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Palmeiras se mostra a Cuca

Cuca não precisava do clássico para desvendar o Palmeiras e planejar sua primeira semana de trabalho até o jogo contra o Nacional, do Uruguai, pela Copa Libertadores, na quinta-feira. Mesmo assim, o treinador recebeu de presente um confronto didático pelo Paulistinha.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2016 | 03h00

Distante do banco de reservas, constatou a oscilação de seus novos comandados. E quanto eles precisam trabalhar para estabelecer um comportamento coletivo, afinado com as demandas do futebol.

O resultado do clássico foi ótimo para atenuar a tensão do ambiente e remendar a autoestima ferida por defeitos que começavam a se tornar padrão na equipe. 

Os primeiros 30 minutos mostraram, sem dó, a dificuldade de organizar e conduzir o jogo da defesa para o ataque. Por mais simples que possa parecer, essa situação não é construída apenas verbalmente. 

O São Paulo pressionou, forçou a bola longa e recuperou a posse. Não adianta o treinador gesticular no banco de reservas, à beira do campo, e pedir que o time realize aquilo que não foi desenvolvido nos treinamentos. É necessário trabalhar cada momento do jogo: o defensivo, o ofensivo, as transições e as bolas paradas. 

Por isso, mesmo com Alberto Valentin no comando, o que se viu em campo até os 30 minutos foi o conjunto de Marcelo Oliveira, acuado e pressionado. Durante um terço do confronto, o mistão de Edgardo Bauza foi muito bem, uma extensão do que se viu contra o River Plate.

A novidade tricolor foi o desejo de fazer funcionar um conceito, de espremer o adversário contra sua própria meta e partir para o gol. E quase deu certo no período em que o Palmeiras contribuiu com marcações frouxas, que permitiram superioridade numérica são-paulina nos lados do campo, sobretudo em sua lateral direita.

Mas durou apenas 30 minutos. A energia do misto são-paulino perdeu tensão e fez o Palmeiras se ligar. Naquela altura, o empate era um grande resultado. Com a pressão do São Paulo mais branda, a condução da bola ao ataque foi facilitada, havia tempo para pensar e passar. Tempo para avistar Alecsandro, perceber Robinho e descobrir Allione.

A vitória por 2 a 0 tornou a segunda-feira de Cuca mais tranquila. Os motivos da queda do seu antecessor, Marcelo Oliveira, são claríssimos. O treinador simplesmente não conseguiu estabelecer um modelo de jogo coletivamente sustentável.

Quando contrastados com as dificuldades mostradas no comando do Palmeiras, os títulos obtidos recentemente por Oliveira pedem uma explicação.

Existem treinadores que esperam por sinais de suas equipes e tentam melhorá-las a partir deles, e os que desenvolvem um trabalho conceitual, baseado nas necessidades do futebol praticado atualmente. Hoje, o Palmeiras precisa desse segundo tipo. 

A missão de Cuca começa com a implantação de um modelo de jogo. Antes de reforços, antes do sempre almejado camisa dez talentoso e do meia organizador, a equipe pede uma rota ao ataque, uma saída de bola apoiada. Traduzindo: quem possui a bola precisa de, pelo menos, duas ou três opções para passá-la, dois ou três companheiros que não se escondam do jogo.

Quando é impossível passar, não resta alternativa. Diante do perigo de perder a posse no campo defensivo, é melhor despachar o problema para bem longe. A solução é o treinamento, não existe outra alternativa. Evidentemente vai faltar tempo, mas uma das vantagens de Cuca é seu inconformismo diante das dificuldades.

CAMISA AMARELA

Muitos dos brasileiros envolvidos nos protestos de ontem foram às ruas vestindo a camisa amarela da seleção brasileira. A CBF tem hoje um presidente em prisão domiciliar e outros dois investigados pelo FBI. Salve a camisa amarela!

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