Palmeiras vence amistoso com time japonês

Se os jogadores brasileiros reclamam da concentração forçada e da distância da família nos períodos de pré-temporada, não tem idéia da vida mais dura que têm seus colegas japoneses - pelo menos, na teoria. Neste sábado, o Palmeiras venceu o time do Albirex Niigata, que está no Brasil e é um dos exemplos dessas dificuldades. Na Academia de Futebol, Adriano Chuva (de bicicleta), Rafael Marques e Alceu marcaram na vitória por 3 a 0.O Niigata, clube que contratou recentemente o atacante Edmílson, do próprio Palmeiras, está no Brasil pela segunda vez para fazer sua pré-temporada. Em parte, porque a cidade, no norte do Japão, é coberta pela neve, dificultando os treinamentos. "Mas também porque os dirigentes aproveitam para observar alguns jogadores e contratá-los", explica o treinador de goleiros Gerson Ornelas, que é brasileiro. O time, recém-promovido para a primeira divisão do Japão, já está no País há duas semanas e só volta depois do carnaval. As primeiras semanas foram passadas no centro de treinamento do Atlético-PR, em Curitiba. E agora, o grupo está reunido em Jarinu, no interior de São Paulo.A adaptação a alguns costumes brasileiros, garantem os japoneses, não é tão difícil como se pode pensar. "Feijão é muito bom", já aprendeu o meia Suzuki Shingo em português razoável.Mas no futebol, em compensação, as diferenças são muitas. "No Brasil, o jogo individual é o mais importante, enquanto no Japão o que vem primeiro é a parte tática", afirma o mesmo Suzuki.Da experiência de jogar contra adversários de estilo tão diferente, o meia japonês destacou que aqui "é preciso ir na bola com vontade". Mesmo assim, o jogador diz que, se tiver oportunidade, gostaria de jogar no Brasil.Segundo o zagueiro Anderson, que deixou o Paulista para jogar no Niigata, parte do tempo livre dos jogadores japoneses é aproveitada para observar partidas dos campeonatos estaduais no Brasil. "Os ídolos deles são os mesmos que os nossos, Ronaldo, Roberto Carlos. Mas eles já aprenderam a apreciar Diego, Robinho e o zagueiro Alex", conta.Desejo - Mas nem tudo é trabalho entre os japoneses. Segundo Anderson, os jogadores também aproveitam a estadia para experimentar coisas diferentes, o que rende momentos engraçados. "O goleiro Nozawa, por exemplo, adora castanhas e acabou aprendendo a pedir em português. Quando chegamos ao Brasil, a primeira coisa que fez foi ir até uma loja e perguntar: ?Tem castanha?? Até aí tudo bem, não fosse o fato de ele estar em uma farmácia", diverte-se o brasileiro.A culinária nacional, segundo Anderson, já ganhou fãs. "Se deixar, eles comem uma granja inteira de churrasco de coração de galinha", revela. Outra paixão do grupo, segundo o preparador de goleiros, é a praia. "Eles adoram. Até porque lá onde eles moram é muito frio", diz. Se eles aproveitam para ver as mulheres brasileiras? Ornelas é discreto, mas acaba admitindo que, pelo menos em certos aspectos, jogadores brasileiros e japoneses têm muito em comum.Pegada - Os japoneses levaram a sério a necessidade de "ir na bola". Tanto que após o jogo-treino deste sábado, o atacante Adriano Chuva, que fez um belo gol de bicicleta, saiu com um dente e o nariz quebrados. "Fui de cabeça em uma dividida e o zagueiro tentou chutar a bola e me acertou", conta o palmeirense.Mas o amistoso também teve saldo positivo, com o bom rendimento do próprio Adriano Chuva e do meia Pedrinho. Os dois devem ser a novidade no Palmeiras no jogo contra o São Caetano, no dia 21, pelo Paulista.

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