Miguel Schincariol / São Paulo FC
Miguel Schincariol / São Paulo FC

Para manter 'história sem asterisco', São Paulo não vai pedir anulação de jogo com o Ceará

Clube critica CBF e uso do VAR e aponta que estaria se beneficiando do que teria sido um erro porque o gol foi em impedimento

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 10h03

O São Paulo divulgou uma nota nesta sexta-feira em que afirma não ter a intenção de entrar com pedido de anulação da partida contra o Ceará, pelo Brasileirão, quando o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães cometeu erro que poderia causar grande polêmica e até a realização de um novo confronto. Segundo o clube, a decisão da diretoria é manter "uma história sem asterisco" e que não pretende se beneficiar com o que teria sido um erro da arbitragem, porque o gol foi marcado em impedimento.

"Este clube tem princípios, é balizado pela retidão de conduta e se orgulha de fazer o correto. Por isso, não ingressará com o pedido para anulação da partida apesar de ter a segurança que o pleito seria aceito uma vez que houve evidente erro de direito e descumprimento de regra básica do jogo. O São Paulo não quer, no entanto, se beneficiar do que teria sido um erro. Nos orgulhamos de nossa história incontestável e sem asteriscos, e assim a manteremos", diz trecho da nota.

Na quinta-feira, a CBF se pronunciou com relação à polêmica do gol anulado. De acordo com a Comissão Nacional de Arbitragem da entidade, em nota divulgada em seu site, uma falha de comunicação foi o principal motivo da confusão. O erro se deu no segundo tempo da partida, que terminou empatada em 1 a 1.

O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães validou gol do atacante Pablo, que estava impedido no começo da jogada. Ele consultou o VAR e manteve a decisão, permitindo o reinício da partida. Logo após o Ceará recolocar a bola em disputa, o árbitro parou o jogo e, em nova consulta ao VAR, anulou o gol do São Paulo. O auxiliar Silbert Faria Sisquim havia marcado o impedimento. Ocorre que a regra não permite que um gol seja anulado depois do reinício da partida, como ocorreu.

Confira a nota divulgada pelo São Paulo

Jogamos futebol porque acreditamos nesse esporte como meio de atingir a felicidade. O futebol é, no Brasil, a maior expressão do povo brasileiro. E este esporte, os clubes de futebol e os campeonatos só existem por causa da paixão - para quem não sabe, é disso que o futebol é feito e é isso que o mantém vivo, de geração para geração.

Ocorre, no entanto, que acontecimentos como o presenciado nesta quarta-feira (25), na Arena Castelão, em nossa partida contra o Ceará, estão ferindo e fazendo sangrar, dia após dia, a paixão pelo futebol.

O São Paulo deixa claro que sabe que houve impedimento no lance e que a decisão correta seria a anulação do gol, mas alerta que isso não implica na inexistência do indiscutível erro de direito que veio a seguir e que justifica esta nota.

O erro da arbitragem foi algo acima de interpretação, que incorre em descumprimento de regra básica do jogo: o próprio Livro de Regras, que embasa a arbitragem brasileira e é documento público disponibilizado pela CBF, afirma que não se pode alterar uma decisão após o reinício da partida. Vimos o contrário acontecer, no entanto.

Em nota oficial publicada na noite desta quinta-feira (26), a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF não só atestou que houve, sim, uma alteração da decisão do VAR após o reinício do jogo, como também relatou que houve uma falha de comunicação entre o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães e o VAR causada por uma comunicação paralela e simultânea entre o árbitro de campo e o quarto árbitro.

É preciso, hoje, que um clube diga com clareza que a aplicação do VAR precisa ser revista no Brasil. A tecnologia é bem-vinda, mas precisa ser bem aplicada. Todo o futebol brasileiro se beneficiará de mais capacitação, transparência e de maior clareza quanto às diretrizes que embasam as decisões. Precisamos cuidar do futebol brasileiro.

Vale lembrar que esta não foi a primeira vez em que o São Paulo foi prejudicado em uma decisão de jogo que envolveu o VAR. Há três meses tivemos um atleta agredido no Morumbi em clássico contra o Corinthians em lance que não resultou em punição para o agressor, e também um gol de Luciano contra o Atlético-MG em que a tecnologia de vídeo apontou impedimento equivocadamente - erro posteriormente assumido pela Comissão Nacional de Arbitragem.

Como futebol é feito e vive de paixão, o São Paulo aproveita o momento para relembrar do que este clube é feito em sua essência. Este clube tem princípios, é balizado pela retidão de conduta e se orgulha de fazer o correto. Por isso, não ingressará com o pedido para anulação da partida apesar de ter a segurança que o pleito seria aceito uma vez que houve evidente erro de direito e descumprimento de regra básica do jogo.

O São Paulo não quer, no entanto, se beneficiar do que teria sido um erro. Nos orgulhamos de nossa história incontestável e sem asteriscos, e assim a manteremos.

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