Palmeirenses apanharam até de músicos

Cansados, incrédulos com o que passaram na Índia, os jogadores do Palmeiras B desembarcaram nesta quarta-feira pela manhã em São Paulo lamentando ter vivido cenas de terror em Calcutá, onde disputaram o Torneio IFA Shield. "Até a banda que animava a torcida bateu na gente com os instrumentos", contou o atacante Cabé. Ele acrescentou que os repórteres indianos também jogaram microfones contra os palmeirenses e os torcedores atiraram objetos no gramado.As imagens dos incidentes, ocorridos no domingo, no Estádio Salt Lake, durante a final entre Palmeiras e East Bengal, equipe local, correram o mundo. O técnico palmeirense, Humberto Ferreira, afirmou que nunca havia visto ou participado de fatos como estes em 18 anos de carreira. "Entraram mais de 300 pessoas em campo e nós não tínhamos para onde fugir. Fomos agredidos por policiais, que usaram vara de bambu, pela banda, com corneta e trompete, pelos jogadores adversários e até pelos repórteres. Conseguimos escapar pelo vestiário", detalhou. Segundo ele, os ministros da Saúde e dos Esportes estavam lá vendo tudo.É Campeão ! - O Palmeiras vencia por 1 a 0 quando o jogo terminou por causa da pancadaria, ainda no primeiro tempo. Considerando-se campeão, o grupo foi a uma loja, em Calcutá, para comprar uma taça, que simbolizaria a conquista. Os organizadores da competição, contudo, não deram o título para os brasileiros. A informação da compra do troféu, divulgada na Agência Estado, irritou alguns conselheiros, que desmentiram a notícia. Porém, Ferreira confirmou o fato. "A gente se achou campeão e fez uma brincadeira, comprando a taça", admitiu.Os dirigentes, no entanto, preferiram esconder bem o troféu na chegada a São Paulo, a fim de evitar que o elenco fizesse "papel de palhaço". A expressão foi usada por um diretor do clube ao ser perguntado por um repórter se seria possível fotografar os atletas ao lado da taça.Arranhões - Apesar da briga generalizada, nenhum palmeirense ficou gravemente ferido. Alguns, como o atacante Rogério, ainda apresentavam marcas: ele tinha arranhões no rosto. A imprensa indiana diz que oito atletas do East Bengal se machucaram. A bagunça começou com uma falta do zagueiro Marcão. "Minha falta foi normal, mas eles interpretaram como agressão e partiram para cima. Ficamos assustados, porque havia 60 mil pessoas no estádio."Para Ferreira, a primeira regra dos indianos é a do vale-tudo: carrinho por trás, empurrões, tapas... Curiosamente, um dos esportes mais populares no país é o rúgbi - além do cricket -, que exige muito contato físico, empurrões e chega a ser bastante violento em certos momentos.Reecontro - Os pais de vários jogadores foram até o aeroporto esperar os filhos, preocupados com o que poderiam "encontrar". Antônio Pereira Esteves, pai do lateral Gustavo Augusto, havia conseguido informações no próprio domingo e, por isso, estava tranqüilo. "Falei com ele por telefone e ele me disse que a briga foi pior que a do Pacaembu (em 1995, na final da Supercopa São Paulo de Juniores, entre Palmeiras e São Paulo)."Os palmeirenses contaram que foram bem recebidos pelo povo indiano, que admira o futebol do País, mas que, após a briga, chegaram a ser maltratados até por funcionários do hotel em que estavam hospedados.Boca fechada - Conselheiros e dirigentes do Alviverde que foram a Guarulhos receber a delegação pediram que seus jogadores não abrissem a boca com a imprensa. Segundo Sebastião Lapolla, diretor de Futebol, qualquer declaração poderia ser prejudicial ao clube, que vai encaminhar o caso à Fifa. Eles devem enviar uma fita à entidade com as imagens do incidente. Como não foi declarado campeão, o Palmeiras ficou sem o prêmio de US$ 15 mil, que seria dividido entre os atletas.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2001 | 18h48

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