Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Parada da Copa América: como a pausa mexeu com a tabela do Campeonato Brasileiro

Paralisação do torneio por algumas semanas promoveu mudanças na classificação, inclusive com a troca de líder

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2019 | 12h49

A parada do Campeonato Brasileiro para a disputa da Copa América mexeu com as forças dos times e promoveu uma série de mudanças na tabela de classificação. Depois do retorno do calendário, foram cinco rodadas que causaram alterações bruscas na competição, como a troca de líder, a reação de alguns clubes e até mudanças de treinadores. Por outro lado, houve também quem tivesse se mantido na mesma condição.

O Estado faz uma análise das condições da tabela e explica alguns dos motivos das alterações. Agora com 14 das 38 rodadas já disputadas, os clubes não terão mais pausas entre os compromissos da competição até o encerramento do Brasileiro, previsto para o início de dezembro.

Quem evoluiu

Santos

O time do técnico argentino Jorge Sampaoli virou líder do Brasileiro graças à série de sete vitórias (quatro delas depois da Copa América). Antes da parada, o time estava cinco pontos atrás do então líder, Palmeiras, e agora são três pontos de vantagem. O futebol ofensivo e de movimentação contou com a ascensão técnica de jogadores como Eduardo Sasha e Soteldo.   

Sampaoli admitiu semanas atrás ter ficado surpreso com o crescimento da equipe. "Não esperava uma resposta como essa. Muito jogadores novos, uma equipe distinta e com grandes jogadores que saíram no início do ano, como o Bruno Henrique. Mas todos se encaixaram, a equipe se acomodou e estamos conseguindo competir", comentou.

São Paulo

O time do Morumbi estava em 9º lugar antes da Copa América e agora virou o 5º lugar. A principal chave da evolução da equipe, que tem um jogo a menos que os demais, se deve ao ataque. Após marcar oito gols nos nove primeiros compromissos, os comandados do técnico Cuca anotaram mais dez vezes depois do retorno do calendário.   

O São Paulo tem agora a marca de três vitórias seguidas, a última delas no sábado, sobre o atual líder, o Santos. "É uma vitória contra a melhor equipe do campeonato, um time muito difícil, com jogadores exalando confiança e um excelente treinador. É uma vitória que dá confiança. A gente pode e deve evoluir", explicou.

Vasco

A equipe carioca tem conseguido se afastar das últimas posições da tabela depois da parada para a Copa América. Comandado por Vanderlei Luxemburgo, o time mostrou mais organização e consistência defensiva. Nos cinco compromissos disputados após o retorno do calendário, o Vasco bateu o Fluminense e segurou fora de casa um empate com o Palmeiras.   

O aproveitamento antes da Copa América era de 33% de aproveitamento e saltou para 53% nessas cinco últimas rodadas. No domingo, o Vasco bateu o Goiás por 1 a 0 no Serra Dourada e voltou a vencer fora de casa pelo Brasileiro depois de mais 600 dias. "O resultado foi muito importante para sairmos da zona da confusão", destacou Luxemburgo.

Quem está na mesma

Cruzeiro

Então comandado por Mano Menezes, o time alviceleste tinha a esperança de usar o período de treinos durante a Copa América para reagir. Mas não conseguiu. O Cruzeiro continuou na zona de rebaixamento. Em busca de reação, a diretoria trouxe nos últimos dias Rogério Ceni para ser treinador. O clube não ganha desde 5 de maio e tem uma das piores defesas, com 22 gols sofridos.  

Fluminense

Irregular e inseguro. O tricolor carioca continua só uma posição acima da zona de rebaixamento e longe de ter uma sequência positiva. Nos quatro últimos compromissos foram três derrotas, principalmente marcadas por falhas na defesa. "O Fluminense, com as dificuldades financeiras que temos, com a folha salarial que temos, consegue enfrentar qualquer time de igual para igual. E isso gera confiança, não desconfiança. Se o time tivesse jogando mal, certamente eu já seria demitido", disse o treinador Fernando Diniz.  

Flamengo

Firme na terceira posição, o clube trouxe o treinador português Jorge Jesus e se mantém na perseguição aos líderes Santos e Palmeiras. O Flamengo continua estável por se manter invicto como mandante e alternar fora de casa atuações ruins, como na derrota por 3 a 0 para o Bahia. No entanto, existe no clube a confiança na evolução do trabalho do técnico e na possível chegada do atacante italiano Mario Balotelli.  

Quem regrediu

Palmeiras

O antigo líder do Campeonato Brasileiro, Palmeiras, não venceu um jogo sequer desde o retorno da competição. Antes da Copa América, a defesa só tinha sofrido dois gols e depois da retomada da competição, foi vazada sete vezes em cinco partidas. O desequilíbrio defensivo preocupa o técnico Luiz Felipe Scolari, que conta com reforços como Luiz Adriano e Ramires para recuperar o rendimento.

"Fizemos uma boa arrancada, tivemos problemas depois da Copa América e agora estamos jogando bem, tivemos um ou outro problema. Nós tínhamos uma ideia de pontuação até o 14º jogo. Se ganhássemos hoje, estaríamos um ponto acima do que planejamos. Como empatamos, estamos um ponto abaixo", disse o treinador no último domingo depois do empate com o Bahia.  

Goiás

Na Copa América o clube esmeraldino era o 6º lugar, tinha ainda um jogo atrasado para fazer com o Corinthians e sonhava em chegar ao G-4. A realidade agora é bem diferente. Depois do retorno da agenda, a equipe caiu para a 13ª posição. O declínio ficou marcado por derrotas por 6 a 1 sofridas para Flamengo e Santos, fora a demissão do técnico Claudinei Oliveira, agora substituído por Ney Franco.

Inter

Envolvido em competições mata-mata, o Inter teve uma queda de rendimento no Brasileiro nessas cinco últimas rodadas, quando ganhou só uma vez (1 a 0 sobre o Ceará). O técnico Odair Hellmann tem poupado alguns titulares para priorizar compromissos da Copa do Brasil e Copa Libertadores, escolha que coincidiu com derrotas para o Athletico e Fluminense, ambas fora de casa. De 4º colocado, o clube se tornou agora o 8º.  

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