Para analistas, Copa pode fortalecer 'potência emergente'

Especialistas em economia dizem que torneio ajudará em todos os aspectos a imagem do Brasil no exterior

João Caminoto, Agência Estado

30 de outubro de 2007 | 13h35

Ao sediar a Copa do Mundo em 2014, o Brasil poderá estimular sua economia através de volumosos investimentos oficiais e privados, domésticos e estrangeiros, em diversos setores, como o de construção, tecnologia, e serviços, que serão acompanhados pela geração de dezenas de milhares de empregos, gerando um impacto positivo que persistirá durante muitos anos. Veja também: Brasil é confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014 Brasil enfatiza preservação ambiental na apresentação na Fifa Paulo Coelho brinca: futebol é mais importante que sexoAs cidades candidatas a sede da Copa do Mundo de 2014 Opine: o que você acha do Mundial no Brasil?Além disso, segundo analistas consultados pela Agência Estado, ao promover o evento mais importante da agenda esportiva global - a final da última copa na Alemanha foi acompanhada por dois bilhões de telespectadores - o Brasil terá uma oportunidade histórica de fortalecer sua imagem de "potência emergente", exibindo avanços concretos na solução de seus problemas seculares.O torneio, se bem sucedido, poderá inclusive ajudar a reduzir ainda mais o risco Brasil, principalmente em aspectos como o da infra-estrutura e segurança pública, que ainda incomodam muito os investidores estrangeiros. "Sem dúvida, a Copa do Mundo é uma vitrine fabulosa, poderá revelar o Brasil para aqueles que ainda o desconhecem no mundo, inclusive aqui mesmo na Europa", disse o chefe do departamento de risco da consultoria britânica Economist Intelligence Unit, John Bowler. "Se o país promover o evento com competência poderá tirar lucros de longo prazo."Não existem números precisos sobre os benefícios econômicos de se organizar uma Copa do Mundo. Os dados que circulam entre analistas são freqüentemente questionados. O PIB da Alemanha teria aumentado em 0,5% por causa do evento em 2006. O governo alemão avalia que os efeitos positivos continuarão emergindo durante muitos anos. O país europeu gastou cerca de US$ 1 bilhão na construção ou renovação de sete estádios, mas apenas os cinco milhões de torcedores que compareceram aos jogos geraram uma faturamento de US$ 3,7 bilhões.Em 2002, o governo japonês foi muito criticado por ter arcado, em meio a uma recessão, com boa parte dos US$ 5 bilhões de gastos com infra-estrutura para montar o torneio, que sediou juntamente com a Coréia do Sul. Mas estima-se que a Copa pode ter adicionado 0,6% ao PIB japonês, e 2,2% ao sul-coreano.No caso da África do Sul, que abrigará a próxima Copa, em 2010, o volume direto adicional ao PIB é estimado em cerca de US$ 3,5 bilhões. Cerca de US$ 1,2 bilhão deve ir para os cofres do governo em forma de impostos extras. Pelo menos 170 mil novos empregos deverão ser criados. Cerca de 2,7 milhões de torcedores - sul-africanos e estrangeiros - devem comparecer aos estádios, gerando um faturamento de US$ 2,1 bilhões.Para a Copa no Brasil, já circulam estimativas de uma receita direta entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Como no caso da África do Sul, circulam críticas de que o país não tem condições de arcar com tal evento, que requer pesados investimentos públicos. Mas para o economista Clint Waltz, da universidade Troy, dos Estados Unidos, os benefícios de se sediar um evento dessa magnitude não podem ser menosprezados. "Afirmar que uma Copa do Mundo de futebol gera um impacto econômico é uma declaração tímida", afirmou Troy, um estudioso do tema. "Os impactos para a economia são tanto diretos como indiretos."Segundo Waltz, o torneio melhora a infra-estrutura do país e suas cidades, fortalece sua base tributária, o fluxo turístico e o faturamento do setor de serviços. "E isso não leva em conta os impactos indiretos, como o valor de marketing, os gastos secundários e terciários subseqüentes, e o aumento do orgulho da comunidade que acompanha o torneio", disse.Esse "orgulho de hospedar um evento de tamanha importância, pode também ter um impacto econômico positivo, com observou a economista Sandra Petcov, do banco Lehman Brothers, cuja equipe avaliou o impacto do torneio na Alemanha e monitora os preparativos da Olimpíada de 2012 em Londres. "O fator feel good (se sentir bem) entre a população fortalece a confiança nas perspectivas do país", disse Petcov. "Sem falar no impacto positivo global, sobre investidores e o público em geral, que um torneio bem organizado pode ter, como vimos na Alemanha."'Vexame'Resta agora ao governo brasileiro o desafio gigantesco de organizar uma Copa que poderá ser um marco no desenvolvimento do país, contrariando o ceticismo que ficou expresso numa reportagem publicada no jornal Financial Times, que alertou sobre a possibilidade de "caos" em 2014. "O governo terá que mostrar resultados concretos na organização da Copa", disse o diretor de um banco espanhol. "Se recorrer, por exemplo, a uma retórica semelhante à que vem cercando a lentidão de execução do PAC, corre o risco de passar um vexame mundial."

Tudo o que sabemos sobre:
Copa 2014seleção brasileira

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.