Albert Gea / Reuters
Albert Gea / Reuters

Para contratar Messi, PSG planeja vender jogadores para não violar regras financeiras

Na Europa, clubes só podem gastar até 30% a mais do que arrecadam; clube francês pode negociar Mbappé

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2021 | 10h05

Para contratar Lionel Messi, astro que anunciou sua saída do Barcelona e está livre no mercado, o Paris Saint-Germain tenta vender jogadores para reforçar seu caixa. O objetivo é se enquadrar nas regras rigorosas do Fair Play Financeiro, que estão em vigor desde 2010 no futebol europeu.

Segundo o jornal L’Équipe, a diretoria espera conseguir 180 milhões (cerca de R$ 1,08 bi) em vendas para se adequar às regras financeiras. Isso significa que o clube talvez tenha de abrir mão de algumas estrelas. Uma das possibilidades é o atacante francês Kyllian Mbappé, que tem contrato até julho de 2022. O presidente do Paris Saint-Germain, o empresário catariano Nasser Al-Khelaifi, no entanto, trata a renovação com prioridade.  Nesse contexto, o clube francês poderia formar um ataque com Messi, Neymar e Mbappé, mas precisa se manter dentro das regras europeias de gastos. 

Messi pode chegar a Paris nesta segunda-feira para fazer exames médicos e assinar com o PSG. Chorando bastante, o argentino se despediu oficialmente no último domingo. O Barcelona não conseguiu criar as condições financeiras para renovar o seu contrato. O argentino confirmou a negociação com o PSG, mas revelou que ainda não havia sido concluída.

Jornais franceses divulgaram que o salário anual de Messi no Paris Saint-Germain seria de aproximadamente 80 milhões de euros (cerca de R$ 500 milhões).

O PSG garante ter espaço na folha salarial para dar aumento ao craque francês sem ferir o Fair Play Financeiro da Uefa e, mesmo assim, assinar um contrato longo com Messi. O treinador Mauricio Pochettino afirma que uma possível chegada do argentino não significaria o adeus de Mbappé. "Não falei (com Messi)", disse Pochettino em coletiva de imprensa antes da vitória diante do Troyes na abertura do Campeonato Francês. "E qualquer movimento não significaria que Kylian partiria", afirmou. "Um jogador do calibre de Messi, isso é o que é interessante para mim. O clube está trabalhando em várias opções, mas devemos nos concentrar no jogo com Troyes", completou.

O fair play financeiro foi criado em 2010 para obrigar os clubes a gastarem de acordo com sua arrecadação. Os clubes precisam equilibrar as despesas do futebol, como a contratação de jogadores e pagamento de salários, com as receitas de televisão, ingressos e as ações dos departamentos comerciais. O máximo que podem gastar a mais do que arrecadam é 30%. O dinheiro gasto em estádios, instalações de treinamento, desenvolvimento de jovens ou projetos comunitários está isento.

Essa verificação é feita por meio de uma prestação de contas à Uefa. O objetivo é impedir lavagem de dinheiro e que clubes menores quebrem ao arriscarem altos investimentos.

Além de Mbappé, o PSG pode negociar outros jogadores para fazer caixa. Uma das negociações já concretizadas foi o empréstimo do goleiro Areola, campeão do mundo com a França, para o West Ham, da Inglaterra. Da defesa podem sair Thilo Kehrer, Layvin Kurzawa e Abdou Diallo. No meio, Idrissa Gueye e Rafinha são dois nomes qu devem ser negociados.  

Pedro Daniel, diretor Executivo para o Mercado Esportivo da Ernst & Young, explica que existem diferenças entre as regras do Fair Play Financeiro na Espanha - que vetou o novo contrato de Messi com o Barcelona - e o europeu. O primeiro é preventivo. "Na Espanha, o Fair Play evita que o risco se materialize. Os clubes mandam orçamentos, com previsão de receitas e despesas, e a análise é feita. No caso do Barcelona, Messi teria um novo contrato. Na análise, a despesa não cabe na projeção de receita. Por isso, o registro foi impedido", explica Pedro. "Na Uefa, ele (o Fair Play) é mais detectivo. Quando o risco se materializa, ele entra em ação. Na Uefa, é possível contratar, mas a questão salarial causa menos impactos do que na Espanha", compara. 

Denúncia

Segundo o jornal espanhol Marca, sócios do Barcelona fizeram uma denúncia à Comissão Europeia na semana passada sobre o não cumprimento do fair play financeiro pelo PSG. O advogado Juan Branco usou as redes sociais para confirmar a queixa no Tribunal Europeu de Apelação. "Os índices do PSG em termos de fair play financeiro são piores que os do Barcelona. Na temporada 2019/20, a relação entre salários e rendimentos da equipe parisiense era de 99%, enquanto a do Barça era de 54%", diz trecho da denúncia.

Por conta dessas regras, poucos clubes poderiam contratar Messi atualmente. “Por mais incrível que pareça, adquirir o Messi é um problema para alguns clubes da elite financeira do futebol europeu. Esses clubes estão atados às regras do fair play financeiro, que limita substancialmente seus gastos, fazendo com que seja necessário uma complexa engenharia financeira para a contratação do atleta”, explica Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo e transferências internacionais.

"O único mercado com capacidade financeira que poderia absorvê-lo sem restrições de gastos fora da Europa é o americano, porém, ao que tudo indica, essa não é uma opção agora", avalia Carlezzo. 

 Caso Mbappé não renove seu contrato, seu destino provável é o Real Madrid. O salário de Mbappé seria de 25 milhões de euros (R$ 152 milhões na cotação atual) por ano, o maior do elenco. A proposta de renovação para Mbappé é de contrato no mínimo até 2025, algo que não agrada o francês. “O Real Madrid sempre quer os melhores jogadores. Não me surpreenderia se Mbappé chegasse no final deste mês”, afirmou o meia Tony Kross ao jornal alemão Bild

Novos galácticos?

A possibilidade de o time francês formar um ataque com Messi, Mbappé e Neymar, além de uma defesa com o goleiro italiano Gianluigi Donnarumma e o zagueiro espanhol Sergio Ramos, recém-contratados, já deixa os torcedores ansiosos com a possilidade de formação de um esquadrão.

Só a eventual chegada de Messi já coloca o time francês em outro patamar. Vale lembrar que ele é um dos maiores jogadores da história do futebol e  eleito seis vezes melhor do mundo. O argentino jogou ao lado de gerações de craques como Ronaldinho, Xavi e Iniesta.

Com ele, o PSG poderia formar um novo time de galácticos. O termo se popularizou quando o Real Madrid montou uma equipe com jogadores badalados, como Ronaldo, Roberto Carlos, David Beckham, Luís Figo, Zinedine Zidane e outros entre 2000 e 2006. Os investimentos em contratações custaram mais de 1 bilhão de euros ao Real Madrid em apenas 10 anos.

Mesmo assim, a forturna não trouxe todos os resultados desejados. Os galácticos encantaram o mundo e conquistaram, entre outros títulos, a Liga dos Campeões em 2000 e 2002. 

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