Sérgio Castro/AE - 5/1/2011
Sérgio Castro/AE - 5/1/2011

Para manter Valdivia no Palmeiras, Tirone dá aumento salarial ao chileno

Presidente do clube alviverde diz que a diretoria confia no trabalho do jogador

Daniel Batista e Paulo Galdieri, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h13

SÃO PAULO - Preocupado com a pressão que iria receber da torcida por se desfazer de um dos principais jogadores do time em pleno Campeonato Brasileiro, o presidente Arnaldo Tirone resolveu tomar uma decisão surpreendente. Vai dar um aumento para Valdivia ficar no Palmeiras.

O acordo foi selado na noite de quarta-feira. O jogador comunicou ao presidente que estava indo embora porque a proposta do Al Sadd, do Catar, era irrecusável. Tirone estava decidido a vendê-lo, mas pressionado por torcedores, que chegaram até a ameaçá-lo, convenceu o Mago a ficar oferecendo 30% de aumento de salário.

"Ele vai ficar. Conversei ontem à noite (quarta-feira) e resolvemos que o correto é ele continuar. É melhor o Valdivia ficar para não ter mais confusão", disse o presidente. "Todo mundo quer bater no Valdivia e falar que ele tem que sair, mas nós confiamos nele."

O Al Sadd iria pagar os 8,25 milhões de euros (R$ 15,1 milhões) pedidos pelo Palmeiras, que ficaria com 5,5 milhões de euros (R$ 12,9 milhões) e o restante (R$ 2,2 milhões de euros) iria para o Al Ain (ex-clube do chileno).

Para sacramentar sua permanência no Palmeiras, Valdivia deve dar uma entrevista coletiva nesta sexta-feira e fazer juras de amor ao clube, como fez nesta quinta em entrevistas para a TV Bandeirantes e rádio Estadão ESPN. E no acordo foi acertado que tanto o jogador como o presidente não vão admitir o aumento. O fim da novela sobre sua saída teve como grande vencedor o chileno.

O meia, que até antes da negociação era mais criticado do que elogiado por se machucar demais e não estar rendendo o esperado, passou a ser apoiado porque disse nesta quinta-feira não ter vontade de deixar o clube. Ele prometeu que ainda vai dar muitas alegrias à torcida.

Se alguns torcedores e o próprio jogador estão dando pulos de alegria com o desfecho do negócio, o mesmo não se pode dizer da maioria dos dirigentes e da comissão técnica.

O departamento financeiro do clube, por exemplo, vai ter de se virar para conseguir quitar as dívidas, inclusive com o banco Banif, para o qual o Palmeiras deve 8,5 milhões de euros (R$ 19,5 milhões), e ainda conseguir dinheiro para o aumento.

POBRE MUNHOZ...

O vice-presidente financeiro Walter Munhoz tentou minimizar, mas admitiu que contava com o acordo. "Claro que esse dinheiro vai fazer falta. Não sou do futebol, mas tenho de acreditar que a permanência do Valdivia será boa."

Felipão também não gostou. Valdivia deve fazer no máximo mais dez jogos pelo Palmeiras na temporada. Ele se recupera de uma lesão na coxa direita que sofreu durante o amistoso do Chile contra a Espanha e ainda pode ser convocado para a seleção para quatro amistosos até novembro.

O curioso é que apesar de ter dado aumento para o chileno Tirone não quer perder a oportunidade de fazer negócio mais para a frente. Ele pediu para que os representantes do Al Sadd voltem a procurá-lo no final do ano para tentar um acordo.

Em sua página pessoal no Twitter, Valdivia se defendeu. "Pode ser que eu perca dez bolas, mas jogando para a frente. Raça? Raça é o Pierre, eu tenho outra qualidade."

Em seguida, cutucou a postura de alguns dirigentes. "Não sou o melhor, mas também não sou o pior custo benefício. Vocês são Verdão e tem que apoiar até a morte. Não sejam que nem a política do clube". Depois, disse que não vai mais usar o Twitter.

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