Staff Images/CONMEBOL
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Pandemia faz os maiores clubes do Brasil registrarem déficits de R$ 1 bilhão. Veja o ranking

Pela primeira vez na história, dívidas totais de 2020 passaram dos R$ 10 bilhões

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 10h00

A divulgação dos balanços financeiros dos principais clubes do Brasil na última semana revelou o tamanho do impacto da covid-19 nos cofres dessas equipes. As 20 maiores agremiações do País tiveram uma queda nas receitas de 19,5% e juntas apresentaram déficits que somam R$ 1,03 bilhão. Assim, as dívidas passaram pela primeira vez de R$ 10 bilhões. Os dados foram analisados pela consultoria Sports Value.

Os clubes tiveram perdas financeiras principalmente sobre direitos de TV, bilheteria, sócios, transferências de jogadores e patrocínios. O Flamengo, por exemplo, que terminou 2019 em alta, sofreu forte impacto com a pandemia. Se no ano anterior o clube da Gávea, somente com estádio e sócio torcedor, arrecadou R$ 175 milhões, em 2020 esse valor caiu para R$ 92 milhões. O Palmeiras viveu situação idêntica. O faturamento com sócios e bilheteria no Allianz Parque foi de R$ 91 milhões em 2019, valor que em 2020 despencou para R$ 29 milhões.

Esse corte drástico das receitas e os custos ainda muito elevados fizeram com que os déficits somados atingissem, pela primeira vez na história, R$ 1 bilhão, uma alta de 39% em comparação com 2019. Naquele ano, os déficits, que já estavam altos, foram de R$ 721 milhões.

Pela primeira vez, um clube, o Atlético-MG, atingiu o patamar de R$ 1,2 bilhão em dívidas. No ano passado, Cruzeiro e Corinthians passaram o Botafogo, que era até então o clube mais endividado do Brasil. O Cruzeiro, que está na Série B do Campeonato Brasileiro, soma agora R$ 962,5 milhões em dívidas, uma alta de 20% em relação a 2019. Já o Corinthians acumula R$ 949,2 milhões de dívidas, superando o Botafogo, com R$ 946,2 milhões. O Atlético-MG teve um ano atípico com o negócio do Shopping Diamond Mall, que rendeu R$ 476 milhões ao clube. Isso impactou mnos números.

"Muitos clubes precisam de choque de gestão, controle e regulação efetiva de suas administrações, a fim de serem saudáveis novamente. Nenhuma lei de clube-empresa alterará esse cenário", analisa Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value, em relatório publicado pela consultoria numa referência ao projeto de lei que deve ser votado ainda este mês no Senado que prevê o formato empresarial para gestão das equipes.

As dívidas fiscais dos clubes, por exemplo, estão em R$ 2,7 bilhão e representam 26% do endividamento total. Antes da pandemia, esse porcentual era de 38%. Ou seja, os clubes, a cada ano, aumentam mais suas dívidas operacionais relacionadas à contratação de jogadores, empréstimos e passivos trabalhistas, que não serão resolvidas com uma nova legislação. "O mercado brasileiro de futebol precisa encontrar um modelo mais enxuto e menos alavancado de gestão. Com a pandemia, boa parte dos clubes perderam o controle financeiro de suas operações", aponta Somoggi.

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