Palmeiras vai em busca de ?equilíbrio?

Antes do jogo com o Paulista, o técnico Jair Picerni fez questão de encerrar numa frase os comentários sobre as confusões do fim de semana - quando brigou com um repórter ao tentar defender o atacante Wágner Love, acusado de sair muito à noite: "Não tô nem aí". Só não pode dizer o mesmo após a cobrança de penalidades máximas em Araras, que decretaram a eliminação do Palmeiras no Campeonato Paulista. O empate já tinha caído do céu aos 49 minutos do segundo tempo, mas os pênaltis seriam difíceis tanto que os palmeirenses queriam evitá-los. Nos vestiários, Picerni tinha que achar uma explicação para o jogo e tirar uma lição de tudo que aconteceu nos últimos dias.Mas demorou muito para as portas dos vestiários se abrirem. Naturalmente o clima era de decepção e abatimento. "Foi normal, porque nos pênaltis é mesmo complicado. Nós não aproveitamos as chances que saíram no jogo e depois a situação ficou preta", justificou o técnico.O goleiro Marcos comentou rapidamente o "Caso Love", mas reconheceu méritos no adversário: "Não é minha função ficar puxando orelhas de jogador. Meu filho tem cinco anos e não vou chamar a atenção de um jogador de 19 ou 20 anos. Mas o Palmeiras não foi eliminado por causa do Vágner Love. Acho que o Paulista mereceu, porque eles mataram a gente quando tiveram chance". O goleiro reconheceu que deveria ter sido expulso e pediu desculpas publicamente para Fábio Melo.O meia Pedrinho, que se salvou no desastre em Araras, só lamentou a perda da vaga na final. "Não podemos ser demagogos: as coisas estavam bem para a gente. Nós pegamos a Portuguesa Santista e o Paulista, que são clubes pequenos e eram fáceis para nós. Infelizmente, não deu certo", comentou. Ele confirmou que o goleiro Marcos pediu para ele bater a falta decisiva sobre a barreira."Acho que todos têm que ter uma consciência maior, um equilíbrio em tudo", aconselhou Pedrinho, que mantém tratamento psicológico há muito tempo devido suas seguidas contusões.Vágner Love pouco falou. Mesmo na comemoração do seu gol, o primeiro do Palmeiras, ele não vibrou na comemoração e se dirigiu ao banco para abraçar o técnico Jair Picerni. No intervalo tinha explicado: "Ele (Picerni) é meu pai".Ninguém quis relacionar a eliminação aos tumultos da semana, embora vários jogadores tenham, internamente e na concentração, criticado o comportamento de Vágner Love que foi visto de madrugada, pelo menos, duas vezes na semana. O técnico Jair Picerni já tinha sido criticado pelo presidente Mustafá Contursi por se desentender com um jornalista após o treino de sexta-feira. A comissão técnica também vacilou na preparação da semana ao não antecipar a concentração ou criar situações que segurassem mais os jogadores perto do objetivo do clube, que era chegar à final do Paulistão.Médico busca explicação - O médico Maurício Bezerra demitido na sexta-feira ainda não sabe qual foi o verdadeiro motivo de sua saída do clube. "Não sei e não estou preocupado em saber, mas fiquei muito chateado", disse o médico, que foi comunicado de sua demissão através do médico Vinícius Martins que comanda o departamento médico.Braga tem certeza que o fato não está relacionado à contusão de Vágner Love que ficou ausente do primeiro jogo semifinal diante do Paulista. "Com certeza não foi este caso. O presidente tem as ressonâncias magnéticas e outros exames", explica. Mas ele deixa no ar que sua demissão possa estar relacionado a outra polêmica que agitou o Parque Antártica nos últimos dias: a suspeita de que o meia Willian, maior revelação do time de juniores, tenha problemas cardíacos. A história rendeu muito destaque na imprensa desagradando os dirigentes.

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