locais semelhantes (sujeitos à chuva e sol forte) na Vila Belmiro e no Pacaembu, respectivamente.A diretoria sonha com o dia que todos os jogos do Verdão em seu estádio renderão mais de R$ 1 milhão em bilheteria, como ocorreu nas partidas decisivas contra São Paulo e Ponte Preta no Paulistão."Nosso problema hoje é a meia-entrada", diz Gualtieri. "O normal era ter entre 17% e 20% dos assentos destinados à meia-entrada, mas esse número tem chegado a 35%, o que compromete a arrecadação", emenda o dirigente, lembrando que o preço da arquibancada, por lei, cai de R$ 40 para R$ 20 a estudantes e aposentados.Gualtieri culpa também os "bicões", como a cúpula da Polícia Militar que, segundo ele, pediu 80 ingressos para a final do Paulistão. "Mas, na hora H, apareceram 200 policiais e familiares! E aí o que eu fiz? Tive de liberar a entrada de todos..."SERVIÇOOs ingressos para o jogo contra o Inter começam a ser vendidos nesta quinta, das 11h às 17h, nas bilheterias do Palestra, Pacaembu, Canindé, Ginásios do Ibirapuera e de Barueri. Serão colocados à venda 27.685 mil bilhetes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.