Para Guimarães, Costa Rica pode surpreender na estréia

A seleção só joga na terça-feira, mas o Brasil estréia nesta sexta-feira na Copa do Mundo, representado por um treinador que é ídolo na Costa Rica: Alexandre Guimarães. Aos 46 anos, ele participa de seu terceiro Mundial, sempre defendendo o país da América Central, e tem como objetivo ao menos levá-lo a repetir a campanha de 1990, quando chegou à segunda fase.Ao mesmo tempo, quer mostrar um trabalho eficiente não só para honrar a terra natal, mas também dar satisfação aos familiares, que moram no Rio e estão tão ansiosos quanto ele. ?Sei bem o que significa representar a Costa Rica e também o Brasil, o lugar onde nasci. Amanhã (sexta) será um dia especial para mim e para a minha família, que está toda no Rio torcendo. Espero fazer uma boacampanha aqui", disse Guimarães, no Allianz Arena, após a sua seleção fazer o reconhecimento do gramado.Guima, como é chamado pelos mais próximos, tem uma relação profunda com a Costa Rica. Para lá foi aos 11 anos, pois o pai, então médico da Organização Pan-Americana de Saúde, foi transferido. Até então, vivia em Maceió. Gostou do país e adotou a dupla cidadania em 1985. Naquela época, já era jogador de futebol, esporte que preferiu ao basquete, que também praticava.Na carreira dentro do campo, jogou no Deportivo Saprissa, Turriabla e Punta Arenas, todos locais. E fez 16 jogos pela seleção costa-riquenha, um deles na Copa de 90, a primeira do país, contra a seleção brasileira. Terminou o jogo derrotado por 1 a 0. Na década passada, tornou-se técnico é, segundo vários jornalistas costa-riquenhos que conversaram com ao Portal Estadão, sabe o que faz. Sabe se impor com os jogadores, não tolera falta de seriedade e tem grande conhecimento de tática de jogo. Como treinador, também cruzou com o Brasil e igualmente perdeu: 5 a 2, em 2002. Era sua primeira passagem pela seleção da Costa Rica. Saiu, voltou em 2005 em meio a grave crise e conseguiu levar a seleção à Alemanha. Por isso, apesar de considerar a partida especial ele não a superdimensiona. ?Essa partida é importante, mas as partidas mais importantes foram as que fizemos para chegar aqui", considera.Enfrentar a Alemanha, com a torcida toda contra, não assusta Guimarães. ?Em campo são 11 contra 11", diz, apelando para a surrada frase. E não nega que espera surpreender os anfitriões. ?Jogo inaugural de Copa já teve Camarões vencendo Argentina (em 90) e Senegal batendo França (2002). Não me apego a isso, mas preparei bem o meu time."Ele sabe, porém, que a Costa Rica não tem condições de ir muito longe nesta Copa. Ainda assim, não abre mão do objetivo traçado. ?Esperamos passar à segunda fase", revela, garantindo que dá para brigar com Polônia e Equador. Mas a Alemanha que se cuide: ?Se der para começar com um resultado positivo, será um grande prazer", conclui Alexandre Guimarães. Na Costa Rica, no Brasil e mais especificamente numa rua do bairro da Tijuca, onde mora sua mãe, tem muita gente torcendo para que isso aconteça.

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