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Para americanos, Arena Amazônia pode se tornar 'elefante branco'

Jornal The New York Times questiona atrasos e legado da obra que deve ficar pronta em dezembro

CELSO FILHO - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2013 | 20h00

SÃO PAULO - A construção da Arena Amazônia, em Manaus, foi destaque do The New York Times nesta terça-feira, 24. O jornal norte-americano citou os atrasos e mudanças no orçamento original da obra, além das críticas ao legado que o projeto deixará para a capital amazonense após a Copa do Mundo. Palco de quatro jogos da 1ª fase do Mundial de 2014, a arena só deve ficar pronta em dezembro e poderá custar R$ 605 milhões.

Segundo o artigo do jornal americano, o clima e infraestrutura da região Norte do País são um dos principais empecilhos para o projeto. A reportagem explica que os engenheiros precisam encontrar materiais especiais para a cobertura dos assentos resistir ao calor da cidade. Além disso, a falta de vias de acesso à capital obriga as construtoras a transportarem os insumos, de maioria importados, por meio de embarcações que demoram cerca de 20 dias para atravessar o Oceano Atlântico e o Rio Amazonas.

A reportagem também mostra a preocupação dos empreiteiros em terminar o projeto antes do início do período de chuvas na região, de novembro a março. A previsão inicial é que a arena ficaria pronta em julho deste ano, mas as empresas envolvidas terão de correr contra o tempo para finalizar o projeto até dezembro. “Esta é a Amazônia. Há hotéis na selva e tempestades tropicais nesta cidade. Mas, se as inundações forem evitadas - e as cadeiras especiais chegarem a tempo - também haverá futebol aqui no próximo verão”, diz o artigo.

O jornal também aborda a necessidade de se construir a arena em um Estado sem tradição no futebol brasileiro. Comparando com as obras em Natal e Cuiabá, o artigo questiona o risco do estádio se tornar um elefante branco e chega a citar o projeto do Tribunal de Justiça amazonense de transformar o local em um centro de triagem de presos, após a Copa do Mundo. “Um jogo no mês passado, envolvendo um dos times do Amazonas, o Nacional, levou pouco mais de 1.000 fãs a um pequeno estádio na parte leste da cidade. Com a capacidade definida de 42.000 torcedores durante Copa do Mundo, as preocupações permanecem em como o projeto é necessário”, explica.

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