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Para ou continua

Palmeiras x Grêmio e Inter x São Paulo mostrarão quem permanece na luta pelo título

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2018 | 04h00

Em 1900 e qualquer coisa havia um programa no rádio chamado Para ou continua. Era um concurso bem simples: havia várias músicas para o ouvinte escolher; a preferida, que chegava até o final, ganhava a concorrência. Era passatempo inocente, em época em que não havia celular, redes sociais e fake news não passavam de cascata, fofoca ou lorota. O indestrutível Sílvio Santos deu novo formato à gincana, agora com cantores no palco. Aquele que o público escolher avança casas; o primeiro a chegar ao topo, leva o prêmio.

Isso vêm à memória numa hora em que o Brasileiro embica para a reta decisiva. Numa situação inédita na era de pontos corridos, a dez rodadas do encerramento da temporada, cinco times ainda sustentam esperança de botar a mão na taça. A diferença entre eles é mínima e, ao menor vacilo, tanto pode ser anulada quanto aumentada. Por isso, atingem a hora do “para ou continua” ou o popular “ou vai ou racha”.

Dois clássicos hoje tendem a contribuir para essa definição, após vitória do Flamengo sobre o Fluminense, no sábado. No Pacaembu, o líder Palmeiras topa com o Grêmio, ainda a movimentar-se um tanto por fora, enquanto em Porto Alegre Inter e São Paulo, com campanhas surpreendentes, tiram a sorte para ver quem se dá bem na rota do sprint

O Palmeiras desponta como o mais inteiro nesse quinteto. A ascensão da equipe de Luiz Felipe Scolari é notável, sobretudo no segundo turno, em que embolsou 23 de 27 pontos disputados; aproveitamento além dos 80%. Mais do que resultados, influenciam nesse favoritismo o comportamento, a mentalidade, o fôlego apresentado pelos jogadores. Sejam titulares, sejam reservas, o nível de eficiência não cai. Aliás, difícil até detectar quem é banco ou quem é apenas “regra três” nesse grupo, tal a harmonia e a cadência de todos.

O líder faz a segunda de quatro apresentações determinantes. Venceu a primeira, com os 2 a 0 incontestáveis sobre o São Paulo, sábado passado no Morumbi. Agora, tem o tricolor gaúcho. Depois, recebe o Ceará, na zona de rebaixamento, porém em crescimento. E fecha com a visita ao Flamengo no Rio. Se obtiver dez pontos, com tranquilidade aperta o botão de “continua” no topo.

Felipão maneja tão bem a trupe que deve mesclar as formações A e B, e quem sabe encontrar o equilíbrio ideal para o restante da temporada, no Brasileiro e na Copa Libertadores. Há baixas, como Felipe Melo, Marcos Rocha, Borja e Victor Luís; em contrapartida, contará com Mayke e Diogo Barbosa, suspensos pelo tribunal da CBF, mas liberados por efeito suspensivo. Pela maneira como escolheu os que iniciam o clássico, o técnico dá a entender que usará da estratégia habitual: chamar o adversário e sair no contragolpe. Os palestrinos têm o segundo melhor ataque (43 gols, contra 47 do Atlético-MG) e o desafio é derrubar a solidez defensiva do Grêmio (o menos vazado, com 16 gols). Os gaúchos, com 51, podem ficar no “para”, se perderem o duelo. 

Mais tenso deve ser o encontro no Sul entre Inter e São Paulo, que largaram sem grandes pretensões, ocuparam o primeiro lugar e agora se veem na encruzilhada. Os tricolores (52) já há algum tempo dão a impressão de ter atingido o limite. Não se trata de jogar a toalha; no entanto, Diego Aguirre não tem mais cartas na manga. Se tropeçar e o Palmeiras ganhar, é outro que acionará o “para”. A turma colorada parece ter alguma reserva, ainda, e com 53 pontos ficará perto do “para”, se não vencer. Se ganhar, mantém o “continua”. Vejo risco maior para o São Paulo. 

SELEÇÃO COM SONO

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