Site Oficial / A.S. Roma
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Para Andressa Alves, pandemia escancarou disparidade entre o futebol feminino e o masculino

Jogadora da Roma, da Itália, lembra que homens conseguem, por exemplo, viajar em voo fretado e isso não é oferecido às mulheres no Brasil; CBF tenta se movimentar nesse sentido

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2020 | 08h00

Dias depois  de a temporada de futebol masculino ser encerrada na Europa, as mulheres voltaram aos gramados. A meia-atacante Andressa Alves, que atua na Roma e na seleção brasileira, já havia dito, no início de maio, que o retorno do futebol feminino dependeria da volta do masculino. Segundo ela, isso ocorre em decorrência da disparidade de investimentos entre as duas modalidades, tanto no Brasil quanto no exterior.

"É um investimento muito maior (no masculino), principalmente nas questões de logística para os. Eles consegue viajar em voos fretados, por xemplo. Essas coisas que o futebol feminino, no Brasil, não consegue ainda oferecer", explicou a jogadora, em entrevista ao Estadão.

Mesmo na Europa, onde as competições femininas estão em níveis organizacionais e financeiros superiores às que ocorrem no Brasil, a diferença de tratamento e investimento entre as categorias é grande ainda. Na Itália, onde Andressa joga, a disputa nacional de futebol feminino foi encerrada antes das rodadas remanescentes serem concluídas. Por outro lado, o campeonato masculino foi restabelecido e pôde chegar ao fim.

"O masculino voltou porque sabemos que o investimento é muito maior, então, por isso, eles tiveram um controle superior e uma tranquilidade maior para jogar", explica a brasileira. Há mais investimento de patrocinadores e de transmissão das partidas, por exemplo.

Na quarta-feira, Rogério Caboclo, presidente da CBF, anunciou que as diárias entre homens e mulheres na seleção brasileira serão iguais. Segundo o dirigente, não haverá mais diferença de gênero. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa que também contou com a apresentação de Aline Pellegrino e Duda Luizelli, as novas coordenadoras de futebol feminino da entidade. Ele defendeu tratamento igualitário para os times de Tite e Pia, masculino e feminino.

A falta de jogos pode beneficiar o futebol feminino no Brasil. Isso porque os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para 2021. Desta forma, a seleção terá mais tempo para se familiarizar com a treinadora sueca Pia Sundhage e buscar uma medalha de ouro inédita na categoria. Háverá mais jogos amistosos e treinos na Granja Comary. "O tempo que teremos a mais para treinar será importante porque teremos ainda mais entrosamento com a Pia. Assim, ela conseguirá aprimorar nosso jogo ao seu estilo. Treinar seleção é difícil pelo pouco tempo que temos juntas, então o trabalho tem de ser muito bem feito para o resultado aparecer", explica a meia-atacante.

Durante o período de paralisação das competições, Andressa se casou com a medalhista olímpica Fran, também no futebol. Ela foi prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. As duas fizeram questão de mostrar o momento em que selaram o laço matrimonial em suas redes sociais. Não fizeram festa por causa da pandemia. Andressa afirma ao Estadão que, como figura pública, sempre lutará contra a homofobia em qualquer lugar do mundo.

"A homofobia está presente na sociedade, é uma luta constante que precisamos enfrentar, assim como o racismo. Eu sei que vai demorar para as pessoas entenderem isso, mas vou lutar sempre. Um dia os preconceituosos vão entender que o importante é ser feliz, estar com quem ama, ser do bem, não fazer mal a ninguém. Como figura pública, vou lutar sempre por essas causas", disse a atleta. 

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