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Para onde ir?

São Paulo e Palmeiras iniciam o 2.º turno com pretensão de título. Santos e Corinthians, em alerta

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 04h00

A folhinha do calendário do futebol doméstico indica para hoje a abertura do segundo turno do Brasileiro. Quer dizer, oficialmente, pois já teve por aí um jogo antecipado. A competição mostra três blocos distintos: o primeiro, do líder ao sexto colocado, indica aqueles que brigam pelo título; o segundo, numa espécie de limbo, conta com Corinthians e Cruzeiro, que não estão nem lá nem cá; o terceiro, um amontoado de equipes separadas por poucos pontos e sobre as quais pesa o tormento do rebaixamento.

A turma paulista está bem dividida. O São Paulo puxa a fila, com campanha surpreendente, eficiente e firme, que lhe garante a liderança merecida. O Palmeiras ostenta o sexto lugar, com tendência de alta e uma defesa que parou de tomar gol. Esses dois enveredam pelo período mais delicado do campeonato com moral alta. O Corinthians tem 26 pontos – 15 atrás dos tricolores –, dá sinais de perda de fôlego e tende, no momento, a ser figurante. Se ficar nisso, respirará aliviado. O Santos com 21 patina para distanciar-se do Z-4; alvinegros vivem dias de preocupação.

O embalo são-paulino é notável. Não mostra estilo exuberante, não joga o fino da bola, o que não é demérito; infelizmente, há muito temos carência de supertimes. Foi-se o tempo dos esquadrões acadêmicos do Palmeiras, das “seleções” do Santos, de Flamengo, Cruzeiro, Inter, Grêmio, Corinthians recheados de craques. Contentamo-nos com times eficientes.

O São Paulo enquadra-se nesse perfil. Os ex-boleiros que estão no comando – Raí, Ricardo Rocha, Lugano – no início do ano apostaram num elenco mesclado por veteranos e alguns pratas da casa e optaram por dar oportunidade para o técnico Diego Aguirre, esquecido no Uruguai depois de passagens por Inter e Atlético Mineiro. 

Aguirre mexeu aqui e ali, recuperou Diego Souza, deixou Nenê à vontade, ajeitou a defesa, equilibrou o meio-campo. Até o ataque voltou a funcionar – hoje, com 32 gols, é o segundo melhor, só superado pelo Galo (36). Gente que chegou com a temporada em andamento, casos de Everton, Joao Rojas e Bruno Peres, também se enquadrou no esquema do treinador. Alguém ainda se lembra de Cueva?

A combinação deu num São Paulo mais ágil, atento e confiante. Se apresenta estilo pragmático, objetivo ou seja lá qual o adjetivo a tentar defini-lo, pouco importa; vale a constatação de que não se descontrola com facilidade, mantém ritmo aceitável durante os jogos, obtém resultados consistentes.

Se colocará a mão na taça é outra história. O equilíbrio do torneio não permite exercício de futurologia. Nesta quarta-feira, tem outro teste, o de não doar pontos na visita ao Paraná, lanterna e que deu calor ao Inter na manhã de domingo, em Porto Alegre.

Confiança é termo que se ajusta ao Palmeiras sob a batuta de Felipão. Não dá para cravar que a chegada mudou o destino alviverde, com poucas semanas de casa nova. Porém, inegável que tem rodada o elenco com sabedoria, recuperou o desacreditado Deyverson, deu um chacoalhão em Dudu e fechou a defesa. Desafios maiores virão contra o Cruzeiro, na semifinal da Copa do Brasil, e na Libertadores, a um passo da classificação para as quartas de final. É um Palmeiras com autoestima firme.

Incerteza cerca o Santos e o Corinthians. Cuca tem a missão de reerguer um grupo com diversos jovens, pressionados com o risco de queda. Vitórias despontam com mais frequência, ainda sem passarem a sensação de equilíbrio no rumo santista. Panorama semelhante no Corinthians, que deu sinais de melhora, após a pausa do Mundial, porém retomou a gangorra no desempenho. Passou na Copa do Brasil, está em desvantagem na Libertadores e corre no Brasileiro no duelo de hoje com o Flu.

 

 

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