Para a PM, não houve excessos no Morumbi

"Não houve excesso por parte da Polícia Militar. Aquela torcida (Borrachos del Tablón) é violenta de forma desproporcional", reclamou o coronel Luís Serpa, comandante do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar, responsável pela segurança durante a partida entre São Paulo e River Plate, no Morumbi, na noite da quarta-feira, pela Copa Libertadortes, quando a torcida argentina entrou em confronto com a Polícia Militar antes do início da partida. Pelas imagens divulgadas pela televisão, a ação policial foi violenta. O episódio foi amplamente divulgado na Argentina. O site oficial do River Plate qualificou a briga de "bárbarie", aumentando o clima de guerra para a partida de volta, quarta-feira, em Buenos Aires, no estádio Monumental de Nunes. Na versão da Polícia Militar, o início da briga foi entre os argentinos. "As câmaras de segurança do Morumbi filmaram tudo. Dois torcedores argentinos começaram a brigar por causa de uma faixa. Quando o policial foi separar, outros torcedores argentinos vieram para cima, muitos armados com pedaços de paus arrancados das cadeiras", contou o coronel. "Foi uma luta desigual. Havia um sarrafo de dois metros contra os cassetetes que medem 80 centímetros. Os torcedores arremessavam pedaços de madeiras contra os policiais. Nove PMs foram atendidos no ambulatório do Morumbi. Quantos argentinos apareceram machucados? Nenhum. Isso mostra que não houve excessos", disse. No setor, havia uma patrulha com 15 policiais. "Não era pouco. Uma torcida organizada do São Paulo, que tinha umas cinco mil pessoas, era vigiada por duas patrulhas. E só havia uns 700 torcedores argentinos no estádio", estimou o coronel. Serpa afirmou que os torcedores envolvidos na briga, inclusive entre os argentinos, foram filmados e serão identificados e responsabilizados por danos materiais e lesão corporal. "Sabemos que entre os torcedores do River Plate haviam brasileiros. Não chegaram tantos argentinos no País. Todos serão identificados e responsabilizados pelo que fizeram", prometeu. A Diretoria de Manutenção do Morumbi ainda não estimou o valor do prejuízo, mas várias cadeiras amarelas do setor ocupado pelos torcedores argentinos estavam totalmente quebradas. Mesmo com o clima de guerra que se criou para a partida de volta, em Buenos Aires, a torcida do São Paulo quer marcar presença no estádio Monumental de Nuñez. A torcida organizada Independente, por exemplo, já está oferecendo pacotes para Buenos Aires. De ônibus, a saída é na segunda-feira e custa R$ 300. Para os mais afortunados, a viagem de avião sai por US$ 320 (cerca de R$ 760), com direito à hospedagem num hotel de três estrelas. São apenas 40 lugares, em vôo fretado. Não precisa ser sócio da torcida para comprar uma passagem. "Vamos invadir Buenos Aires. Espero que possamos levar uns 2.500 são-paulinos", estimou o presidente da Independente, Ricardo Barbosa Alvismar, o Negão, que não teme uma recepção pouco amistosa na Argentina. "Isso que aconteceu ontem no Morumbi, sempre acontece nos estádios. Já fomos para Buenos Aires e não estamos preocupados com isso. Nós vamos acompanhar o São Paulo em Buenos Aires", disse Negão.

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