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Para cartolas sul-americanos, grito de "bicha" na torcida é "cultural"

Conmebol tenta convencer a Fifa para evitar a aplicação de multas, que já somam R$ 1,8 milhão

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2016 | 06h20

ZURIQUE - "Cultural". É assim que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta convencer a Fifa a abandonar as punições que estão sendo impostas contra as seleções da região por um comportamento homofóbico por parte de seus torcedores. 

No total, as seleções latino-americanas já foram punidas em 13 ocasiões por conta de gritos com caráter de homofobia de seus torcedores, o que resultou em multas de 550 mil francos suíços por parte da Fifa, cerca de R$ 1,8 milhão.

Wilmar Valdez, presidente da Federação Uruguai de Futebol e um dos membros do Conselho da Fifa, contou ao Estado que a Conmebol já manteve nesta semana reuniões com a direção da entidade máxima do futebol para avaliar o caso. Seu temor é de que, se o ritmo de punições continuar, a conta ficará elevada.

Na quarta-feira, 12, a secretaria da Conmebol, já manteve reuniões com os membros da Fifa para explicar o caso em Zurique. Além disso, nesta quinta-feira, os presidentes de federações sul-americanas vão fazer um protesto em bloco na entidade para tentar frear as multas.

Um dos argumentos é de que não se pode generalizar o comportamento de toda uma torcida pela reação "de alguns poucos". Outro argumento é de que esses gritos não tem uma conotação supostamente anti-gay e que seria uma reação "cultural". 

Observadores da Fifa e mesmo ativistas de direitos humanos contestam essa versão, alegando que é justamente esse padrão "cultural" que não se pode aceitar. 

Na semana passada, foi a vez de a CBF pagar 20 mil francos suíços (R$ 66 mil) por conta de um incidente contra a Colômbia, em Manaus no dia 6 de setembro. A CBF foi punida pela primeira vez, depois de gritos de "bicha" vindos do público ao goleiro adversário. Um advertência também foi lançada. Se a prática continuar, o Brasil pode ficar proibido de atuar em certos estádios do País ou mesmo ser obrigado a jogar a portas fechadas. 

Mas, em outros três partidas da seleção, foram os jogadores nacionais que foram alvos de cantos de caráter homofóbicos pelos adversários. Isso ocorreu contra a Argentina, em novembro de 2015, contra o Chile, em outubro do ano passado, e contra o Paraguai, em março deste ano. 

Pressionada diante da Copa do Mundo na Rússia em 2018, a Fifa quer demonstrar que está agindo contra o racismo e a discriminação. 

A maior das penalidades foi imposta contra o Chile, que, depois de já ter sido multado, voltou a cometer infrações e agora não poderá disputar o jogo do dia 28 de março contra a Venezuela no Estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago. Os chilenos ainda terão de pagar mais 65 mil francos em multas. 

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