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Para Maturana, 'futebol brasileiro tem que achar solução no próprio País'

Treinador é o mais importante da história futebol colombiano

Entrevista com

Francisco Maturana

Ciro Campos - Enviado Especial a Medellín, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 07h40

O técnico mais importante da história futebol colombiano acompanha com incredulidade a chance de o futebol brasileiro ficar fora da decisão da Copa Libertadores pela terceira vez seguida. Ao Estado, Francisco Maturana, campeão do torneio em 1989 com o próprio Atlético Nacional e da Copa América em 2001 pela Colômbia, diz que para sair dos maus resultados, o futebol brasileiro precisa analisar a própria história.

O atual Atlético Nacional é mais forte do que o dirigido pelo senhor?

Não é possível comparar. Na época eram jogadores todos locais, da região de Medellín. Agora, é um plantel muito mais numeroso, com jogadores de todo o país e mais alguns estrangeiros. São situações distintas.

No seu tempo era incomum ver o futebol brasileiro longe de decisões continentais. O que houve?

Tanto as seleções como os clubes da América do Sul perderam o medo do Brasil. Temos equilíbrio no futebol. As equipes bolivianas, por exemplo, têm crescido muito. Fora que vemos na semifinal da Libertadores o Independiente del Valle. Quem pensaria que um time com pouca história chegaria tão longe?

Trazer técnicos estrangeiros serve para recuperar o respeito?

Não se respeita mais a história. Há algum tempo ninguém pensaria que times brasileiros jogariam na defesa. O importante virou ganhar, de qualquer maneira. Não há dirigentes que defendam a história, então trazem qualquer treinador, não buscam refletir sobre o passado. Não acho que o momento é de olhar analisar a Europa, mas sim a história. De olhar para Felipão, para Parreira, para Zagallo, para todos os que fizeram o Brasil ser grande. Não adianta buscar quem corre 20 km por jogo. É melhor trazer quem cresceu na mesma rua, no mesmo bairro, este é o que quer espaço.

O Atlético Nacional tem a melhor campanha do torneio. Vê chances de ser eliminado pelo São Paulo?

Se formos analisar superficialmente, o Atlético Nacional é o favorito para ganhar a Libertadores. Mas o São Paulo tem um técnico que ganhou duas Libertadores, esteve em outras semifinais e ainda não se pode desprezar o potencial do Brasil.

Ganhar a Libertadores em 1989 era mais difícil?

Sim. Agora os clubes se conhecem mais. Eu trabalhava sem ter campo de treinamento. Tínhamos que esperar para saber no dia qual campo da cidade estaria disponível. O futebol da América do Sul entre os clubes está inferior. Os melhores jogadores dos países estão agora na Europa.

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