Palmeiras sofre ataque de vândalos e suspende venda de ingressos

Descontentes com a decisão de Nobre de privilegiar sócios depredam dependências do clube

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2014 | 23h01

SÃO PAULO -  O assunto do dia era para ser o clássico contra o Santos, domingo, na Vila Belmiro. Mas o Palmeiras virou caso de polícia, mais uma vez, graças a baderneiros que tentaram mostrar sua insatisfação na base da violência. Tudo porque eles não aceitaram a forma com que os ingressos para o jogo estavam sendo comercializados e resolveram quebrar dependências do clube.

A confusão aconteceu pela manhã, quando torcedores tentaram comprar mais ingressos do que tinham direito. Irritados com a negativa dos funcionários do clube, eles depredaram a sala, localizada na Rua Padre Antônio Tomás, ao lado de uma das entradas da Allianz Parque.

Existe uma divergência no número de baderneiros. A Polícia Militar diz que funcionários presentes no local falaram que foram cerca de 20 torcedores, enquanto o presidente Paulo Nobre disse que a confusão ocorreu com apenas três torcedores. No momento, havia cinco seguranças do clube no local.

O fato é que computadores, armários, portas de vidro e todo o sistema do programa Avanti (sócio-torcedor) foram danificados. Um torcedor chegou a se cortar ao quebrar algumas vidraças. Na confusão, um funcionário sofreu uma tentativa de agressão e como o fato não foi consumado, ele resolveu não prestar queixa. O Boletim de Ocorrência foi registrado no 23.º DP, em Perdizes, na zona oeste da capital.

O delegado Percival de Alcântara disse que o caso será investigado, mas que são fortes os indícios de que possa ter envolvimento com membros das torcidas organizadas do clube. "Sabemos que a relação entre a atual gestão e torcedores de organizadas é bem difícil e já teve casos de violência no passado, por isso sabemos que a possibilidade de ter alguma relação é muito forte, mas temos de apurar", explicou o delegado.

Nobre deixou claro que não vai ceder a nenhum tipo de atitude mais violenta. "Não trabalhamos sob pressão e vamos continuar adotando a postura de sempre", avisou o dirigente, que negou culpar antecipadamente a organizada. "Estão sendo apurados os responsáveis e seria leviano falar algo". Mas, no clube, dão como certo que a atitude partiu de membros da Mancha Alviverde.

Por causa da confusão, os ingressos restantes para a torcida do Palmeiras não serão comercializados por falta de tempo de organizar uma forma comercialização. Foram colocados 700 bilhetes à venda, mas até ontem à noite ainda não se tinha informações do número exato de ingressos vendidos, pois todo o sistema foi danificado e a contagem terá de ser manualmente.

O clube teme colocar os ingressos nas bilheterias, como aconteceu antes do clássico contra o Corinthians, quando houve confusão nas filas e um torcedor chegou a trocar agressões com seguranças do clube.

Nesta quinta mesmo, o Palmeiras já entregou para a polícia as imagens de câmeras da região que mostram a ação dos vândalos. O local foi interditado. Horas antes da confusão, uma faixa havia sido estendida em uma passarela, próxima da sede do clube, com os dizeres: "Paulo Nobre, o Palmeiras é gigante comparado ao seu ego". Ninguém assumiu a autoria da faixa.

SEM ACORDO

A relação de Paulo Nobre com as torcidas organizadas começou a se desgastar em março de 2013, quando em uma viagem de volta da Argentina, após uma partida contra o Tigre, pela Libertadores, um grupo de torcedores, na tentativa de agredir Valdivia, acertou o goleiro Fernando Prass, que cortou a orelha por causa de estilhaços de uma xícara atirada.

Desde então, os atletas foram proibidos de comparecer em eventos das organizadas e o dirigente deixou de repassar ingressos para serem vendidos nas quadras das torcidas.

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