MARCOS BEZERRA/ FUTURA PRESS
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Para sobreviver, Portuguesa põe seus jogadores na vitrine

Ideia do clube é ter atletas valorizados e vender todos eles após o Paulistão para levantar dinheiro e pagar as contas atrasadas

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2015 | 07h30

Uma boa campanha no Campeonato Paulista é a principal estratégia para a Portuguesa sobreviver à maior crise financeira de seus 94 anos. O raciocínio é simples: chegar às fases finais da competição, esperar que os destaques do time despertem a atenção de outros clubes e negociar essas revelações, gerando renda para pagar salários e contas atrasadas.

"O Campeonato Paulista é uma vitrine para todo o País. Fazer uma boa campanha e revelar jogadores são os principais objetivos para a gente conseguir respirar um pouco. Em 2015, nós precisamos respirar", afirma o vice-presidente de marketing Armando Costa Gonçalves. "A situação é complicadíssima", avalia.

A estratégia já começou a funcionar. Em janeiro, o clube conseguiu vender 40% dos direitos federativos do meia Jean Mota para um grupo de empresários. O valor foi utilizado para saldar uma parte dos salários atrasados dos jogadores. Jean foi o autor do único gol da Portuguesa na derrota por 3 a 1 para o Santos no Pacaembu.

A grande aposta é o meia Rudy Cardozo. Ex-jogador do Bolívar que chegou às semifinais da Libertadores no ano passado, o meia tem 27 partidas e três gols pela seleção boliviana. Chegou a ser pretendido pelo Boca Juniors e também pelo Cruz Azul, do México. Ainda em fase de adaptação, teve estreia discreta contra o Rio Claro, no empate por 0 a 0 na Arena Barueri. A comissão técnica avalia que ele tem potencial para ajudar bastante o clube.

A diretoria acredita no potencial do boliviano também fora de campo. O departamento de marketing da Portuguesa está atento aos 380 mil bolivianos que vivem em São Paulo, principalmente nos bairros próximos ao Canindé. A ideia é criar um programa de sócio-torcedor em uma versão mais popular, com mensalidades em torno de R$ 15.

Rudy, no entanto, tem uma mancha em seu currículo. Em outubro do ano passado ele agrediu violentamente o auxiliar Vladimir Sória, do Bolívar, depois de uma discussão. Dias depois os dois deram as mãos em público, mas Rudy foi suspenso por três meses, multado em 60% do salário e perdeu espaço. 

RAZOÁVEL

A Portuguesa ainda não empolgou no Paulistão. Depois de um bom começo, perdeu a invencibilidade no jogo contra o Santos e caiu para o terceiro lugar no Grupo 3 – hoje não estaria classificada para as quartas de final. Ou seja, o plano de apresentar novos craques está comprometido. O capitão Valdomiro afirma que o principal objetivo do grupo é se manter na elite estadual. O que vier depois será lucro. "Não adianta fazer uma boa campanha no Paulista e não conseguir subir para a Série B, que é o nosso principal objetivo no ano", diz Valdomiro.

Enquanto não deslancha no Campeonato Paulista, a Portuguesa vem costurando acordos pontuais, como o patrocínio de uma locadora de veículos. A intenção é conquistar quatro ou cinco cotas no valor de R$ 50 mil cada uma, e sobreviver com elas. "Também estamos pedindo a ajuda da comunidade lusitana. Estamos buscando soluções alternativas. Não temos receitas", diz Armando.

Uma das razões da crise da Portuguesa são as ações trabalhistas movidas por funcionários e jogadores. Ao todo, são 115 protestos. A Lusa ainda tem a pagar prestações de R$ 267 mil mensais até 2019. O círculo se fecha com a falta de crédito no mercado por causa das dívidas anteriores.

A crise financeira tem implicações políticas também. O Conselho Deliberativo vai debater no dia 5 de março se acata o pedido para o processo de impeachment do presidente Ilídio Lico, formalizado pelo COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) nesta semana. Se aprovada, a questão será levada à assembleia para ser votada pelos sócios do clube. O principal argumento do COF é exatamente a crise financeira.

Dirigentes da Portuguesa ouvidos pelo Estado afirmam que a chance de o presidente ser destituído é pequena. "Não existe no estatuto espaço para impeachment por incompetência", avalia um diretor que não quis ser identificado.

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