Para Daniel Alves, expectativas na seleção são muito grandes

Lateral da seleção brasileira afirma que adversários tem grande nível e que sonho do grupo é ser campeão

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2014 | 15h01

Daniel Alves fez dois desabafos neste sábado, como nenhum outro da seleção havia feito até agora. Postura corajosa diante de discursos muitas vezes orquestrados. Sem rodeio e fugindo do lugar-comum, o lateral afirmou que o povo brasileiro criou uma expectativa muito grande na seleção, e não levou em consideração a dificuldade que o time enfrentaria diante de rivais que se prepararam e evoluíram no futebol. Disse isso depois de uma vitória razoavelmente boa na estreia contra a Croácia, apesar da ansiedade, e de um empate contestado frente aos mexicanos.

"Não pensamos que estamos devendo para o torcedor. Ocorre que o povo brasileiro colocou uma expectativa muito grande na gente. Sabemos o que podemos fazer. E se eu, particularmente, não estou satisfeito comigo mesmo, sou o primeiro a buscar uma melhora constante. Somos todos perfeccionista. Não brincamos com o nosso sonho, que é o de ganhar a Copa. Sabemos que esse também é o sonho de um País."

De canto, Daniel Alves disse ao Estado que essa expectativa não é negativa, mas ela existe e isso pode frustrar as pessoas que esperavam ver gols, dribles, jogadas bonitas o tempo todo, em todas as partidas. "Nós também queremos tudo isso, mas as pessoas só se lembram de seleções vencedoras. Temos de tapar os ouvidos e fechar os olhos para o que vem de fora e seguir em frente." Ressaltou as lições deixadas pela Espanha, que defendia o título e foi a primeira a ser eliminada.

O jogador sabe que a pressão existe e sempre existirá sobre a seleção, sobretudo em casa, diante de sua gente e da enorme confiança que se formou após a conquista da Copa das Confederações, quando o Brasil sequer tinha um time formado. O próprio Felipão disse que não existe outro caminho para o Brasil que não o hexa, e que tudo abaixo da conquista será considerado fracasso.

Daniel Alves ainda assumiu a responsabilidade de marcar gols e jogar bem contra Camarões e que, com isso, poderia homenagear outras seleções campeãs do Brasil. O que seus companheiros e ele próprio declararam em outras ocasiões na Granja foi a necessidade de cada jogador em atuar em prol do grupo. Daniel quer ser protagonistas, corrigir o que não está dando certo na seleção e no seu futebol (ele foi criticado na partida contra a Croácia por deixar o setor descoberto) e usar da improvisação se as coisas ficarem travadas, como foi diante do México.

"Eu queria pegar essa responsabilidade de marcar um gol e poder lembrar os feitos de outras seleções", disse isso para responder a uma pergunta de Dadá Maravilha, ex-atacante do Atlético-MG e seleção, que usa o microfone do SBT nesta competição. "Nós só pensamos nas outras seleções quando fazem comparações com a nossa." No mesmo dia 21 de junho de 1970, o Brasil, de Pelé, Rivellino, Tostão e Gerson ganhava da Itália e se sagrava tricampeão do mundo. Dadá era reserva de Jairzinho naquele time.

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