Palmeiras sonha com Libertadores para acertar o caixa

'Só com premiação e TV, ganharemos R$ 11 milhões se formos até a final', conta Luiz Gonzaga Belluzzo

Juliano Costa, do Estadão,

22 de outubro de 2007 | 09h33

A vaga na Libertadores será importante para o Palmeiras não só pela parte técnica, mas principalmente pela financeira. Com a classificação para a principal competição sul-americana, a diretoria espera barganhar até 60% a mais no contrato com um novo patrocinador, além de ter receitas maiores de bilheteria, cotas de TV e prêmios da Conmebol. "Só com essa parte de premiação e TV, ganharemos US$ 6 milhões (cerca de R$ 11 milhões) se formos até a final", calcula o diretor de planejamento, Luiz Gonzaga Belluzzo. "Nossa situação financeira, hoje, é boa. Mas é evidente que, com a Libertadores, teremos um aumento considerável nas receitas", emenda o diretor de futebol Savério Orlandi. Os cálculos já foram feitos. O sonho, claro, é montar um time mais forte na Libertadores. "Nossas dívidas de curto e médio prazo já foram equacionadas. Nosso trabalho deve começar a dar frutos no ano que vem", diz Savério. A diretoria sabe, porém, que todo esse planejamento não adiantará nada se o time não fizer sua parte em campo. "É por isso que daremos uma gratificação considerável aos jogadores em caso de classificação", diz Savério. O prêmio será proporcional à participação de cada jogador no Brasileiro. O valor foi acertado em maio, durante a pré-temporada do time num hotel-fazenda em Itu. Foi Edmundo quem acertou as bases com a diretoria, mas os valores são mantidos em sigilo. Cada membro receberia uma quantia pré-fixada, além de um bônus proporcional à participação no torneio, que teria o "bicho" por vitória (R$ 1 mil) como base de cálculo. O rateio chegaria à casa de R$ 1 milhão - dinheiro que será pago com prazer pelo clube. "A Libertadores é nosso grande objetivo", diz Savério. As receitas de bilheteria devem crescer, não só pela presença de público no Palestra, mas também pelo aumento do ingresso - que passaria de R$ 20 para R$ 30 na arquibancada, como já faz o rival São Paulo em seus jogos de Libertadores. Com ingresso a R$ 20, a maior arrecadação no Palestra foi contra o Grêmio: R$ 428.170,00 para 22.667 pagantes. Apesar de desconversar sobre o assunto - "ainda é cedo para falar disso" -, a diretoria já fez um teste com ingresso a R$ 30, na partida contra o Náutico. A iniciativa foi um fracasso. Houve protesto da torcida e só 8.980 pessoas pagaram ingresso, sendo que quase 6 mil eram de meia-entrada (estudantes e aposentados). A renda foi de R$ 199.085,00. A expectativa da diretoria é que, com um time forte na Libertadores, o torcedor não se acanhe em pagar R$ 30 pelo ingresso. A renda, assim, superaria facilmente os R$ 500 mil por jogo. Vale lembrar, porém, que o gramado do Palestra estará em reforma no início do ano. O Pacaembu deve ser o palco da equipe nesse período. Com cotas de TV e prêmios da Conmebol, a arrecadação superaria R$ 1 milhão só na primeira fase. Mas é com patrocínios que o Palmeiras espera lucrar mais. "A classificação para a Libertadores representaria muito mais visibilidade na mídia", diz Belluzzo. "Por isso, me parece óbvio que a nossa marca fique mais valorizada." Belluzzo não abre valores, mas, com a classificação, seria possível barganhar um patrocínio como o do São Paulo, que recebe R$ 16 milhões da LG. Sem a vaga, conselheiros temem que o novo contrato não passe dos R$ 10 milhões - "só" um milhão a mais do que o valor pago pela Pirelli, que se despede em dezembro. É por isso que a Libertadores vale ouro no Palestra Itália.

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