Palmeiras: um símbolo da integração

No início, a Societá Sportiva Palestra Italia era ponto de encontro de imigrantes que vieram fazer a América no Brasil e que precisavam de agremiação para representar suas cores no ?football?. Nesta quinta-feira, 90 anos depois, a Sociedade Esportiva Palmeiras se transformou em uma das grandes heranças culturais deixadas por aqueles homens de mãos rudes e empreendedoras, mas também símbolo de integração racial. Paixão, conquistas, polêmicas, lágrimas formam a história de um dos clubes mais importantes e tradicionais do País. O Palestra nasceu da obstinação dos italianos Luigi Cervo, Ezequiel de Simone, Luigi Marzo e Vincenzo Ragognetti. O quarteto convocou seus patrícios, por meio de nota publicada no jornal ?Fanfulla?, para reunião no nº 2 da Rua Marechal Deodoro, em que seria discutida a criação de mais um clube na capital. No primeiro encontro, em 19 de agosto, não se chegou a nenhuma conclusão. No segundo, uma semana depois, 46 italianos assinaram a ata de fundação do Palestra. A primeira partida da nova agremiação só ocorreu quase cinco meses depois ? em 24 de janeiro de 1915, domingo de verão, o Palestra entrou em campo, com camisas azuis e faixa branca, para enfrentar o Savóia, de Sorocaba, outro clube da colônia italiana. Stillitano; Bonato e Fulvio; Police, Bianco e Vale; Cavinatto, Fiaschi, Alegretti, Amilcar e Ferré foram os 11 primeiros palestrinos. Bianchi e Alegretti marcaram os dois da vitória por 2 a 0. O Palestra era, enfim, realidade. Um ano mais tarde, em 13 de maio de 1916, estreava no Campeonato Paulista, com 1 a 1 com o Mackenzie. Vescovini marcou para a equipe dos ?carcamanos?, como eram pejorativamente chamados os imigrantes. O primeiro título estadual só chegaria em 1920, na vitória final por 2 a 1 sobre o Paulistano, então um dos clubes mais fortes e bem estruturados. O Palestra cresceu, ganhou importância, em agosto de 1933 inaugurou seu estádio (goleada de 6 a 0 sobre o Bangu) e se consolidou como a segunda equipe mais popular ? perdia apenas para o Corinthians. A Segunda Grande Guerra, porém, trouxe transtornos e perseguições aos imigrantes italianos, por conta do eixo formado por seu país, a Alemanha e o Japão. O clube teve de mudar de nome, por pressão oficial, tentou Palestra de São Paulo, mas em 42 ficou com Sociedade Esportiva Palmeiras. No ressurgimento, veio o título paulista. Imponente - As conquistas se sucederam com regularidade ? e incluíam o regional e também o Rio-São Paulo. Nos anos 60, no auge do grande Santos de Pelé, era o Palmeiras quem incomodava, com sua ?Academia?, liderada pelo talento mágico de Ademir da Guia, até hoje o maior ídolo do clube. O time era tão respeitado que, em 1965, nos festejos de inauguração do Mineirão, trocou o verde tradicional pelo uniforme da seleção brasileira. E venceu por 3 a 0. A segunda Academia, também com Ademir como o maestro e ponto de referência, surgiu nos anos 70, e acumulava com naturalidade taças nacionais e internacionais. Vieram, porém, os anos de vacas magras. A fila começou com o paulista de 1976 e terminou com o título estadual de 1993 nos 4 a 0 sobre o Corinthians. O Palmeiras teve sua terceira Academia, bancada pela parceria com a Parmalat, e chegou à conquista da Libertadores, em 99. Em 2002, a maior humilhação, com a queda para a Segunda Divisão. A reação veio no ano passado, com a volta por cima, e agora o time briga pelo título nacional. Lutar é vocação do Palmeiras, patrimônio intocável de seus 11 milhões de torcedores, verdadeiros e eternos donos.

Agencia Estado,

26 Agosto 2004 | 09h11

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