Hélvio Romero/Estadão
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Adversários 'fáceis' levaram Palmeiras a perigosa supervalorização

Time teve melhora com Abel Ferreira, mas ainda enfrentará desafios maiores e não pode ser supervalorizado

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2020 | 05h00

Por mais que alguns torcedores não gostem, é mera constatação do óbvio. Na atual temporada, o Palmeiras teve imensa sorte quando as bolinhas dos sorteios indicaram seus adversários nos torneios que têm mata-mata. A chave da Libertadores era das mais tranquilas, tinha até time da segunda divisão argentina (Tigre). Tanto que a campanha foi boa e houve até goleadas, mesmo com o fraco trabalho desenvolvido por Vanderlei Luxemburgo.

Na Copa do Brasil também não apareceram desafios tão pesados como os do São Paulo, por exemplo. Na quarta-feira, os palmeirenses enfrentarão o América Mineiro, que é da Série B, enquanto os tricolores terão o Grêmio pela frente.

Mas independentemente do nível dos oponentes, como Libertad e, principalmente, Delfín, é nítido o progresso recente do time. A transição feita por Andrey "Cebola" Lopes foi boa e Abel Ferreira deu sequência à transformação, ainda em curso.

Sim, em curso. O Palmeiras ainda não tem um time pronto, devidamente testado e aprovado. Em algumas partidas ainda mostra deficiências, como no jogo aéreo. Foi assim que passou sufoco, fora de casa, diante do time paraguaio na Libertadores. Sábado, na visita ao Internacional, que vivia a despedida de Andres D'Alessandro, o time gaúcho treinado por outro Abel, o Braga, preparou uma armadilha. Nada muito especial ou inesperado, mas eficiente, como se viu nos 2 a 0.

As estatísticas do SofaScore mostram que nos 90 minutos o Palmeiras finalizou mais (13 contra 12), contudo não acertou o alvo. Teve mais posse de bola, viu a pelota se chocar no travessão colorado, mas apresentou pouco ante o adversário bem estruturado defensivamente.

O time não criou uma grande oportunidade sequer e teve dificuldades para arrematar do interior da área gaúcha, tanto que nove das finalizações alviverdes foram de fora da área. O Inter ofereceu ao time de Abel Ferreira o teste necessário.

Vitórias sobre equipes tecnicamente inferiores, como nos facílimos 3 a 0 sobre o Bahia uma semana antes e o triunfo sobre o Libertad com um homem a menos, precisam ser relativizadas. A tendência à supervalorização é perigosa.

Quando Abel Ferreira empilhou seus primeiros bons resultados no Palmeiras, sobraram precipitadas comparações com os feitos de outro português, Jorge Jesus. Mas ainda falta muito para que se aproxime do que seu compatriota realizou no Flamengo.

As possibilidade de título da Série A são, hoje, pequenas. Os palmeirenses têm um jogo a menos em relação ao líder. É a peleja adiada contra o Vasco, em casa. No entanto, mesmo se contarmos com os três pontos dessa partida, estará a nove do São Paulo.

Assim, os mata-mata de Copa do Brasil e Libertadores serão os certames a serem conquistados, ou pelo menos um deles, para que Abel Ferreira escreva sua história de sucesso no país. Que obviamente poderá ganhar novos capítulos.

Mas para avançar na competição internacional, o Palmeiras estará diante de seu maior desafio, o River Plate. Trata-se do time que melhor disputa o certame ha alguns anos, mantendo competitividade e crescendo em retas finais.

A equipe argentina ganhou a Copa Sul-americana em 2014, quando o técnico Marcelo Gallardo dava início à sua história de sucesso no clube na função. Depois levantou duas vezes o troféu da Libertadores e foi vice em 2019.

O Palmeiras tem elenco para avançar à final, mas precisará fazer bem mais contra os Millonarios. Duelos como o de sábado, contra o Internacional, serão extremamente importantes para que o time se aprimore, eleve a competitividade até o esperado confronto, em janeiro.

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