Para cartola, faltou alegria a Luxemburgo

Vanderlei Luxemburgo foi demitido nesta sexta-feira do comando do Cruzeiro depois de um desentendimento com a diretoria do clube mineiro, que não atendeu ao apelo do treinador para continuar na função. Luxemburgo foi comunicado de sua dispensa durante uma reunião na Toca da Raposa II com presidente Alvimar de Oliveira Costa e o vice-presidente de Futebol, Zezé Perrella.Em entrevista no final da tarde, o ex-técnico celeste disse que pela manhã estava decidido a deixar o clube e colocou o cargo a disposição, mas depois mudou de idéia e pediu para continuar. Os dirigentes não aceitaram, entendo que não havia mais clima para a sua permanência. "Tivemos diversos problemas. De manhã coloquei uma situação para eles, chateado, que poderíamos rever uma série de coisas, mas eu conversei com a minha família e cheguei a conclusão que eu queria continuar no Cruzeiro", disse Luxemburgo, que procurou demonstrar resignação com a perda do emprego. "O presidente e o vice-presidente entenderam que a discussão que existiu criou uma incompatibilidade".O restante da comissão técnica foi mantido e o auxiliar Paulo César Gusmão será o treinador do time celeste no clássico contra o Atlético-MG, domingo. Ele foi convidado pela diretoria para assumir o comando do clube até o final do Campeonato Mineiro e da Libertadores da América, mas não havia dado resposta.A crise que levou à demissão do técnico estourou durante a semana, quando Toca da Raposa foi sacudida por uma série de declarações polêmicas. A senha sobre a existência de problemas internos no clube foi dada pelo próprio treinador, que voltou a reclamar da falta de "sintonia" no clube após o empate em 0 a 0 com o Uberaba, no Mineirão, pelo campeonato estadual.Luxemburgo chegou a dizer que as vaias que os jogadores receberam da torcida foram merecidas. "Sinto o ambiente no Cruzeiro muito ruim, não há aquela sintonia, aquela coisa homogênea que existia", afirmou.O clima de tensão aumentou quando o camisa 10 e capitão celeste, Alex, disse na quinta-feira que "questões pendentes" envolvendo o grupo cruzeirense estariam influenciando o baixo desempenho do time em campo. Segundo Alex, "arestas" recentes e remanescentes da temporada passada estão afetando o rendimento da equipe.As declarações provocaram a ira dos dirigentes. "Aqueles que não estiverem satisfeitos, a porta da rua é a serventia da casa", disparou Perrella, em tom de ameaça. Irritado, o vice-presidente disse ainda que a "lavanderia" do clube estava aberta 24 horas e cobrou explicações mais claras do jogador e do treinador. "Acho que cabe a eles explicar o que está errado. Eles são pagos para isso, para resolver esses problemas. Para mim ninguém reclama de nada"."Alegria" - Nesta sexta-feira, Perrella justificou a decisão de demitir Luxemburgo afirmando que estava "faltando alegria" ao treinador. "Era o momento de mudar", disse o dirigente. "Quando você começa a falar muito em separação, acaba a separação sendo inevitável. A partir do momento que uma pessoa se confessa não alegre é melhor a gente terminar isso agora. Não é um fato novo na vida do Cruzeiro".Apesar da demissão, o técnico procurou demonstrar serenidade e disse que saía do clube mineiro "sem ataques, sem ofensas". Ele, porém, não conseguiu disfarçar uma ponta de tristeza ao afirmar que ia embora com o sentimento de que estava deixando no meio do caminho um projeto vitorioso, que deverá ter êxito na disputa da Libertadores. "O Cruzeiro é a melhor equipe do Brasil e com certeza pode se tornar a maior equipe da América do Sul".Luxemburgo estava no Cruzeiro desde julho de 2002 e no ano passado levou o clube ao inédito título de campeão brasileiro, além das conquistas da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro.

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