Para Palaia: Richarlyson vem aí

O "cala a boca, Palaia" não é uma obsessão para Richarlyson Barbosa Felisbino, de 22 anos, 1,76 m e 73 kg, que estréia nesta quinta-feira contra o Palmeiras. Mas, se acontecer, será bem-vindo para o jogador que em 7 de junho fez exames médicos de manhã no Palmeiras e assinou contrato com o São Paulo à tarde. Pulou o muro.Palaia, na ocasião, ironizou o sobrenome de Richarlyson. "O Felisbino que jogue lá. Aqui não fará falta", disse. "Pois é. Ele quis fazer graça com o meu sobrenome, que é Felisbino. Acho que não gostou, mas eu gosto. É um sobrenome alemão", diz Richarlyson. "Não vou entrar para provar nada ao Palmeiras. Vou é mostrar que o Autuori acertou em me dar essa chance. Quero fizer uma boa partida e ajudar o São Paulo a vencer. E se isso servir como um cala-boca a alguém, melhor ainda", diz.Não existe motivação especial por enfrentar o time de Palaia. "Motivação é vestir esta camisa. Não precisa de mais nada. Vou sentir um friozinho na barriga, porque afinal é o primeiro clássico da minha vida, mas depois tudo passa e vai ser um jogo normal."Richarlyson está muito animado com o jogo. Diz que tem uma comemoração ensaiada. "Não digo qual é porque estraga a surpresa. Talvez eu faça uma homenagem a meu pai."O pai de Richarlyson é Lela, que foi atacante do Coritiba, campeão brasileiro de 1985. Fazia caretas e balançava lateralmente a cabeça. Richarlyson e Alecsandro, seu irmão, atacante do Vitória, já comemoraram gols da mesma forma que o pai.A última partida de Richarlyson foi em 15 de maio, na vitória por 2 a 1 do Santo André contra o Sport, em Recife. "Talvez eu sinta um pouco de falta de ritmo, mas vou superar isso com muita vontade", admite o jogador.Então, Richnarlyson entrou na Justiça pedindo desvinculação do Santo André, sob o argumento de atraso no pagamento do Fundo de Garantia. Em 8 de junho, foi apresentado no São Paulo como novo jogador do time. O Santo André recorreu do primeiro julgamento e em 13 de julho ganhou a causa em definitivo. O São Paulo teria de pagar R$ 2,6 milhões para ficar com o passe do jogador.Pagou menos. Foram R$ 800 mil pela metade do passe. O Santo André ficou com 40% e Richarlyson com 10%. "Fez parte do meu acordo com o São Paulo. Fiquei com 10% e salários menores."Nos treinos, Richarlyson tem se destacado. Mostra movimentação muito grande, geralmente em linha reta na direção do gol adversário. É comparado, pelo fôlego e disposição, com Marcelinho Paraíba, que fez 177 jogos e marcou 46 gols pelo clube entre 1997 e 2000. "Meu forte é o pé esquerdo, mas tento jogar com o direito também. Jogador de meio-de-campo tem de fazer tudo o que for possível. Não pode ficar restrito a uma faixa de campo", diz o jogador.

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