Victor Garcia/Atlético-GO
Victor Garcia/Atlético-GO

Forçados pela pandemia, times do Brasileirão fecham quase 30 novos acordos de patrocínio

Em busca de recursos, departamentos de marketing mudam estratégia, abraçam parceiros e incrementam negócios

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 08h00

A pandemia do novo coronavírus tirou os times brasileiros de campo por bastante tempo, mas colocou vários departamentos de marketing e dirigentes para uma rotina de trabalho pesada, em bem mais criativa. Pelo menos 15 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro assinaram novos contratos de patrocínio ou prorrogaram antigos acordos existentes durante os últimos meses, como forma de garantir a entrada de recursos.

Segundo levantamento da agência de marketing esportivo Lmid, enviado ao Estadão, ao todo foram 27 operações entre novas parcerias e renovações feitas pelos times da elite nacionaldo País. Só o atual campeão, o Flamengo, aproveitou para fechar com três novas marcas: o Banco de Brasília é o novo patrocinador master, a TIM assinou para ser anunciante no número das camisas e a Konami vai se tornou parceira licenciada para exibir a equipe no jogo de videogame Pro Evolution Soccer. Há, portanto, novos tipos de parcerias.

O que pode explicar também a maior procura de empresas interessadas em apostar no futebol é uma maior exposição de TV, uma vez que não há mais torcedores nos estádios por causa do isolamento social. E os clubes inverteram a pirâmide de pagamentos. O grande patrocinador, o masters, em muitos casos, deu lugar a parceiros menores e em mais quantidade.

O Fla é um exemplo de como esses novos contratos podem ser variados e não ficam restritos à mera exposição da marca da camisa de jogos, por exemplo. Alguns desse vários acordos recentes exploram a aparição das marcas em espaços de entrevistas, uniformes de treinos e postagens nas redes sociais, de acordo com o previsto em cada um dos diferentes acordos. Essa mobilização é fundamental para compensar as tamanhas perdas causadas pela pandemia, que podem chegar até a R$ 2 bilhões segundo estudo da consultoria Ernst & Young. Os produtos e exposição são mais diversos.

Para o fundador e diretor comercial da agência Lmid, Gustavo Herbetta, a movimentação nos novos acordos é um sinal positivo de que o mercado deixou de ver a exibição de marcas como restrita à simples aparição nos uniformes. "Com a volta do futebol às transmissões, o mercado passa a se aquecer novamente. Estamos acompanhando nos últimos 45 dias uma série de anúncios de novos acordos e renovações, número bem acima da perda de contratos pelos clubes aferida nesse período de pandemia", explicou.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Com a volta do futebol às transmissões, o mercado passa a se aquecer novamente. Estamos acompanhando nos últimos 45 dias uma série de anúncios de novos acordos e renovações, número bem acima da perda de contratos pelos clubes aferida nesse período de pandemia
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Gustavo Herbetta, Especialista em marketing esportivo

O diretor de negócios da Feng Brasil, André Monnerat, avaliou que a paralisação do calendário fez os clubes se reinventarem e aprenderem o quanto, mesmo sem jogos ou exposição na televisão, eles não perdem revelância ou prestígio com os torcedores. "Nunca houve uma paralisação tão longa de jogos e isso fez com que os departamentos de marketing e comunicação fossem obrigados a sair da zona de conforto e experimentar coisas novas, criar novos tipos de conteúdo em novos formatos, inclusive na ativação de patrocinadores", afirmou.

No futebol paulista, o único dos grandes a não ter mudança na lista de patrocinadores foi o Palmeiras. O clube manteve o acordo com a Crefisa, que investe mais de R$ 80 milhões por ano. O Santos fechou com três marcas para aparição no uniforme e o Corinthians assinou com duas. O São Paulo chegou a anunciar nos últimos meses três novos acordos. Porém, um deles foi interrompido por falta de pagamento e a marca iSURE não foi mais estampada nas costas dos atletas.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Não tem como negar que a pandemia obrigou todos a olharem novas possibilidades, acelerar processos que pareciam estar distantes e promover alternativas
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Rafael Ximenes Nogueira, Diretor de negócios do Fortaleza

Um dos clubes a ter fechado com novos parceiros, o Fortaleza trouxe duas marcas diferentes. O diretor de negócios do clube, Rafael Ximenes Nogueira, afirmou que a paralisação do calendário forçou dirigentes e empresas a serem criativos nas negociações. "Não tem como negar que a pandemia obrigou todos a olharem novas possibilidades, acelerar processos que pareciam estar distantes e promover alternativas com a ausência do principal produto, que é o jogo de futebol", afirmou ao Estadão.

O dirigente do Fortaleza explica que se por um lado o futebol ficou parado e sem exposição, a partir de agora ele voltou a ser produto muito valorizado pela sequência incessante de partidas. "Houve uma diminuição na exposição em mídia televisiva, porém com o retorno do campeonato, essa exposição tem sido feita de forma muito intensa. Com os estádios fechados, todos os olhares estão voltados para as transmissões televisivas, trazendo um enorme retorno de mídia, com custo benefício extremamente favorável para quem decide investir", comentou.

Novos contratos e renovações

Novos contratos

Flamengo (Banco de Brasília e Konami)

Corinthians (Galera Group e Positivo)

Santos (Oceano B2B e Grupo FoxLux)

Atlético-MG (Betsul e Intralot)

Ceará (Estadium Bet e Servis Rastreamento)

Fortaleza (Brisanet e Servis Rastreamento)

Coritiba (Tintas Alessi e GT Consultoria)

Sport (Minha casa financiada)

Renovações

São Paulo (Banco Inter e MRV)

Atlético-GO (Unimed)

Fluminense (TIM)

Botafogo (TIM)

Flamengo (TIM)

Vasco (TIM)

Sport (Minha Casa Financiada - acordo inicial era de de um mês e foi estendido)

Bahia (Casa de Apostas)

Corinthians (ALE Combustíveis)

Goiás (Unimed)

Santos (Casa de Apostas)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.