Jack Guez/AFP
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Panamá mira 1ª vitória e Tunísia almeja quebrar tabu de 40 anos

Seleções se enfrentam nesta quinta-feira, às 15 horas, em Saransk

Beto Silva, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 05h00

Dois jogos, duas derrotas. Essa é a campanha tanto de Panamá quanto de Tunísia na Copa do Mundo da Rússia. Já não têm mais chances de classificação. E se enfrentam nesta quinta-feira, às 15 horas (de Brasília), na Arena Mordovia, em Saransk, no fechamento do Grupo G e de toda primeira fase do Mundial. Tinha tudo para ser um duelo sem perspectiva, de duas seleções sem tradição no futebol internacional, mas há muito em jogo.

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Para as 30 outras equipes do torneio, a partida não significa nada. Para os jogadores, comissão técnica e dirigentes dos dois times, vale fazer uma nação feliz, ainda que seja só uma simples partida com 11 atletas de cada lado, com 90 minutos de bola rolando.

Os panamenhos entram para a história do país se conquistarem a primeira vitória em Copas do Mundo. Os tunisianos visam quebrar jejum de 40 anos sem triunfo na competição.

O Panamá garantiu classificação à sua primeira Copa do Mundo no dia 10 de outubro de 2017, em vitória sobre a Costa Rica, na última rodada do hexagonal final das Eliminatórias da Concacaf. O país vinha tentando se qualificar desde 1978. Milhares de pessoas foram às ruas comemorar. A Presidência do país decretou o "dia de festa nacional".

 

A delegação chegou à Rússia com a expectativa de fazer o primeiro gol. Na estreia, 3 a 0 para a Bélgica. No segundo jogo, o zagueiro Felipe Baloy balançou a rede da Inglaterra quando a partida estava 6 a 0 para os europeus. Mas a celebração foi como um gol de título, tamanha a importância do feito.

É nesse clima que os panamenhos vivem a expectativa de bater a Tunísia, considerada um adversário possível de ser encarado de frente. E as declarações de jogadores e integrantes da comissão técnica mostram a magnitude com que a partida está sendo tratada.

"Seria felicidade para o país", disse o treinador colombiano Hernán Darío Gómez sobre um possível triunfo. "Seria histórico alcançar a vitória. Queremos dar essa alegria a todos", salientou o volante Aníbal Godoy. O desafio é conter a euforia e equilibrar as ações de defesa e ataque para não sofrer mais uma goleada.

Pelo lado da Tunísia, o combustível para o jogo é a quebra do jejum de 40 anos sem vitória em Copas do Mundo. O último triunfo foi na estreia do Mundial de 1978, na Argentina, contra o México: 3 a 1. Êxito justamente diante de um país da Concacaf. Nos jogos seguintes daquele torneio, uma derrota para a Polônia (1 a 0) e um empate contra a Alemanha Ocidental (0 a 0).

Depois disso, os tunisianos estiveram em mais três Copas: 1998, 2002 e 2006. Terminaram todas com duas derrotas e um empate. Com os dois reveses na atual edição para Inglaterra (2 a 1) e Bélgica (5 a 2). E lá se vão 13 jogos sem vitória.

Pesam contra a equipe dois fatores. O primeiro é psicológico. Os jogadores esperavam fazer uma boa campanha na Rússia, mas falharam. "Meu time está triste. Eu tento motivá-los, mas essa é uma tarefa difícil", relatou o técnico Nabil Maaloul.

O outro problema é que o time tem apenas um goleiro à disposição para a partida. O titular Mouez Hassen se machucou na estreia. E Farouk Ben Mustapha se lesionou em treino. Restou apenas Aymen Mathlouthi, que vai para o duelo. Diante da situação, a Tunísia pediu à Fifa para inscrever outro arqueiro "por motivo de força maior". Sem resposta, a seleção já prepara o atacante Syan Ben Youssef, de 1,93 metro, para uma emergência.

Qual nação vai comemorar após o confronto? Um empate frustraria os dois países. É o futebol, com suas alegrias e decepções, em um jogo que não vale nada, mas vale tudo.

 

 

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