Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Palmeiras usa tecnologia para fazer o time 'voar' em campo

Altamiro Bottino trabalha para tirar o que cada atleta tem de melhor

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

10 Março 2015 | 07h04

No meio da enxurrada de contratações feitas no início da temporada, uma que chamou pouca atenção, mas que deve dar um retorno muito positivo ao Palmeiras é de Altamiro Bottino. Ele não chuta bola, não cruza e nem faz defesas, entretanto, permite que os jogadores façam tais funções com mais eficiência. O profissional é o novo coordenador científico do clube e consegue, através de testes e números, mostrar como e quando os atletas podem render em sua plenitude.

Resumidamente, um coordenador científico tem como função facilitar o fluxo de informações entre todos os departamentos que possuem relação direta com o futebol, como preparação física, fisioterapia, fisiologia, nutrição e psicologia do esporte. Graças ao seu trabalho é possível, por exemplo, perceber se um jogador tem maior facilidade recebendo a bola no pé ou sendo lançado para ganhar do adversário.

Durante os treinamentos, Altamiro faz diversos testes com os jogadores, onde consegue ter uma espécie de mapa biológico dele, detecta possíveis problemas e as maiores virtudes do atleta. O coordenador revela, com orgulho, que, embora seja algo novo para a maioria dos atletas, a recepção é bastante positiva.

"Acontece do jogador ficar impactado em alguns casos, mas eles percebem o valor que isso tem na vida deles. Você prova, através dos números, que ele vai ser mais longevo, treinar e jogar mais se seguir as recomendações", explicou.

Altamiro faz os testes, pega o resultado e envia para o profissional responsável por aquela aérea e tudo com a mais discrição possível. Ele trabalha com uma equipe de analistas de desempenho, que é formada por Rafael Costa, no clube desde 2010, Gustavo Bernardes e Gabriel Oliveira, filho do técnico Oswaldo de Oliveira. Os dois últimos chegaram ao clube neste ano. Altamiro não revela de jeito nenhum os melhores e piores em qualquer quesito, por uma questão ética.

Até drone já foi usado durante os treinamentos para ajudar no fluxo de informações. O equipamento filmou a movimentação dos atletas para usar em testes de posicionamento e deslocamento em campo.

Um dos trabalhos mais interessantes de Altamiro é o teste de velocidade. Nele é possível detectar se o jogador é melhor no arranque ou na variável da velocidade. "Se o atleta não tem um bom deslocamento nos primeiros dez metros, todo mundo tem que entender que a bola tem que ser no pé dele. Quando o atleta tem boa velocidade de aceleração, quer dizer que esse pode receber um passe curto, pois vai ganhar do adversário. E o jogador que consegue manter velocidade é o ideal para receber lançamentos em profundidade", explicou Altamiro.

"O Bolt (Usain Bolt, velocista dono de seis medalhas de ouro em Olimpíadas nos 100 e 200 metros, entre outros feitos) é o sexto a sair do bloco. Se a corrida fosse de 10 metros, ele perderia, mas como é de 100 ou 200, ele tem boa sustentação de velocidade e se sobressai diante dos adversários. Se ele jogasse futebol, ele seria o jogador que receberia passe em profundidade", comparou o coordenador.

RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO

Muita gente pode pensar que tanta tecnologia custa caro ao clube. Altamiro garante que não. "A relação custo-benefício é insignificante. O dirigente precisa entender que isso não é despesa, mas sim, investimento que vão gerar economia no futuro. Pagar R$ 30 mil para um profissional manter um de R$ 200 mil em condição plena é caro? Acredito que não".

Algo que lhe dá satisfação é ver que os jogadores entendem seu trabalho e sempre vão procurá-lo para maiores esclarecimentos. "A maioria conversa comigo ou com os outros profissionais, como nutricionista e fisiologista. O Zé Roberto, o Dudu, o Gabriel Jesus... Independente da idade, todos demonstram essa preocupação e isso é positivo", explicou.

Altamiro está no futebol há 24 anos. Começou a carreira nos Emirados Árabes e já teve passagens por Fluminense, Coritiba, Botafogo e seleção brasileira. "Fazer o Seedorf jogar tanto no Botafogo tendo 39 para 40 anos foi gratificante para gente", recordou o coordenador, que terá mais e novos desafios pela frente no Palmeiras, onde iniciou o trabalho na segunda quinzena de janeiro.

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