Para Fifa, histórico de Suárez pesou em decisão de pena

Documentos da Fifa obtidos pela reportagem revelam que a entidade decidiu aplicar uma punição inédita ao atacante uruguaio Luis Suárez por ele não ter mostrado arrependimento pela mordida que deu no zagueiro italiano Giorgio Chiellini. Outro fator que pesou foi a constatação de que as duas punições já adotadas contra o jogador no passado não surtiram efeito. A intenção, segundo os informes secretos, era de que a nova sanção fosse "dissuasiva". A Fifa, porém, rejeitou todas as provas apresentadas pelo Uruguai, de fotos a laudos médicos.

JAMIL CHADE, Agência Estado

28 de junho de 2014 | 07h26

Suárez foi suspenso por nove jogos e banido do futebol por quatro meses, além de multado em R$ 247 mil. Vítima da mordida, Chiellini criticou a decisão. "Sinto que a punição é excessiva. Espero sinceramente que permitam a ele ficar ao menos perto de sua equipe durante as partidas".

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que a suspensão foi em defesa do fair play. "O que ele (Suárez) fez não foi justo", disse. "Não posso dizer se foi uma punição muito grande ou não. O Comitê de Disciplina é independente", declarou. "Luto pelo fair play no futebol e essa decisão foi tomada por sete juízes que levaram em consideração o que ele fez no passado". O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, sugeriu que Suárez busque tratamento.

No documento que baseou a decisão, o Comitê de Disciplina da Fifa considerou que a atitude foi "intencional", uma "falta grave" e uma "violação da moral esportiva". "Morder é um incidente de particular gravidade, escandaloso e completamente extraordinário no futebol", indicou a decisão.

DEFESA - Os documentos ainda trazem trechos da carta que Suárez enviou para a Fifa. "No momento do impacto, que me fez juntar os joelhos, perdi o equilíbrio, desestabilizando meu físico e caindo por cima do oponente", disse. "Neste momento bati minha cara contra o jogador, deixando um pequeno hematoma e uma forte dor nas peças dentais, que determinou que o juiz parasse o jogo. Isso é o que aconteceu e em nenhum caso aconteceu o que se descreve como morder ou tentar morder", completou.

Os uruguaios ainda apresentaram fotos e um certificado médico, além de um informe forense que avaliava o material fotográfico e as imagens da marca no italiano. A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) insistiu que o ato não foi "deliberado". Para a entidade, o que ocorreu foi "resultado de um movimento normal, provável e esperado".

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