Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians
Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Para treinadores, é proibido perder no futebol brasileiro

Tropeços custam caro aos técnicos, que convivem constantemente com críticas de torcedores e desconfiança da direção das equipes

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2021 | 05h00

A derrota do Corinthians para o São Paulo por 1 a 0 semana passada abriu uma nova fase no futebol brasileiro, a da intolerância zero da torcida com seu treinador. Sylvinho teve a cabeça pedida após errar tudo numa única partida e ver seu rival festejar os três pontos em casa.

A apresentação ruim do Corinthians bastou para que seu treinador fosse questionado a ponto de parte da torcida fazer campanha para a sua demissão. É proibido perder no futebol. Porque Sylvinho, ainda em formação como treinador, dada sua baixa quilometragem, tirou leite de pedra desse elenco fraco antes da chegada de alguns reforços e, mesmo assim, levou o time para a parte de cima da tabela no Brasileirão, de modo a deixar o inferno onde estava e se posicionar entre os primeiros colocados com vistas à Copa Libertadores, o que já seria um milagre.

Sylvinho roeu o osso e poderia ter um pouco mais de gratidão desses mesmos que querem sua saída imediata. A diretoria não se pronunciou sobre tamanho descontentamento. Nem deveria. Afinal de contas, não pode ser o torcedor passional a decidir se um técnico deve ou não permanecer no cargo.

Sylvinho não está sozinho nesta frigideira. Renato Gaúcho começa a enfrentar focos de descontentamento da torcida do Flamengo. Logo ele que tantos queriam para o lugar de Rogério Ceni. É indiscutível a diferença de um e de outro, como também da maior qualidade do ‘fantasma’ Jorge Jesus, que sempre é lembrado nas comparações pela campanha de 2019, mas daí a pedir a demissão de um treinador que mantém o clube vivo em três competições (Brasileirão, Copa Libertadores e Copa do Brasil) é demais.

O torcedor, convidado novamente a fazer parte do futebol depois do avanço da vacinação contra a covid-19, parece ter perdido seu bom senso e um tiquinho de inteligência. Não me surpreenderia, portanto, se Fábio Carille tiver seu nome pedido em coro para sair do Santos após derrota de sábado para o América-MG na Vila – ele que acabou de chegar.

Ocorre que o futebol brasileiro está assim, com muitos treinadores na corda bamba. Há ainda um outro personagem nessa trama que anda apertando o nó no pescoço dos técnicos: o jogador. Hernán Crespo não foi bem entendido por alguns dos seus atletas na fase final do seu trabalho. Felipão teve sua competência questionado dentro do vestiário. Ambos perderam o emprego. Ocorre que tanto o torcedor quanto o atleta não podem fazer o dirigente de refém como andam fazendo. É preciso que o gestor tome as rédeas do seu clube.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.