Palmeirenses comemoram ?volta por cima?

No retorno do Palmeiras à liderança do Brasileirão, a frase mais dita e ouvida no clube é: ?Dei a volta por cima?. Ontem, foi a vez dos laterais Baiano, Lúcio e do meia Diego Souza contarem seus dramas pessoais. E falarem sobre como e o que fizeram para superá-los.Tristeza pelas vaias, insatisfação com o banco de reservas, medo de apanhar da torcida na rua: os três passaram por tudo isso. Diego Souza é quem faz o melhor paralelo entre o céu e o inferno proporcionado pelo futebol.?Há dois meses, fui a um shopping e três torcedores vieram tirar satisfações comigo. Havíamos acabado de ser eliminados na Copa do Brasil. Tive medo, muito medo. Sabe como é, torcedor é fanático, é capaz de tudo. Tive de chamar a segurança. Hoje (19), depois de uma boa atuação contra o Inter, voltei ao shopping e fui saudado por muitos torcedores...?O meia conta que, por medo de voltar a viver esse tipo de situação, deixou de ir a lugares públicos como bares e danceterias, por exemplo. ?Passei a ficar mais tempo em casa, com a minha namorada?, diz. A fama de ?baladeiro? foi o que mais incomodou. ?Muitos disseram que fiquei deslumbrado com o sucesso, que virei ?mala?. Mas quem me conhece sabe que eu sou o mesmo cara. Aliás, até fiquei mais experiente com tudo isso. No fundo, no fundo, foi até bom ficar dois meses na reserva.?Diego Souza não teve seu nome gritado pelos torcedores quando o sistema de som do Palestra Itália deu a escalação do time para o jogo contra o Inter (vitória verde por 3 a 1). Nem Lúcio. Ambos, porém, saíram de campo cientes de que haviam feito um bom trabalho. Foram até muito elogiados pelo técnico Estevam Soares. ?Se a torcida vai ou não gritar meu nome, não sei. O que mais quero é ajudar o Palmeiras. Fazendo isso, já me sinto satisfeito?, afirma Lúcio.O lateral conta que pensou em ?chutar o balde? quando as vaias começaram a aparecer, logo após a queda do time no Campeonato Paulista e, depois, na Copa do Brasil. ?Mas aí chega uma hora que a gente se acostuma com as vaias e fica ?surdo? dentro do campo?.Quem fez Lúcio não ?chutar o balde? foi o irmão, Clécio, com quem vive em São Paulo. ?Se não fosse ele, eu teria me perdido. Ele me deu força para superar aquela fase ruim.?Ao contrário de Diego, Lúcio não mudou seus hábitos por causa da pressão da torcida. ?Continuei passeando pelo Parque da Água Branca. Isso me dá muita tranqüilidade?. Quem sofreu com torcedores foram seus familiares que moram em Recife, sua terra natal. ?Minha irmã, Ninha, já ouviu muita gente me xingar lá, tipo numa feira, por exemplo. E ela, esquentada, sempre revidou os xingamentos?. Baiano não chegou a ser execrado pelos torcedores, como seus colegas Lúcio e Diego. Mas também teve de amargar um momento difícil. O próprio Estevam Soares disse que o jogador passou por uma ?fase ruim?. Como conseqüência, Baiano ficou na reserva em três partidas. Voltou contra o Flamengo, em 1º de agosto, quando fez o gol da vitória. Ontem (19), contra o Inter, ele marcou de novo. ?Futebol é assim mesmo. Um dia você está por baixo. No outro, por cima?, diz Baiano. ?E assim a gente vai levando?.

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