Palmeiras: revolta do médico demitido

A demissão de doutor Maurício Bezerra do Palmeiras não está ligada apenas ao processo de recuperação de Vágner Love da lesão na coxa esquerda que o tirou da primeira partida semifinal do Paulistão contra o Paulista. Expõe o desleixo do presidente Mustafá Contursi em relação ao departamento médico do clube. Ontem, Bezerra deu um depoimento ao JT que retrata a interferência de Mustafá no setor e mostra um quadro crítico em relação à aparelhagem que os jogadores utilizam no dia-a-dia."Fui demitido porque peitei o presidente em busca de melhorias para o departamento em que trabalho. Hoje, a Academia de Futebol não dispõe sequer de um desfibrilador, utilizado para reanimar jogadores em caso de uma parada cardíaca. Mas não é só isso. Faltam aparelhos básicos para o tratamento de problemas cardíacos. Estou muito chateado por ter sido dispensado pelo telefone. Acho que pelo menos uma satisfação eu merecia."Segundo Bezerra, a situação do meia William, que subiu recentemente para o time profissional, também pode ter pesado para sua saída. O JT apurou que os exames realizados recentemente pelo jogador apontaram um problema no ramo esquerdo do coração, suficiente para colocar o futuro de sua carreira em risco."O presidente não acreditou nos laudos e pediu que os exames fossem refeitos. Especialmente um, chamado teste eletrofisiológico. Como fui contra esse procedimento, que poderia trazer riscos para o paciente, devo ter caído em desgraça. Afinal, o Mustafá não queria que esse problema do William vazasse para a imprensa e, como vazou, alguém teria que ser responsabilizado. O bode expiatório fui eu. Só quero deixar claro que o jogador irá conviver com o risco de sofrer um mal-súbito. Mas continua em tratamento e torço, sinceramente, para que se recupere."O médico também relata que Mustafá costuma dar palpites nos procedimentos médicos. "No caso da recuperação da lesão na coxa do Vágner Love, o presidente ordenou que o tratamento fosse realizado em cinco sessões diárias. A primeira às 7h30 e a última às 23h. Isso foi uma tortura psicológica para o jogador. O Mustafá queria trancá-lo em casa. Além disso, pressionou o departamento médico do Palmeiras para que liberasse o Love para jogar a primeira semifinal contra o Paulista mesmo tendo em mãos o resultado da ressonância magnética realizada pelo doutor Xavier Stunk, que comprovou uma lesão muscular no local."

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