Palmeiras quer frustrar festa do Boca

A primeira partida das semifinais da Libertadores da América que já era difícil para o Palmeiras se tornou terrível. O equipe do Boca Juniors, quer fazer da vitória, às 21h40, na Bombonera, o início de uma festa cívica nacional. A poderosa Central Geral de Trabalho marcou para a meia-noite desta quinta-feira uma greve de 24 horas de protesto contra a política econômica do presidente Fernando de la Rúa. Amanhã não funcionarão o transporte público e o comércio. Uma vitória do Boca, o time mais popular argentino, passou a ter um significado político, de afirmação nacional. "Nós vamos ter de usar a inteligência para sair daqui com um bom resultado. A pressão do Boca será imensa. Não poderemos nos intimidar. Vamos marcar forte, mas se engana quem apostar que ficaremos só esperando dentro da nossa área, rezando por um empate", avisa o técnico Celso Roth, sonhando com uma vitória nos contragolpes. Ele preparou o Palmeiras para atuar com três volantes: Galeano, Magrão e Fernando ficarão na intermediária para não permitir que o meio de campo argentino domine o jogo. "Nós não podemos deixá-los gostar da partida, tocar bola à vontade. No ano passado, nós empatamos em 2 a 2 na Bombonera jogando com muita coragem. Temos de repetir a pegada. Estou otimista", resume Galeano. Ele, por sinal, terá uma missão especial, acompanhar de perto Riquelme, o armador dos principais ataques do Boca. Fernando jura que o time estará preparado para suportar a pressão da torcida e as provocações dos argentinos. "Eu sei que infelizmente faz parte da tradição dos argentinos serem desleais. Eu já recebi várias cusparadas na cara, fui chamado de ?macaco? por ser negro. Mas tenho de jogar futebol e me controlar. Quanto à torcida, é como se eu fosse para o zoológico: o leão é bravo, mas está preso. Gritos e palavrões não vão nos perturbar." Alex é ainda mais irônico. "As cusparadas acontecem quando o jogador está longe da bola e do árbitro. Eles são mestres nisso. Não dá para ver. A torcida colabora com essa baixaria com urina. Em vários estádios do Brasil, como no Mineirão, os torcedores tentam nos acertar jogando de longe. Na Bombonera, a torcida que fica a cinco metros de distância, simplesmente derrama urina nas nossas cabeças. O Neném no ano passado saiu com a camisa ensopada. Todas as vezes que ia bater escanteio, vinha um copo de urina. Mas jogar na Bombonera é assim mesmo", revelava, irritado. Para o Palmeiras ter três volantes, Juninho ficará no banco de reservas. Caberá a Lopes que melhorou da gripe, atuar entre o meio de campo e ataque. "Sei que vou correr muito, mas preciso ajudar o time. Temos de ser fortes na marcação e rápidos nos contragolpes", avalia. Fábio Júnior será o único atacante fixo na frente. "Vou ter pela frente três zagueiros e atuarei isolado. Mas não tem problema. Se sobrar uma bola, eu faço o gol. Não tenho medo das caras feias dos argentinos", garantia. Roth conversou muito com os jogadores sobre dois aspectos da partida: o campo pesado e as provocações. O gramado da Bombonera está muito ruim por causa das chuvas. Então o time está orientado a ter o máximo cuidado na saída de bola na defesa. Há a desconfiança que não houve empenho da diretoria do Boca em preservar o campo para prejudicar o toque de bola brasileiro. E os jogadores estão proibidos de revidar provocações. Principalmente Magrão. "Não podemos perder um jogador por expulsão. Esse será um dos grandes desafios", avalia o técnico. Arce se recuperou da dor na virilha e vai jogar normalmente. O presidente Mustafá Contursi confirmou em Buenos Aires que o time anunciará oficialmente a assinatura de contrato de patrocínio com a Pirelli amanhã. O contrato tem dois anos, gerará US$ 2 milhões por ano. "O mais interessante será o convênio de atletas com a Inter de Milão", comemorava, satisfeito. O Palmeiras deve jogar com: Marcos, Arce, Leonardo, Alexandre e Felipe; Galeano, Fernando, Magrão e Alex; Lopes e Fábio Júnior.

Agencia Estado,

06 de junho de 2001 | 18h02

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